sexta-feira, 23 de abril de 2010

Entrevista com Erik Marmo

Eu e o ator Erik Marmo nos encontramos recentemente no restaurante Paris 6, Jardins, em São Paulo, para uma entrevista de capa publicada neste mês de abril na Revista In House. Agora o Rêtêtê traz trechos desse bate-papo!

Ele falou sobre a sua carreira, seu lindo filho Daniel, 7 meses, o casamento com Larissa Burnier e o mais recente trabalho, a interpretação como Horácio na peça “Escola de Mulheres”. O texto é um dos mais consagrados de Molière, em cartaz no Teatro Vivo, até 30 de maio.
Sob a maestria do renomado e experiente diretor teatral Roberto Lage, a montagem é bastante fiel à obra, ao demonstrar um humor sarcástico, inteligente em uma história bem engendrada.

Erik, além de bonito e simpático, deixou-me com uma boa impressão. Durante a entrevista foi educado, atencioso e procurou ser muito coerente.

Como é fazer o Horário na peça Escola de Mulheres?
Está sendo maravilhoso. Eu estava parado há um ano e ter recebido esse convite foi um grande presente.

O Horácio é um arquétipo de príncipe, retratado em contos de fadas, não?
Sim. Bem colocado. Ele se apaixona perdidamente por Inês e quer libertá-la da prisão de Arnolfo. Mas a peça não fala só disso. Ela trata das dificuldades humanas através de uma comédia muito inteligente.

Você gosta de interpretar os mocinhos?
Eu gosto de desafios. Gosto de aprender, de trocar experiências com atores, de trabalhar, de conhecer novos colegas. Eu amo a minha profissão e aceito interpretar o que mais me agradar, se eu puder escolher. Mas não fico preocupado se sou chamado para ser o mocinho ou o bandido. Tudo depende de qualidade.

E essa nova experiência de ser pai?
Ter um filho muda muito a vida da gente. Sentir que eu sou responsável por uma criança, em todos os sentidos, me faz pensar na vida de modo diferente.
Eu me preocupo desde a proteção, segurança e saúde dele até a minha situação financeira, pois agora suas necessidades estão em primeiro lugar...

Você também cuida muito da sua saúde e adora praticar esportes praianos, como está sendo a sua adaptação em São Paulo, já que mora em Niterói?
Desde criança e até hoje pego onda, nado, jogo vôlei de praia, frescobol e também futebol society. Aqui eu andei pela cidade e achei uma academia, onde já estou praticando natação e pilates.

E essa mudança está sendo boa?
Eu sempre procuro me adaptar às novas situações. Contratamos uma babá para o Daniel e trouxemos nossos principais itens. Estamos bem instalados. Além do mais, eu gosto muito de trabalhar aqui. Os paulistanos vão bastante ao teatro e, isso, é sempre muito gratificante.

Você é vaidoso?
É só você olhar para o meu cabelo e ver que eu não sou nada vaidoso. (aponta para madeixa desgrenhada e rimos juntos). Eu prefiro cuidar mais da minha saúde, que é o meu maior bem.

Qual o grande propósito de viver?
Acho que estamos aqui para aprender e evoluir e não para um simples nascer e morrer. Tento estar sempre atento a esta questão.

O seu casamento com a modelo Larissa Burnier faz parte disso?
Claro que sim. Estamos aqui para crescer um com o outro. Larissa e Daniel estão colaborando muito para a minha evolução. Os relacionamentos de amizade e entre familiares também nos ensinam isso.

O que mais lhe intriga na humanidade?
Ele fixa o olhar, aparentemente lançado ao nada, e retorna com uma lembrança: - Ontem vi uma reportagem na televisão. O assunto era que o filho havia matado o pai. Nossa! Eu fico muito incomodado com esse tipo de notícia. Eu não acredito que fomos criados para matar uns aos outros. E como um filho pode assassinar o seu próprio pai? Tem algo de muito errado nisso. Não consigo entender uma coisa dessas. A maldade me deixa muito intrigado mesmo.

O que é Deus para você?
A natureza.

