segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vem aí Zorro, O Musical

Entre os musicais previstos para entrar em cartaz neste segundo semestre está o lendário Zorro. Gerações dos anos de 1970 deliciaram-se com os episódios da série na televisão, estrelada por Guy Williams.

O espetáculo é baseado no livro Zorro - Começa a Lenda, da famosa escritora chilena Isabel Allende (A Casa dos Espíritos, De Amor e de Sombra, Paula e Cidade das Feras) e conta a história do notório personagem mascarado, que ganhou ainda mais popularidade com a interpretação de Antonio Banderas no cinema.

Dirigido pelo admirado Roberto Lage, a versão brasileira será executada por uma orquestra de 10 músicos com direção musical de Willy Verdaguer.

Conforme Lage, “a música é um dos pontos altos do espetáculo, todas compostas pelo famoso grupo francês Gipsy Kings". Segundo ele, as mais conhecidas no Brasil como 'Djobi, Djoba', 'Bamboleo' e 'Baila Baila', entre outras canções, prometem levantar o astral da plateia.

Murilo Rosa foi o escolhido para encarnar o mascarado, ao lado de 27 atores, entre eles: Camilla Camargo (Luiza), irmã da cantora Wanessa Camargo, Claudio Curi (o Velho Cigano, que narra o espetáculo), Naima (Inês), Gerson Steves (Sargento Garcia) e Luiz Araújo, o irmão do Zorro.

A história aborda desde a ida de Diego de La Veja para a Califórnia até assumir, secretamente, o seu alter-ego Zorro.

Suas paixões, batalhas e espírito idealista estarão estampados nesse musical que mistura humor, esgrima, sapateado, luta e dança flamenca. Tudo associado ao comportamento do brasileiro, de acordo com Lage.

Zorro, The Musical ficou em cartaz durante nove meses em Londres e ganhou cinco indicações ao prêmio britânico Oliver, equivalente ao americano Tony Awards, com a premiação da artista que interpretou a cigana Inês.

Em outubro do ano passado a temporada foi iniciada em Paris, no Teatro Follies Bergere e deve permanecer em cartaz até agosto de 2010.

Um pouco do espetáculo apurado pelo Rê-Tê-Tê, durante a coletiva:
Don Diego de La Vega é um jovem rapaz rico que sai da Califórnia e vai estudar em Barcelona deixando para trás Luiza, o seu amor de infância.

Mais tarde em Barcelona, Diego se afasta da escola para se juntar ao grupo de músicos ciganos, tornando-se a estrela principal. Luiza encontra Diego e pede para ele voltar a Califórnia, pois Ramon, seu irmão, assumiu o poder após a morte de Don Alejandro, seu pai, e se tornou um capitão para lá de tirano.

Inês, uma cigana apaixonada por Diego e de forte personalidade, convence todos os ciganos do grupo a irem para Califórnia ajudar o amado.

Após testemunhar a crueldade de Ramon, Diego decide criar um herói para combatê-lo, daí nasce Zorro.

Durante o espetáculo, Ramon quer acabar com Zorro, o herói que luta pela paz de seu povoado. Já Inês sonha em ser correspondida por seu amor e Luiza quer saber quem é o charmoso e encantador homem, escondido por trás daquela máscara.

Serviço:
Zorro – O Musical
Previsão de estreia: julho de 2010
Curta temporada: julho a setembro de 2010
Teatro das Artes
Avenida Rebouças, 3970/ 3° andar – Shopping Eldorado
Bilheteria: (11) 3034-0075

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Virada Cultural começa amanhã!

Para quem vive na cidade São Paulo, a Virada Cultural é um evento de importância. Primeiro porque democratiza as artes; segundo, porque reúne vários tipos de gêneros culturais. Muito difícil não satisfazer todos os gostos. Terceiro, na maioria, a programação é gratuita.

Outros motivos: apresentações de qualidade, valorização dos artistas e da cultura brasileira, projeção da cidade e o grande prazer de andar pelas ruas, durante a madrugada, conversando e brincando com amigos, livre da grande preocupação, que assola a paz dos paulistanos, de ser vítima de algum tipo de violência frequente na cidade. A visita noturna ao parque da Luz é um exemplo.

Sem falar nas delícias de entrar na Pinacoteca, no Centro Cultural de São Paulo, nos Sescs depois da meia-noite. É uma sensação de liberdade e bem-estar, que deveria ser comum na capital não somente nessas famosas 24 horas, mas Sempre. Seus cidadãos merecem! Proporcionar eventos nos CEUs para moradores mais afastados do Centro também é uma boa atitude.

