quarta-feira, 26 de maio de 2010

Segunda Festa do Teatro começa amanhã!

Você sabia que amanhã, dia 27, a partir das 11 horas, começa a distribuição gratuita de ingressos para diversos espetáculos em cartaz na cidade de São Paulo?

A segunda edição da Festa do Teatro distribuirá 30 mil ingressos para o público adulto e 10 mil para a criançada até sábado (29). Serão sete pontos, onde cada pessoa terá direito a um par de convites. Basta ter disposição para enfrentar as filas, pois a julgar pelo ano passado, elas serão longas.

A abertura do evento será no dia 27, ao meio-dia, na fachada do edifício das Casas Bahia, Praça Ramos de Azevedo, Centro. Lá, um grupo do Circo Funâmbulos fará apresentações, tendo o rapel como base para suas performances. Porém, os pontos localizados nos bairros da Lapa, Vila Formosa, Santo Amaro e Vila Nova Cachoeirinha começarão a distribuir os tíquetes às 11, finalizando às 14 horas.

Já os quiosques do Teatro Municipal, SP Escola de Teatro e Centro Cultural de São Paulo atenderão das 16 às 19 horas. A iniciativa inclui 183 peças em cartaz e você poderá usufruir o par de convite entre 28 de maio e 6 de junho.

Clique no link oficial do evento e veja quais espetáculos estarão disponíveis no local de sua escolha. http://www.festadoteatro.com.br/

sexta-feira, 21 de maio de 2010

QUINTA Q PARIU! volta às quintas, em junho

Se você é daquelas pessoas que adora ter um motivo para dar risada e, ainda, gosta de comédias no formato de esquetes, o mundo teatral tem uma boa notícia: dia 3 de junho estreia Quinta Q Pariu!, no Teatro Shopping Frei Caneca.

As apresentações serão todas às quintas-feiras, às 21h30. Os textos e personagens foram criados por cada um dos seis atores da montagem e a direção de cena ficou a cargo do também ator da produção Carlos Fariello.

Esta versão (o espetáculo já esteve no Teatro Folha) traz Marcelo Mansfield como convidado especial. Ele interpretará dois personagens. Um deles é Falso Modesto, um artista que se sente o máximo do máximo, e o outro é Franklin Silveira, um apresentador de uma coluna social.

Entre os pontos mais altos da encenação, segundo o produtor Marcel Sampaulo, estão: um turista que odeia viajar, um padre politicamente incorreto, os dilemas de um metrossexual muito confuso diante da tentativa de dar um simples banho em sua filha, a incompatibilidade de dois irmãos gêmeos e Nina, uma garotinha absolutamente nonsense, obrigada a ficar de castigo no quarto com seus irmãos para lá de encapetados.

Nesse cenário ainda surgem figuras ímpares como um personagem narcisista e o seu boneco inflável, cuja face é idêntica a dele, o casal Allien e o Predador medindo forças durante uma DR (discussão de relacionamento) e Zóio, um ex-presidiário inocente.

Para dar ritmo, de forma a costurar as cenas do espetáculo, surge o gerente de RH. Ele entra e sai do jogo cênico com frases que denunciam suas variações de humor.

Segundo seus criadores, no espetáculo não cabem rótulos ou segmentações. Para eles, o Quinta Q Pariu! foi concebido para agradar todos os gostos, porém busca a sua própria identidade.

A Cia. de Humor Quinta Q Pariu! teve início em 2006, quando seis atores tiveram a ideia de apresentarem suas performances, despretensiosamente, no palco de um bar localizado no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.

Essa experiência deu a cada um deles a chance de desenvolver seus personagens, seus textos e testá-los junto ao público. Nesse período, o material foi trabalhado, adaptado e modificado. Daí foi um pulo para o espetáculo ocupar o palco do Teatro Folha, depois de ter participado do projeto Nunca Se Sábado.