Serviço:
Escola de Mulheres (Comédia)
Teatro Vivo (290 lugares) - www.teatrovivo.com.br
Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 – Morumbi
De sexta-feira, às 21h30; sábado, às 21h, e domingo, às 19h
Duração: 90 minutos/ Classificação etária: 12 anos
Ingressos: sexta e domingo: R$ 40. Sábado R$ 50
Elenco: Erik Marmo, Oscar Magrini, Thais Pacholek, Gerardo Franco, Cris Bonna e Flávio Faustinoni
Link para matéria (íntegra) na Revista In House: http://inhouserevista.com.br/

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Brideshead – uma “pintura” de encher os olhos


Se você ainda não decidiu qual filme ver neste findi. A dica do Rêtêtê é Brideshead – Desejo e Poder (Brideshead Revisited), do diretor inglês Julian Jarrold. A produção estreou na sexta (9) em São Paulo. No Rio de Janeiro será dia 16.

O filme é pura qualidade. Milimetricamente pensado em todos os recursos e elementos visuais. Jarrold, já conhecido por seu perfeccionismo cinematográfico, mostra com exatidão seus enquadramentos acertadamente estudados e luzes cuidadosamente planejadas. Impossível falar mal da fotografia!

Tanto nas tomadas internas quanto externas, o charme e a precisão -tradicionalmente ingleses – aparecem não somente na história contada de forma enxuta e paradoxalmente rica em detalhes. Cenas que esbanjam simetria (planos abertos e fechados), glamour e elegância. Isso sem falar do figurino luxuoso e das locações majestosas.

A película, baseada no livro de Evelyn Waugh, que já foi filmado como minissérie em 1980, conta a história de um universitário de Oxford (o classe média Charles Ryder), que se aproxima do excêntrico aristocrata (Sebastian Flyte).

A partir dessa amizade, iniciam-se jogos nada desconhecidos das relações humanas, envolvendo sentimentos de amor, mágoa, ciúme, inveja e amizade.

Conflitos religiosos e familiares engrossam esse belo longa-metragem, ambientado na Inglaterra dos anos de 1920, tendo como o seu principal cenário a mansão de Brideshead.

Na contramão de tanta pomposidade, a película, ironicamente, deslancha de verdade depois da cena escatológica, em que Sebastian, encarnado pelo expressivo ator Ben Wishaw, vomita no quarto do protagonista Charles (Matthew Goode, de O Direito de Amar), recém chegado de Londres.

Goode está perfeito! Com falas concisas, o personagem não precisa mesmo de tanto desenvolvimento narrativo. Ele é sustentado brilhantemente pelas ações e gestos, principalmente faciais, do ator. E, claro, a oralidade é profunda, inteligente, sagaz...

Charles pode parecer frio e calculista, mas basta mergulhar no seu complexo universo para perceber o sofrimento oculto e avassalador, que o deixa, por muitas vezes, inerte. Um ser humano inserido repentinamente em mundo incoerente a sua realidade e, ao mesmo tempo, vitimado por um amor obscuro e idealizado.

Sebastian vive em desequilíbrio. Personagem, ricamente construído, imerso a uma forte confusão mental, gerada por ser gay dentro de uma família nobre e soberba, dominado pela mãe controladora e católica fervorosa, além de ser viciado em álcool e tabaco. Para completar sua desordem psicológica, ele se apaixona por Charles.

Aí é que entra Júlia (Haley Atwell), irmã de Sebastian, uma moça misteriosa e sedutora. O resto eu não vou dizer, mas posso adiantar: ela é a que mais provoca pontos de virada (plot points), pois possui grande força dramática dentro da narrativa. A personagem lhe prenderá a telona!

Você está esperando pela atriz Emma Thompson? Simplesmente maravilhosa e... inglesa! Ela é a matriarca Lady Marchmains, que reina altiva, com base nos dogmas da igreja, refém da rigidez que carrega irracionalmente.