Essas vantagens começam às 18 horas de amanhã (15) e vão até as 18 horas de domingo (16). A sexta edição do evento reúne shows, peças de teatro, espetáculos circenses, de dança, folclóricos, concertos musicais, cinema etc.etc.etc.

A expectativa da Secretaria da Cultura é a de que quatro milhões de pessoas participem da programação. Serão cerca de mil atrações, apoiadas por um investimento de R$ 8 milhões. Cinco milhões a mais do que no ano passado e um salto exorbitante em relação aos R$ 600 mil da primeira edição, de 2005.

O show de abertura, no sábado, às 18 horas, ficará por conta dos cubanos Barbarito Torres e Ignácio Mazacotte, do Buena Vista Social Club, no Palco da Praça Julio Prestes. Entre os shows internacionais destacam-se as bandas de Janis Joplin e Frank Zappa, Booker T. e Living Colour.

Toquinho, Zélia Duncan, Elza Soares, Titãs, Living Colour e ABBA - The Show (sim, é o mesmo espetáculo que se apresenta em Curitiba, no dia 23 de maio, com preços entre R$ 120 e R$ 400) também fazem parte da agenda.

Também haverá apresentações da Orquestra Imperial, Arnaldo Antunes e Móveis Coloniais de Acaju, os quais poderão ser vistos no Sesc, porém serão pagos.

Para quem prefere música clássica, o Palco da Praça da Luz terá apresentações da Orquestra Sinfônica de São Paulo (OESP) e da São Paulo Companhia de Dança, com o espetáculo Tchaicovsky Pas de Deux. Será a primeira vez que estarão juntas ao ar livre.

Na Vieira de Carvalho, point gay da Paulicéia, você verá os tradicionais e divertidos Arrigo Barnabé, André Abujamra, Frank Elvis & Los Sinatras - Baile da Vassoura, Luis Caldas, Jerry Adriani e Wanderléa.

Como tem acontecido nos últimos anos, a Virada terá mostra e sessões de cinema. Todos os filmes têm legendas em português. As salas escuras liberadas compõem o Cine Olido, onde indico o Hanami – Cerejeiras em Flor (direção de Doris Dörrie); o Cine Dom José, que abrigará exibições de filmes do monstro Godzilla, além do Cine Arouche, Cinesesc e o Cine Windsor para quem gosta de clássicos da licantropia (lobisomem, besta).

No Palco da dança (Vale do Anhangabaú), diversas companhias se apresentarão. Entre elas, São Paulo Companhia de Dança, Cena 11, Cisne Negro e Balé da Cidade. O destaque é a parceria entre a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a São Paulo Companhia de Dança.

Em palco montado entre a Pinacoteca e a Estação Luz do Metrô, a Osesp, regida pelo maestro John Nelson, homenageia o bicentenário de nascimento de Schumman com a execução da abertura da obra Manfred e a Sinfonia nº2. Na sequência, como já mencionado, a orquestra acompanhará um casal de bailarinos, que apresentará Tchaikovsky Pas-de-deux, de George Balanchine.

As crianças, até que enfim, também serão contempladas. Além da apresentação do maravilhoso Palavra Cantada (Sandra Peres e Paulo Tatit), que acontecerá em palco fixo, elas poderão andar pelo Centro e se divertir com o palhaço Xuxu (Luiz Carlos Vasconcellos), com a Família Burg (o circo tradicional em leitura contemporânea) e a companhia Pia Fraus, entre outros, os quais se deslocarão nas imediações do Vale do Anhangabaú.

Além disso, para todas as idades o jogo de futebol apresentado pelos Acrobáticos Fratelli e as esquetes dos vários artistas de rua. Unidades do Sesc também têm espetáculos dessa natureza.

No Palco Barão de Limeira você dançará ao som de músicos jamaicanos como Pablo Moses e Clinton Fearon, além da primeira formação da banda Cidade Negra, que traz Ras Bernardo nos vocais, interpretando canções do disco Lute para Viver (1991), além da Tribo de Jah.

De acordo com a organização, serão disponibilizados cerca de mil banheiros químicos, 57 ambulâncias, 20 UTIs móveis, 700 seguranças particulares. O metrô e os trens da CPTM funcionarão durante as 24 horas do evento.