Serviço:
Quinta Q Pariu! (75 minutos), classificação: 12 anos, comédia.
Teatro Shopping Frei Caneca (600 lugares)
Rua Frei Caneca, 569 - 6º andar – Cerqueira Cesar.
Informações: (11) 3472.2226/ 2229/ 2230
Bilheteria: Terça a domingo, das 13h às 19h ou até o início do espetáculo.
Vendas: http://www.ingressorapido.com.br/ e 4003.1212
Quintas, às 21h30 - R$ 50

Ficha Técnica:
Elenco: Antonio Ribeiro, Marlei Cevada, Maurício Sampaulo, Melissa Comunalle, Théo Ribeiro e Carlos Fariello
Foto: Káki

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vem aí Zorro, O Musical

Entre os musicais previstos para entrar em cartaz neste segundo semestre está o lendário Zorro. Gerações dos anos de 1970 deliciaram-se com os episódios da série na televisão, estrelada por Guy Williams.

O espetáculo é baseado no livro Zorro - Começa a Lenda, da famosa escritora chilena Isabel Allende (A Casa dos Espíritos, De Amor e de Sombra, Paula e Cidade das Feras) e conta a história do notório personagem mascarado, que ganhou ainda mais popularidade com a interpretação de Antonio Banderas no cinema.

Dirigido pelo admirado Roberto Lage, a versão brasileira será executada por uma orquestra de 10 músicos com direção musical de Willy Verdaguer.

Conforme Lage, “a música é um dos pontos altos do espetáculo, todas compostas pelo famoso grupo francês Gipsy Kings". Segundo ele, as mais conhecidas no Brasil como 'Djobi, Djoba', 'Bamboleo' e 'Baila Baila', entre outras canções, prometem levantar o astral da plateia.

Murilo Rosa foi o escolhido para encarnar o mascarado, ao lado de 27 atores, entre eles: Camilla Camargo (Luiza), irmã da cantora Wanessa Camargo, Claudio Curi (o Velho Cigano, que narra o espetáculo), Naima (Inês), Gerson Steves (Sargento Garcia) e Luiz Araújo, o irmão do Zorro.

A história aborda desde a ida de Diego de La Veja para a Califórnia até assumir, secretamente, o seu alter-ego Zorro.

Suas paixões, batalhas e espírito idealista estarão estampados nesse musical que mistura humor, esgrima, sapateado, luta e dança flamenca. Tudo associado ao comportamento do brasileiro, de acordo com Lage.

Zorro, The Musical ficou em cartaz durante nove meses em Londres e ganhou cinco indicações ao prêmio britânico Oliver, equivalente ao americano Tony Awards, com a premiação da artista que interpretou a cigana Inês.

Em outubro do ano passado a temporada foi iniciada em Paris, no Teatro Follies Bergere e deve permanecer em cartaz até agosto de 2010.

Um pouco do espetáculo apurado pelo Rê-Tê-Tê, durante a coletiva:
Don Diego de La Vega é um jovem rapaz rico que sai da Califórnia e vai estudar em Barcelona deixando para trás Luiza, o seu amor de infância.

Mais tarde em Barcelona, Diego se afasta da escola para se juntar ao grupo de músicos ciganos, tornando-se a estrela principal. Luiza encontra Diego e pede para ele voltar a Califórnia, pois Ramon, seu irmão, assumiu o poder após a morte de Don Alejandro, seu pai, e se tornou um capitão para lá de tirano.

Inês, uma cigana apaixonada por Diego e de forte personalidade, convence todos os ciganos do grupo a irem para Califórnia ajudar o amado.

Após testemunhar a crueldade de Ramon, Diego decide criar um herói para combatê-lo, daí nasce Zorro.

Durante o espetáculo, Ramon quer acabar com Zorro, o herói que luta pela paz de seu povoado. Já Inês sonha em ser correspondida por seu amor e Luiza quer saber quem é o charmoso e encantador homem, escondido por trás daquela máscara.

Serviço:
Zorro – O Musical
Previsão de estreia: julho de 2010
Curta temporada: julho a setembro de 2010
Teatro das Artes
Avenida Rebouças, 3970/ 3° andar – Shopping Eldorado
Bilheteria: (11) 3034-0075

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Virada Cultural começa amanhã!