Marido de Emma na trama e na vida real, Michael Gambon é o Sir Marchmains. Para fugir da mulher e de suas próprias convicções católicas, em um país tradicionalmente protestante, ele muda-se para Veneza (pode?) e casa-se novamente, porém o conflito vai além do que consegue suportar.

Se para alguns, o filme é frio e sem alma. Para mim, ele é profundo e intrigante, dono de um calor contido, que explode no interior de cada personagem, nada previsível.

Cena preferida: A perseguição de Júlia por Charles, literalmente descrita pelos “olhares acelerados” da objetiva. Momento que faz você refletir sobre as delícias do cinema. Bom filme!


Ficha Técnica:
Brideshead – Desejo e Poder (Brideshead Revisited)
Reino Unido, 2008, Drama, Romance, 103 min.
Diretor: Julian Jarrold
Elenco: Emma Thompson, Matthew Goode, Michael Gambon, Haley Atwell, Ben Wishaw

domingo, 11 de abril de 2010

Peça Ghetto emociona e atesta momento histórico

“O teatro precisa registrar e perpetuar esse fato com toda a sua poesia, para que a humanidade não perca a competência de amar e de se comover com a dor de seu semelhante”, acredita o ator judeu Fábio Herford. Ele vive Yossel Rakover na peça “Ghetto”, que estreia dia 28 de abril, no Teatro Eva Herz.

Esta citação refere-se ao Holocausto, retratado no palco, com base no livro Yossel Rakover Dirige-se a Deus, do escritor lituano Zvi Kolitz. Intimista, Herford encena o seu primeiro monólogo, cercado por cartas espalhadas pelo chão, em conjunto com mil sapatos, os quais aludem a corpos de judeus mortos na segunda guerra mundial (1939-1945).

Um piano, que executa a trilha sonora da peça, também faz parte do cenário. O instrumento é tocado com maestria pelo próprio ator, que compôs as canções de “Ghetto”. Seus pais austríacos e alemães sobreviventes o ajudaram no processo de construção do personagem.

“Esse espetáculo é um sonho antigo. Sempre quis, como judeu, falar algo sobre o Holocausto. Esse texto é uma oportunidade de homenagear meus familiares e todo o povo judeu”, emociona-se Herford.
Escondido em um porão no gueto de Varsóvia, o maior reduto judaico da Alemanha nazista na Polônia, Rakover conversa com Deus, muitas vezes voltando seu olhar ao céu, buscando respostas sobre quais os motivos que o levaram àquela situação. Outra inquietação do personagem é saber por que os homens exterminam seus semelhantes, sua própria espécie.

Yossel é um homem desarmado, que na sua essência particulariza os seus últimos momentos de vida. “Além do diálogo com Deus, ele também se dirige a quem, no futuro, vai encontrar o seu texto. Ele externa o que sentiu antes de morrer, sem perder a fé”, explica o roteirista e diretor do espetáculo Elias Andreato.

Os escritos chegaram, por engano, a passar por testemunho real e foi reconhecido como um dos mais profundos relatos sobre o Holocausto. Com o tempo, o mal entendido se desfez e essa emocionante ficção, escrita em 1946, transformou-se em livro. Certo dia, a publicação chegou às mãos de Herford. “Foi o próprio Elias quem me apresentou a obra”.

Para Andreato, “Ghetto” é uma produção ímpar. “Yossel contextualiza a sua própria tragédia. É a primeira vez que ouvimos alguém falando, como indivíduo singular, sobre esse momento tão dramático”.

- Como você gostaria que o público visse Yossel, perguntei ao diretor, que respondeu prontamente: “Ele é um judeu orgulhoso de ser judeu. Eu gostaria que o público enxergasse um homem sendo ele mesmo, sem defesas, sem máscaras”, finalizamos a entrevista.

Sobre o autor
Zvi Kolitz (1919-2002) foi produtor e escritor. Seu texto ''Yossel Rakover dirige-se a Deus” tornou-se um clássico da literatura do Holocausto. Co-roteirista e co-produtor de ''Monte 24 não responde'' (1954), ele apresentou o primeiro longa sobre a independência de Israel (1948).