Espero que essas simples ações, as quais envolvem limpeza, higiene e segurança sejam, rigorosamente, cumpridas pela Prefeitura Kassab, que tem deixado esses itens a desejar nos últimos três anos da Virada.
É fundamental também que haja fiscalização acirrada sobre o grave fato do consumo de bebida alcoólica entre os adolescentes, que invariavelmente são vistos bêbados pelas ruas, em situações vexatórias. Além de ser crime o consumo de bebida alcoólica para eles, a venda indiscrimida por camelôs não é legalizada e todos os anos esses acontecimentos se repetem. São apenas medidas simples e assertivas, que podem garantir um evento de fato prazeroso e democrático. O Governo precisa ter mais consciência sobre essa sua responsabilidade.

A parte desses problemas, você pode, ainda, se divertir. Então, elabore o seu roteiro, convide seus amigos e abra espaço para se envolver e se emocionar com espetáculos de qualidade. Clique no site oficial e escolha: http://viradacultural.org/programacao. O Blog É Todo um Rê-Tê-Tê deseja-lhe um lindo final de semana!

sábado, 8 de maio de 2010

Reestreia de “In On It” foi animada e muito aplaudida!

A peça In On It, sem dúvida é um marco atual do teatro brasileiro. Sucesso de público e crítica, no Rio de Janeiro (2009) e em São Paulo (2010), reestreou ontem, 07 de maio, no Teatro Eva Herz.

A montagem, que rendeu o Prêmio Shell Rio de Melhor Ator a Fernando Eiras e Melhor Diretor a Enrique Diaz, soma todas as novidades da sexta arte contemporânea e deixa o espectador entusiasmado, perplexo. Texto e ótima direção, certos momentos, quebram a quarta parede, interagem com a plateia, fingem não estar no palco, criam situações inusitadas.

Vale a pena! Eu diria até: - Não perca a oportunidade de fazer parte desse momento, o qual comprova que o melhor teatro é feito de texto + ator + relações humanas em profundidade. Atuações complexas dentro um universo poeticamente muito abaixo da superfície dão o tom de In On It. (Tradução livre Por dentro).

A narrativa segue uma arquitetura orgânica (não linear) e exige muito dos atores Fernando Eiras e Emílio de Mello, que não deixam a desejar em nada! Os personagens são "Este Aqui" e "Aquele Ali", que entram e saem do jogo cênico com fluência lógica e harmônica. Perfeito!

Os atores revezam-se com maestria ao interpretarem 10 personagens diferentes, enquanto discutem sobre o processo de criação de uma peça de teatro.

É uma metalinguagem. Uma peça falando da elaboração de uma outra peça, enquanto uma terceira peça se anuncia. Nessa moderna mimese teatral, três camadas são apresentadas e fundidas durante o espetáculo: a peça (escrita por um dos personagens em cena), a atuação cênica e a intersecção entre o passado e o presente.

O presente consiste principalmente na discussão entre “Este Aqui” e “Aquele Ali”, que hora um ou outro é Raymound (Ray), Loy, Brenda, Terry e outros. Tudo isso em um único figurino constituído por camisa, calça, sapato, tênis, gravata e um casaco. Incrível!

Há um acidente envolvendo um carro Mercedes azul. O auto é jogado para uma outra pista, sem motivo aparente. “Este Aqui” e “Aquele Ali” representam cenas do espetáculo que "Este Aqui" escreveu sobre Ray, o qual supostamente dirigia a Mercedes.

Em um dado momento, Ray descobre que sofre de uma doença grave, a partir de exames médicos. Um gancho que permite aprofundar a misteriosa condição humana de vida x morte. Tratam-se de seres angustiados, inseguros, confusos, vitimados, corajosos, egoístas, amorosos, alegres, gentis, engraçados, enfim duais, humanos.

Os personagens discutem sobre situações que envolvem, ainda, a mulher de Ray, Brenda, seu filho Max e seu velho pai. No decorrer da história, os dois vivenciam implicações de suas vidas pessoais, nas quais a homossexualidade - não panfletada, nem atacada - existe como um dos componentes reais da complexidade apresentada.

Em muitos momentos, a sensação é de estar assistindo a um filme. A iluminação, o jogo cênico e o próprio cenário simples (duas cadeiras e um tapete), a direção e os generosos atores sugerem uma montagem cinematográfica. A rapidez ao vestir um personagem e outro, alinhada fielmente ao texto, faz um convite especial a sua concentração e ao olhar atento. Não abstraia!