Depois, mudou-se para os EUA e co-produziu “O Deputado”, uma das primeiras peças a questionar o silêncio do Vaticano durante o Holocausto. A montagem aconteceu na Broadway, em meio à controvérsia, por nove meses do ano de 1964.

Kolitz morreu em 29 de setembro de 2002 em Nova York. Ele tinha 89 anos e morava em Manhattan.

Serviço:
Ghetto (60 minutos). Quartas e quintas, às 21h - R$ 30.
Teatro Eva Herz (166 lugares) - Livraria Cultura - Conjunto Nacional
Bilheteria: de segunda a sábado, das 14h às 21h. Domingo e feriado, das 12h às 19h30.
Info: 3170-4059 - Vendas: 4003-2330 e http://www.ingresso.com.br/
Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque.
Notícia relacionada: Israel para por 2 minutos em memória às vítimas... http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2010/04/12/ult34u230737.jhtm

domingo, 7 de fevereiro de 2010

BEYONCÉ A TODA PROVA

Beyoncé, praticamente não atrasou. O show estava previsto para as 22h e a musa abriu o evento às 22h20, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, ontem, dia 6. Esta foi a segunda apresentação de sua turnê I Am... , no Brasil, que estará no próximo dia 10, na cidade de Salvador. Ainda, nos dias 7 e 8, ela levará seu doce remelexo ao Rio de Janeiro, no HSBC Arena.


Abrindo o show com Crazy In Love, a jovem diva anunciou que estava lá para cantar. Sem acompanhamento de voz e instrumental, ela canta sozinha os primeiros versos e mostra que é uma boa cantora. Logo depois, denunciou que pretendia mesmo interagir e interagiu de fato. No início, uma amigável provocação: "Quem está aqui para dançar? Quero todas as garotas sexys de São Paulo dançando". Depois disso, ela fez várias intervenções, inclusive e, a uma certa altura, declarou que o show estava sendo o melhor de sua história! Pode?
Em 2002, Cher, a primeira diva pop norte-americana mais aclamada, despediu-se do público em sua última turnê Firewell Tour, dizendo que havia preparado um show fabuloso. Uma apresentação que ficasse na mente de seus fãs e na história da pop music, afinal ela declarava a sua última aparição no palco. Para isso, além de seu talento, Cher contou com uma “mega” produção, que foi desde uma marcante descida em um lustre de cerca de cinco metros de altura à exibição de um grande elefante “dançando pelo palco”.

Pois, bem, Beyoncé provou ontem que para um show ser fabuloso, a grande produção pode ocupar o segundo plano. Isso para usar a expressão, pois na realidade, o substantivo (produção) ficou, literalmente, em último plano. Pelo menos em relação ao show que ele apresentou ontem em São Paulo.

A cantora de 28 anos apresentou-se em um palco, simples, sem relevantes objetos cênicos. Era uma escada onde subiu por três vezes, um telão ao fundo, o qual exibiu diversas imagens projetadas, a banda, seus bailarinos que se revezaram entre si e, claro, 3 ótimas e performáticas back vocals.

Isso mesmo, Beyoncé, pelo menos no Brasil, provou que ritmo, carisma, simpatia, interação com o público e, acima de tudo - uma voz potente e melódica - são suficientes para encantar e paralisar seus espectadores. Sem deixar de lado as seis trocas de roupas, que praticamente se resumiram em maiôs, minissaias, vestidos, muito brilho e bom equipamento de iluminação, além de sua própria luz.
Definitivamente, ela é quase nada fake. Tem nos bastidores a grande indústria da música internacional para promovê-la, coreografias e gestos marcados, mas deixa muito claro que sabe improvisar, demonstrando grande confiança em sua voz, criatividade, segurança ao "puxar" assunto com as pessoas e, claramente, não é insegura. Suas back vocals cantam sozinhas uma música inteira e músicos também contam com demonstrações solo.

Beyoncé transcende no palco. Domina e direciona os momentos para onde ela quer; uma domadora de si mesma. Incrível! Com uma desenvoltura de modelo na passarela, com direito a elegantes trançadas de pernas e sincronizados movimentos gestuais (rosto, cabelo, ombro e braços), ela atua como se estive em sua casa, andando de um lado para outro. Isso tudo sem estar dançando. A cantora, apenas nessas cenas, levou os 60 mil presentes ao delírio. Muito espontânea.

Ela prova também que é uma grande líder. Quase na metade do show, a Beyoncé Girl pede para as pessoas levantarem as mãos. Todos levantaram. Depois os braços. E a multidão os elevaram para as estrelas. (A noite estava linda. Não choveu!). Na seqüência ela convidou todos a repetirem a coreografia da canção Single Landies. E, claro, súditos ou não, sem questionar, imitaram hipnotizados os movimentos da rainha. Em infinitos momentos foi possível ouvir a multidão cantando também os grandes e os menores sucessos dela, que não poupou “o bate papo”.
Em um momento marcante do show, ela disse: Eu sempre pensava que tinha de vir ao Brasil. Eu tinha de vir. Eu tinha de vir. Nossa, mas eu não fazia ideia do número de fãs que eu tenho aqui. Muito obrigada! Muito obrigada! Dava para perceber o seu sentimento de gratidão.

Ela, realmente, parecia não acreditar na imensa recepção calorosa da plateia. De fato um grande presente que mais uma vez o público brasileiro, com seu afeto e entusiasmo peculiares, oferece a uma artista estrangeira. Com Madonna, há mais de um ano, no mesmo local, as reverencias não foram diferentes.
Mas Byoncé cativa ainda mais porque transmite um ar ingênuo. Ela arrisca. Além de seu improviso certeiro, conta com muita espontaneidade e é muito amável ao se dirigir às pessoas. Por vezes, permanece estática, apenas ouvindo os gritos da plateia, a qual chamava seu nome ou gritava simplesmente. Contagiante!

A cantora surpreendeu com a sua simplicidade! No meio do show, ela desceu do palco e andou alguns metros "pela" multidão (espaço cercado), demonstrando estar feliz e bem à vontade. Tocou nas mãos das pessoas, sorrindo muito e chegando bem perto, enquanto charmosamente se dirigia ao palco de número dois, montado quase no meio da pista, como já era previsto.

Ela fez esse trajeto por duas vezes. Na primeira pegou a bandeira do Brasil da mão de um fã, dançou com ela e ao fundo uma projeção da flâmula no palco principal. Na segunda, parece ter pedido aos seguranças que se mantivessem distantes dela. Dessa vez, já no bis, eles a deixaram mais livre e não ficaram na frente dos fãs, os quais tentavam desesperados tocar na diva. E muitos conseguiram. E ela gostou! Neste momento, ela deu um lenço para um rapaz, que suspirou sem acreditar no gesto.

Um dos pontos mais altos do show foi ela ter homenageado uma manifestação divina feminina ao cantar Ave Maria e, em seguida Angel, anteriormente já gravada por Sarah McLanclan. Este momento foi o mais emocionante. Com um vestido branco esvoaçante, ela desceu de uma escada. Depois, seu staff aproveitando o figurino, o incrementou com uma saia branca sustentada por uma grande armação e um véu sobre a sua cabeça. Se alguém a esta altura ainda tinha dúvida sobre a sua extenção vocal, variações rápidas entre grave e agudo e elasticidade nos tons, com certeza pôde esclarecer por si próprio.

Ao final, a musa avistou um cartaz no meio da multidão escrito “hoje é meu aniversário”. Perguntou quem faria aniversário no dia e sem titubear, a bela soltou a voz novamente e à capela cantou Happy Birthday to You para o aniversariante. Mas, capela mesmo foi, anterior a esta cena, em Listen, uma das faixas do filme Dreamgirls. Foi de arrepiar!

I am... começou em março de 2009 e já passou por cerca de 30 países. Depois do Brasil, Beyoncé seguirá para Argentina, Chile, Peru. A turnê terminará em Trinidad e Tobago. Segundo a Billboard - que elegeu como o melhor concerto de 2009 - I am... arrecadou US$ 54 milhões em seus sete primeiros meses.