O texto, até então inédito no Brasil, é do dramaturgo canadense Daniel MacIvor. Ele foi descoberto pelo diretor Enrique Diaz, durante uma viagem a Nova Iorque. Uma atmosfera de mistério permeia In On It, que oferece muitas surpresas à plateia. O público ora se manifesta gargalhando, ora silenciosamente é atraído pelo rumo da história. O final da reestreia foi marcado por admiração e muito, mas muito aplauso!

*Se você desejar ampliar a discussão, deixe uma mensagem em Comentários (abaixo) com o seu e-mail. Terei o enorme prazer em conversar sobre o tema! Grata pela leitura!

IN ON IT
Teatro Eva Herz, 60 minutos, 166 lugares, a partir de 16 anos.
Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Avenida Paulista, 2073 – Cerqueira César
Sexta e Sábado, às 21h. Domingo, às 18h
Sexta – R$ 40; Sábado e Domingo – R$ 50
Bilheteria: de segunda a sábado, das 14h às 21h. Domingo e feriado, das 12h às 19h30. Informações: 3170-4059 – Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque.
Vendas pelo 4003-2330 e http://www.ingresso.com.br/
Até 27 de junho

Ficha Técnica

Texto: Daniel MacIvor
Tradução: Daniele Ávila
Direção: Enrique Diaz
Elenco: Fernando Eiras e Emílio de Mello
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Domingos de Alcântara
Figurino: Luciana Cardoso
Trilha Sonora: Lucas Marcier
Direção de Cena: Marcos Lesqueves
Produção Executiva SP: Roberta Koyama
Direção de Produção RJ: Rossine A. Freitas
Direção de Produção SP: Henrique Mariano
Produção: Enrique Diaz
http://inonit.wordpress.com/

terça-feira, 4 de maio de 2010

Corra, “Antes que o mundo acabe”!

Daniel (loiro), 15 anos, sua namorada Mim (apelido para Jasmim), e o seu melhor amigo Lucas. Os três estudam no colégio de formação católica Dom Bosco, uma escola particular para famílias de classe média da pequena cidade agrícola Pedra Grande, interior do Rio Grande do Sul.

Esses são os principais ingredientes do filme Antes que o Mundo Acabe. A película de estreia da premiada curtametragista gaúcha Ana Luiza Azevedo é simples, despretensiosa e retrata de forma respeitosa os conflitos da adolescência.

São três adolescentes apaixonantes! Mas o maior envolvimento do público é com o protagonista Daniel. Difícil não sentir suas dores, alegrias, confusões e dúvidas. Para os adultos, assistir ao filme é um delicioso convite a mergulhar no passado e relembrar de fatos da adolescência. Depois, emergir cheios de compaixão pela própria fase nebulosa e pelos adolescentes nela inseridos.

Já os adolescentes podem compartilhar os acontecimentos do filme de forma realista, assim como experimentar certa cumplicidade, por estarem mais próximos desse frescor da idade e do nível de consciência próprio desse período da vida.

Antes que o Mundo Acabe estreia dia 14 de maio. Anote aí! Vale a pena pela linguagem, pelo sotaque encantador desses simpáticos personagens gaúchos, pela história maravilhosamente escrita a oito mãos (duas delas do consagrado Jorge Furtado, de produções inesquecíveis como Ilha das Flores e O Homem que Copiava). Sem contar as divertidas peripécias de Maria Clara (irmã de Daniel), uma menina de cerca de 10 anos, responsável pela narrativa em primeira pessoa.

Apesar de o título sugerir um mundo, a história trata de vários mundos: o planeta e sua destruição, o mundo dos beats e dos bits acelerados dos adolescentes, o mundo existencial dos adultos, o mundo imagético de Maria Clara, o mundo dos habitantes de Pedra Grande e o mundo que está sendo resgatado pelo pai biológico de Daniel, um fotógrafo internacional, preocupado em registrar povos e culturas com risco de extinção.

Maria Clara é dona de uma narrativa inteligente que dá sustentação ao filme, fazendo paralelos na progressão da história. Embora, seus conhecimentos são, de certa forma, duvidosos para uma garotinha, a película sugere estarmos diante de uma menina de potência intelectual incomum. Por exemplo, para citar a confusão da humanidade e do planeta, ela usa o termo entropia. Uma grandeza física dentro da termodinâmica, que, bem superficialmente, pode significar desordem, conflito, desarranjo...

A trama é bem contata, os personagens convencem e a produção e fotografia, apesar de simples, cumprem seus papéis. Mas o que tem de melhor é o roteiro e a ação, que levam o espectador a se encantar com todos esses universos diferentes, porém entrelaçados, interdependentes e possivelmente ressonantes dentro de cada espectador. Construção não rebuscada que o coração é capaz de entender muito bem!

A maioria dos personagens vive em um mundo de 15 mil habitantes e 8 mil bicicletas, rodeados de problemas triviais como incertezas, trairagem, insegurança e julgamentos. Com a pouca maturidade e problemas de gente média e grande, o sensível Daniel dá uma lição de amizade, amor e lealdade.

Amizade: Apesar de sentir raiva pela traição do amigo Lucas, que disputa a sua namorada Mim, debaixo de seu nariz, ele tenta manter os laços com os dois. Nessa atitude, que mistura honestidade, amor e culpa, é possível um adulto sentir inveja de sua maturidade. Mas como não há nada pior para uma amizade do que a deslealdade desmedida e a decepção dilacerante, Mim e Lucas mancham profundamente suas imagens diante de Daniel.

Lealdade: Em um primeiro momento Daniel sente raiva do amigo e o coloca, sem querer, em maus lençóis dentro do colégio onde estudam, por conta do desaparecimento de um laptop do laboratório de ciências. Culpado, ele tenta se redimir, no entanto, Lucas parece não ser tão inocente. Mim diz ter sentimentos confusos pelos dois guris, mas demonstra que a dissimulação é em algum nível de sua consciência uma amiga presente.

Mas o verdadeiro e real amor, Daniel encontra em sua casa. O padrasto Antônio é compreensivo e carinhoso. A mãe, apesar de ressentida com o abandono do pai de Daniel, evolui sua compaixão pelo filho e Maria Clara, em um nível infantil, manifesta afeto e admiração pelo irmão.

Ao longo do filme, Daniel se interessa em conhecer mundos fascinantes, apresentados por seu pai biológico, também chamado Daniel, que no momento está na Tailândia (construída de forma fictícia). Incentivado pelo pai, por meio de correspondências, o menino passa também a gostar de fotografar.

Baseado no romance infanto-juvenil homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha, Antes que o Mundo Acabe é uma produção singela, sem a pretensão de apresentar um discurso profundo sobre a adolescência e capaz de dialogar com plateias jovens e adultas.

As filmagens começaram em outubro de 2007 e foram realizadas nas cidades de Taquara, Rolante, Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre. No II Festival Paulínia de Cinema (2009), recebeu os prêmios de Melhor Direção de Ficção, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Filme de Ficção (Prêmio da Crítica).

Cena favorita: Daniel, Mim e Lucas chegam à cidade de Porto Alegre e se divertem com a rotina da vida urbana, que para eles é um estado de êxtase admirável.

Uma falha que não posso deixar de comentar é a incongruência entre a oralidade e a ação, relacionadas à ida ao museu. Daniel, Mim e Lucas estão em Porto Alegre. Antes, Daniel combina: "Enquanto Lucas faz a prova para admissão no colégio técnico de informática, eu e a Mim vamos à exposição". ('Antes que o mundo acabe', projeto do qual faz parte o pai de Daniel).

Porém, as cenas gravadas mostram primeiro os três na exposição (já sendo desmontada). Depois disso, o diálogo entre eles, constatando que Lucas não pôde realizar o exame, por conta da acusação de furto do laptop. A sequência dos fatos aqui não foi bem resolvida, cinematograficamente falando! Preste atenção se puder!

Ficha Técnica
Gênero: Aventura, 102 min, Brasil (2009), Classificação: 10 anos
Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Ana Luiza Azevedo, Paulo Halm, Giba Assis Brasil e Jorge Furtado
Produção executiva: Luciana Tomasi, Nora Goulart
Co-produção: Casa de Cinema de Porto Alegre
Música: Leo Henkin
Fotografia: Jacob Solitrenick
Direção de Arte: Fiapo Barth
Edição: Giba Assis Brasil

Elenco: Pedro Tergolina (Daniel), Caroline Guedes (Maria Clara), Murilo Grossi (Antônio), Janaína Kremer (Elaine), Bianca Menti (Mim), Eduardo Cardoso (Lucas), Eduardo Moreira (Daniel Pai).