No início da semana, a carismática artista recebeu seis prêmios na 52ª edição do Grammy, incluindo álbum do ano, por I Am... Sasha Fierce; música do ano e melhor gravação de R&B, com Single Ladies (Put a ring on it); melhor performance vocal feminina pop: Halo e melhor performance tradicional R&B, por At Last.


Em novembro do ano passado, Beyoncé já havia se consagrado como a grande vencedora do MTV Music Awards, levando para casa os prêmios de cantora do ano, melhor vídeo e melhor música.

Na verdade, em sua carreira, Beyoncé já ganhou 16 Grammy Awards (treze como solo e três com o Destiny´s Child, antigo grupo).

Ela também já atuou em vários filmes e foi indicada ao Globo de Ouro na categoria Best Performance by an Actress in a Motion Picture, por sua atuação em Dreamgirls. “Ela está com tudo e não está prosa”. Que rett, hein!
Clique aqui (dica de Elias) e veja o momento em que ela ficou mais "passada": http://www.youtube.com/watch?v=h5riRS7v4to

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Minha mãe sempre comemorava os nossos aniversários.
O meu e os dos meus irmãos.

Ela dizia que gostava de acompanhar o crescimento dos filhos.

Ela também gostava de juntar a família, ver todos felizes e reunidos.

Eu sei que ela também gostava de fazer festa.

Adorava dançar, dar risada e fazer palhaçada para as pessoas rirem e se sentirem felizes.

Hoje já não há festas em família para comemorar o meu aniversário.

Já não espero meus primos para brincar e nem para ver aqueles que estão para nascer.

Mas, há muito tempo eu também comemoro, faço festa e conto piadas... até performances...

E tudo isso com os meus AMIGOS.

É que eu gosto de acompanhar o crescimento DELES.

Eu me sinto como se eu tivesse fazendo 18 aninhos...
hummmmmm... 25 vai!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PARA SEMPRE HAITI

Haiti solto no mar
Frouxo nas nuvens densas e escurecidas
Não há desenho de algodão
Nem herói, nem boneca, nem guloseima mordida
Cinzas de fumaças confusas
Gritos vazios sem perdão...

Que desassossego o tum tum tum do coração
Ah! Meu irmão:
- Uma dose a mais de fé, imploro a ti
Que tristeza, que tremor, revolta da natureza
Sem julgamento, sem lei, nem culpado
A equação resulta errada

Os anjos procuram por esperança
Ajoelham-se, murmuram preces
Acalentam as almas partidas
Cobrem as asas, descem o véu
Não mudam o já feito

Almejam por ânimo, os da terra
Por ajuda, os feridos
Por amor, os benevolentes
Por compaixão, os desesperançados
Por chão, os inocentes
Pesar de quem fica
Que triste subida!
Zilda Arns... Alma tão imensuravelmente rica.
Ciclo da vida, da morte ou da lida?

Choro o choro dos impotentes
Do espectador
Da poltrona em frente ao palco
De sangue, de medo...
Engolindo sem chance a pílula de metal,
na combinação indigesta de náusea e de dor.

Peço aos produtores que o espetáculo chegue ao fim
Aos oportunistas, a solidariedade
Aos poderosos, o olhar retilíneo da boa vontade
Aos amorosos, o afeto consolador
Aos mais raivosos, a Luz da serenidade
Aos levados pelo colo da morte, a Paz
Aos corpos desprezados no solo tão sofrido, a dignidade
Aos navios do Porto, a reconstrução do cais
Ao Príncipe, o santo escudo da majestade

E a mão do tempo, um aperto Amigo!

sábado, 9 de janeiro de 2010

ISSO É UMA VERGONHA, Boris!


Enchentes, deslizamentos, saques a bens de vítimas da desapropriação inevitável de suas casas, ponte que desmoronou no Rio Grande do Sul, negligência médica causando mortes de inocentes, assaltos e assassinatos, dois mil presos não voltam após indulto e a primeira chacina do ano, em São Paulo, Itapevi, deixa quatro mortes, durante a madrugada deste sábado.
Ainda neste mesmo período balas perdidas mataram pelo menos cinco inocentes e dois ficaram feridos durante uma guerra entre traficantes rivais, no Complexo do Juramento, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Essas são algumas das más notícias que foram ou serão veiculadas na imprensa brasileira dos últimos dias. Acontecimentos tristes, violentos, desnecessários, imprudentes, injustos e incompreensiveis para alguns e, para outros, que fazem parte do ciclo da vida... Mas, como classificar a atitude do apresentador da TV Bandeirantes, Boris Casoy?

No dia 31 de dezembro durante o Jornal da Band, ele subestimou a classe dos garis. Dois deles desejaram felicidades aos brasileiros em 2010. Enquanto, eles exibiam uma atitude nobre, que vai na contra-mão das mazelas noticiadas, o apresentador, a troco do que não sei, fez um comentário, no mínimo deselegante.

Não resolvi falar disso agora para ser mais uma pessoa a protestar o comportamento do apresentador. O meu intuito é deixar o ato registrado para uma reflexão, pois atitudes como esta fere não somente uma classe, mas todas as minorias - descentralizadas. Sim, porque juntas, formam a Maioria.

Uma fala como esta coloca em dúvida a prestação de serviço do jornalismo, coloca em dúvida a seriedade das notícias, a imparcialidade das informações, que já é bem duvidosa, e, indubitavelmente, o caráter e ética do apresentador e toda a sua turma, pois é possível ouvir risinhos cínicos difundidos na transmissão. De quem? Produtores? Roteiristas? Editores? Repórteres? Diretores? Quem mais pensa como ele?

Desse acontecimento, o Brasil inteiro ficou sabendo, porque o áudio vazou. Imaginem, então, o que fora dito em outras ocasiões que deflagrara vozes e risinhos como estes? E os que estão por vir e que, provavelmente, serão mais resguardados?

É apropriado resgatar um fato ocorrido em julho de 2007: Demissão da comentarista econômica Salete Lemos da TV Cultura, após o simples ato de ter criticado o enriquecimento ilícito dos banqueiros e a postura do governo Lula ao compactuar com eles, em detrimento da boa fé de cidadãos brasileiros. E o Boris será demitido? O que você acha desse rê-tê-tê?
Estamos em um momento em que os tempos pedem, a cada segundo, mais solidariedade, tolerância, compaixão, amizade, igualdade, compreensão, respeito aos recursos naturais e humanos, inclusão social... Há muitas pessoas na face da terra preocupadas com o rumo pelo qual a humanidade está sendo levada, mas infelizmente, são desdenhadas!

O próprio filme Avatar, vangloriado por sua linguagem gráfica inovadora, traz a mensagem de que o mundo precisa cultivar a mãe terra e a “árvore das almas”. O que seria essa “árvore das almas”? Disso falou-se muito pouco!

Os anos 80 anunciaram a Era de Aquário e a esperança de um período que vibraria a Luz da Alma, uma Consciência mais elevada entre os seres humanos. Cerca de 40 anos antes dessa época, T. S. Eliot escreveu “Luz... Luz, a lembrança visível da luz invisível”.
Uma passagem hassídica grafa: “Deixemos que a luz penetre a escuridão até que esta brilhe e não mais exista qualquer divisão entre as duas”. Mais pragmático, Honoré de Balzac profetizou a grande batalha interna da humanidade. “Sinto em mim uma vida tão luminosa que poderia iluminar um mundo, mas mesmo assim estou encerrado em uma espécie de mineral”.

Um mineral, por exemplo, a pedra, é para os hinduístas o estado de consciência mais primitivo do mundo material. E tomando por base as imagens televisivas, Boris Casoy parece ter, e em muito, a consciência reduzida a ele.

Se desejar, clique neste link http://www.youtube.com/watch?v=U6SFqhYVmaE&feature=related e tire as suas próprias conclusões! Neste endereço http://www.youtube.com/watch?v=x3O-qjHXki8 relembre a dignidade de Salete Lemos, como oposição às trevas.