Link para cenas: http://www.youtube.com/watch?v=wIAeG37DYw4

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Dança Final sugere riso e reflexão

Você já percebeu que a maioria das peças de teatro montadas em São Paulo é de autores estrangeiros ou baseada em obras internacionais? Nada contra! Apenas uma observação para iniciar um comentário sobre a peça A Dança Final.

A montagem, em cartaz desde 09 de abril, no Teatro Bibi Ferreira, é uma das últimas peças do santista Plínio Marcos (1935-1999). Ela foi escrita em 1993 e publicada em 1994. Pouco tempo antes de sua morte era comum vê-lo em frente aos teatros da cidade vendendo seus livros. Que saudade! (Eu era adolescente...rsrs).

A Dança Final retrata com muito humor o drama “do classe média” Menezes (Norival Rizzo) ao se esforçar para manter as aparências, tanto em relação à sua virilidade quanto ao seu casamento com Lisa (Denise Weinberg). Para o casal, o importante é mostrar uma vida perfeita diante do seu círculo social.

Inicialmente você vai se divertir, mas depois talvez reflita sobre os fatos que levam um casal a manter uma união durante 25 anos em meio a enganos e farsas. Apesar de engraçada e irônica, a narrativa apropria-se de assuntos como frustração, sexo, envelhecimento, ilusão e desejo, encenando situações patéticas, muitas, típicas das relações humanas.

A história gira em torno da impotência sexual de Menezes (a “pílula milagrosa” surgiu em 1998), um cinquentão boa pinta, que se transforma em um menino triste e angustiado ao sentir que o seu “piu piu pifou”. O acontecimento é a grande piada da trama.

Dramático, ele perde a razão de viver! Seu mundo desmorona! Essa constatação facilmente caminha para uma reflexão sobre inúmeras impotências humanas (políticas, amorosas, sociais, financeiras e por aí vai...).

Já Lisa, também infeliz, camufla o seu descontentamento sexual e romântico sob a armadura de um casamento perfeito aos olhos de quem permeia a vida dos dois. Ela não enxerga o problema de Menezes. O mais importante é a grande festa em comemoração a bodas de prata do casal. Com esse paradoxo o ar de comédia ganha ainda mais força!

Vale a pena ocupar a plateia alguns minutos antes para se divertir com a trilha sonora dos velhos tempos. Roberto Carlos e Kleiton e Kledir fazem parte dela. A iluminação é uma dança de luzes. A troca de roupa dos personagens não é nova, mas é criativa e gera curiosidade. Gostei dos cabides!

Ambos são excelentes atores! Você viu Salve Geral? Denise Weinberg é a apaixonante Ruiva, personagem maravilhosamente construída pela atriz nesse filme. Norival Rizzo, assim como Denise, é um ator premiado pelo Prêmio Shell 2006 (“Oração para um pé-de-chinelo”, de Plínio Marcos). Além de talentoso, ele é um amor de pessoa e está em cartaz também na produção O Homem das Cavernas, no mesmo teatro.

Animou-se com a história? Então, preste atenção: Os cinco primeiros que acessarem o botão Comentários deste Blog (logo abaixo) e enviar o nome completo, dizendo que vai assistir A Dança Final neste fim de semana (01 e 02 de maio) receberá um ingresso grátis para o seu acompanhante. Isto é, ao comprar uma entrada (inteira ou meia), você presenteia alguém com um convite. Gostou? Corra para lá! Não esqueça de deixar um e-mail para eu confirmar a sua presença. Boas risadas!

Serviço:
A Dança Final, comédia, 70 minutos, a partir de 14 anos.
Teatro Bibi Ferreira. Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 931, Bela Vista, (11) 3105-3129
Sexta e Sábado, às 21h30. Domingo, às 20h
Preço: Sexta e Domingo, R$ 40. Sábado, R$ 60
Vendas pela internet: http://www.ingressorapido.com/ ou por telefone: 4003-1212

Ficha Técnica:
Autor: Plínio Marcos
Direção: Noemi Marinho
Elenco: Denise Weinberg e Norival Rizzo
Assistência de Direção: Tatiana Marinho
Cenário e Figurinos: Leopoldo Pacheco
Iluminação: Wagner Freire
Trilha Sonora: Aline Meyer
Produção: Denise Weinberg, Norival Rizzo, Selma Morente e Célia Forte
Realização: Morente Forte Comunicações

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Entrevista com Erik Marmo

Eu e o ator Erik Marmo nos encontramos recentemente no restaurante Paris 6, Jardins, em São Paulo, para uma entrevista de capa publicada neste mês de abril na Revista In House. Agora o Rêtêtê traz trechos desse bate-papo!

Ele falou sobre a sua carreira, seu lindo filho Daniel, 7 meses, o casamento com Larissa Burnier e o mais recente trabalho, a interpretação como Horácio na peça “Escola de Mulheres”. O texto é um dos mais consagrados de Molière, em cartaz no Teatro Vivo, até 30 de maio.
Sob a maestria do renomado e experiente diretor teatral Roberto Lage, a montagem é bastante fiel à obra, ao demonstrar um humor sarcástico, inteligente em uma história bem engendrada.

Erik, além de bonito e simpático, deixou-me com uma boa impressão. Durante a entrevista foi educado, atencioso e procurou ser muito coerente.

Como é fazer o Horário na peça Escola de Mulheres?
Está sendo maravilhoso. Eu estava parado há um ano e ter recebido esse convite foi um grande presente.

O Horácio é um arquétipo de príncipe, retratado em contos de fadas, não?
Sim. Bem colocado. Ele se apaixona perdidamente por Inês e quer libertá-la da prisão de Arnolfo. Mas a peça não fala só disso. Ela trata das dificuldades humanas através de uma comédia muito inteligente.

Você gosta de interpretar os mocinhos?
Eu gosto de desafios. Gosto de aprender, de trocar experiências com atores, de trabalhar, de conhecer novos colegas. Eu amo a minha profissão e aceito interpretar o que mais me agradar, se eu puder escolher. Mas não fico preocupado se sou chamado para ser o mocinho ou o bandido. Tudo depende de qualidade.

E essa nova experiência de ser pai?
Ter um filho muda muito a vida da gente. Sentir que eu sou responsável por uma criança, em todos os sentidos, me faz pensar na vida de modo diferente.
Eu me preocupo desde a proteção, segurança e saúde dele até a minha situação financeira, pois agora suas necessidades estão em primeiro lugar...

Você também cuida muito da sua saúde e adora praticar esportes praianos, como está sendo a sua adaptação em São Paulo, já que mora em Niterói?
Desde criança e até hoje pego onda, nado, jogo vôlei de praia, frescobol e também futebol society. Aqui eu andei pela cidade e achei uma academia, onde já estou praticando natação e pilates.

E essa mudança está sendo boa?
Eu sempre procuro me adaptar às novas situações. Contratamos uma babá para o Daniel e trouxemos nossos principais itens. Estamos bem instalados. Além do mais, eu gosto muito de trabalhar aqui. Os paulistanos vão bastante ao teatro e, isso, é sempre muito gratificante.

Você é vaidoso?
É só você olhar para o meu cabelo e ver que eu não sou nada vaidoso. (aponta para madeixa desgrenhada e rimos juntos). Eu prefiro cuidar mais da minha saúde, que é o meu maior bem.

Qual o grande propósito de viver?
Acho que estamos aqui para aprender e evoluir e não para um simples nascer e morrer. Tento estar sempre atento a esta questão.

O seu casamento com a modelo Larissa Burnier faz parte disso?
Claro que sim. Estamos aqui para crescer um com o outro. Larissa e Daniel estão colaborando muito para a minha evolução. Os relacionamentos de amizade e entre familiares também nos ensinam isso.

O que mais lhe intriga na humanidade?
Ele fixa o olhar, aparentemente lançado ao nada, e retorna com uma lembrança: - Ontem vi uma reportagem na televisão. O assunto era que o filho havia matado o pai. Nossa! Eu fico muito incomodado com esse tipo de notícia. Eu não acredito que fomos criados para matar uns aos outros. E como um filho pode assassinar o seu próprio pai? Tem algo de muito errado nisso. Não consigo entender uma coisa dessas. A maldade me deixa muito intrigado mesmo.

O que é Deus para você?
A natureza.

Serviço:
Escola de Mulheres (Comédia)
Teatro Vivo (290 lugares) - www.teatrovivo.com.br
Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 – Morumbi
De sexta-feira, às 21h30; sábado, às 21h, e domingo, às 19h
Duração: 90 minutos/ Classificação etária: 12 anos
Ingressos: sexta e domingo: R$ 40. Sábado R$ 50
Elenco: Erik Marmo, Oscar Magrini, Thais Pacholek, Gerardo Franco, Cris Bonna e Flávio Faustinoni
Link para matéria (íntegra) na Revista In House: http://inhouserevista.com.br/

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Brideshead – uma “pintura” de encher os olhos


Se você ainda não decidiu qual filme ver neste findi. A dica do Rêtêtê é Brideshead – Desejo e Poder (Brideshead Revisited), do diretor inglês Julian Jarrold. A produção estreou na sexta (9) em São Paulo. No Rio de Janeiro será dia 16.

O filme é pura qualidade. Milimetricamente pensado em todos os recursos e elementos visuais. Jarrold, já conhecido por seu perfeccionismo cinematográfico, mostra com exatidão seus enquadramentos acertadamente estudados e luzes cuidadosamente planejadas. Impossível falar mal da fotografia!

Tanto nas tomadas internas quanto externas, o charme e a precisão -tradicionalmente ingleses – aparecem não somente na história contada de forma enxuta e paradoxalmente rica em detalhes. Cenas que esbanjam simetria (planos abertos e fechados), glamour e elegância. Isso sem falar do figurino luxuoso e das locações majestosas.

A película, baseada no livro de Evelyn Waugh, que já foi filmado como minissérie em 1980, conta a história de um universitário de Oxford (o classe média Charles Ryder), que se aproxima do excêntrico aristocrata (Sebastian Flyte).

A partir dessa amizade, iniciam-se jogos nada desconhecidos das relações humanas, envolvendo sentimentos de amor, mágoa, ciúme, inveja e amizade.

Conflitos religiosos e familiares engrossam esse belo longa-metragem, ambientado na Inglaterra dos anos de 1920, tendo como o seu principal cenário a mansão de Brideshead.

Na contramão de tanta pomposidade, a película, ironicamente, deslancha de verdade depois da cena escatológica, em que Sebastian, encarnado pelo expressivo ator Ben Wishaw, vomita no quarto do protagonista Charles (Matthew Goode, de O Direito de Amar), recém chegado de Londres.

Goode está perfeito! Com falas concisas, o personagem não precisa mesmo de tanto desenvolvimento narrativo. Ele é sustentado brilhantemente pelas ações e gestos, principalmente faciais, do ator. E, claro, a oralidade é profunda, inteligente, sagaz...

Charles pode parecer frio e calculista, mas basta mergulhar no seu complexo universo para perceber o sofrimento oculto e avassalador, que o deixa, por muitas vezes, inerte. Um ser humano inserido repentinamente em mundo incoerente a sua realidade e, ao mesmo tempo, vitimado por um amor obscuro e idealizado.

Sebastian vive em desequilíbrio. Personagem, ricamente construído, imerso a uma forte confusão mental, gerada por ser gay dentro de uma família nobre e soberba, dominado pela mãe controladora e católica fervorosa, além de ser viciado em álcool e tabaco. Para completar sua desordem psicológica, ele se apaixona por Charles.

Aí é que entra Júlia (Haley Atwell), irmã de Sebastian, uma moça misteriosa e sedutora. O resto eu não vou dizer, mas posso adiantar: ela é a que mais provoca pontos de virada (plot points), pois possui grande força dramática dentro da narrativa. A personagem lhe prenderá a telona!

Você está esperando pela atriz Emma Thompson? Simplesmente maravilhosa e... inglesa! Ela é a matriarca Lady Marchmains, que reina altiva, com base nos dogmas da igreja, refém da rigidez que carrega irracionalmente.

Marido de Emma na trama e na vida real, Michael Gambon é o Sir Marchmains. Para fugir da mulher e de suas próprias convicções católicas, em um país tradicionalmente protestante, ele muda-se para Veneza (pode?) e casa-se novamente, porém o conflito vai além do que consegue suportar.

Se para alguns, o filme é frio e sem alma. Para mim, ele é profundo e intrigante, dono de um calor contido, que explode no interior de cada personagem, nada previsível.

Cena preferida: A perseguição de Júlia por Charles, literalmente descrita pelos “olhares acelerados” da objetiva. Momento que faz você refletir sobre as delícias do cinema. Bom filme!


Ficha Técnica:
Brideshead – Desejo e Poder (Brideshead Revisited)
Reino Unido, 2008, Drama, Romance, 103 min.
Diretor: Julian Jarrold
Elenco: Emma Thompson, Matthew Goode, Michael Gambon, Haley Atwell, Ben Wishaw