Para quem vive na cidade São Paulo, a Virada Cultural é um evento de importância. Primeiro porque democratiza as artes; segundo, porque reúne vários tipos de gêneros culturais. Muito difícil não satisfazer todos os gostos. Terceiro, na maioria, a programação é gratuita.

Outros motivos: apresentações de qualidade, valorização dos artistas e da cultura brasileira, projeção da cidade e o grande prazer de andar pelas ruas, durante a madrugada, conversando e brincando com amigos, livre da grande preocupação, que assola a paz dos paulistanos, de ser vítima de algum tipo de violência frequente na cidade. A visita noturna ao parque da Luz é um exemplo.

Sem falar nas delícias de entrar na Pinacoteca, no Centro Cultural de São Paulo, nos Sescs depois da meia-noite. É uma sensação de liberdade e bem-estar, que deveria ser comum na capital não somente nessas famosas 24 horas, mas Sempre. Seus cidadãos merecem! Proporcionar eventos nos CEUs para moradores mais afastados do Centro também é uma boa atitude.

Essas vantagens começam às 18 horas de amanhã (15) e vão até as 18 horas de domingo (16). A sexta edição do evento reúne shows, peças de teatro, espetáculos circenses, de dança, folclóricos, concertos musicais, cinema etc.etc.etc.

A expectativa da Secretaria da Cultura é a de que quatro milhões de pessoas participem da programação. Serão cerca de mil atrações, apoiadas por um investimento de R$ 8 milhões. Cinco milhões a mais do que no ano passado e um salto exorbitante em relação aos R$ 600 mil da primeira edição, de 2005.

O show de abertura, no sábado, às 18 horas, ficará por conta dos cubanos Barbarito Torres e Ignácio Mazacotte, do Buena Vista Social Club, no Palco da Praça Julio Prestes. Entre os shows internacionais destacam-se as bandas de Janis Joplin e Frank Zappa, Booker T. e Living Colour.

Toquinho, Zélia Duncan, Elza Soares, Titãs, Living Colour e ABBA - The Show (sim, é o mesmo espetáculo que se apresenta em Curitiba, no dia 23 de maio, com preços entre R$ 120 e R$ 400) também fazem parte da agenda.

Também haverá apresentações da Orquestra Imperial, Arnaldo Antunes e Móveis Coloniais de Acaju, os quais poderão ser vistos no Sesc, porém serão pagos.

Para quem prefere música clássica, o Palco da Praça da Luz terá apresentações da Orquestra Sinfônica de São Paulo (OESP) e da São Paulo Companhia de Dança, com o espetáculo Tchaicovsky Pas de Deux. Será a primeira vez que estarão juntas ao ar livre.

Na Vieira de Carvalho, point gay da Paulicéia, você verá os tradicionais e divertidos Arrigo Barnabé, André Abujamra, Frank Elvis & Los Sinatras - Baile da Vassoura, Luis Caldas, Jerry Adriani e Wanderléa.

Como tem acontecido nos últimos anos, a Virada terá mostra e sessões de cinema. Todos os filmes têm legendas em português. As salas escuras liberadas compõem o Cine Olido, onde indico o Hanami – Cerejeiras em Flor (direção de Doris Dörrie); o Cine Dom José, que abrigará exibições de filmes do monstro Godzilla, além do Cine Arouche, Cinesesc e o Cine Windsor para quem gosta de clássicos da licantropia (lobisomem, besta).

No Palco da dança (Vale do Anhangabaú), diversas companhias se apresentarão. Entre elas, São Paulo Companhia de Dança, Cena 11, Cisne Negro e Balé da Cidade. O destaque é a parceria entre a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a São Paulo Companhia de Dança.

Em palco montado entre a Pinacoteca e a Estação Luz do Metrô, a Osesp, regida pelo maestro John Nelson, homenageia o bicentenário de nascimento de Schumman com a execução da abertura da obra Manfred e a Sinfonia nº2. Na sequência, como já mencionado, a orquestra acompanhará um casal de bailarinos, que apresentará Tchaikovsky Pas-de-deux, de George Balanchine.

As crianças, até que enfim, também serão contempladas. Além da apresentação do maravilhoso Palavra Cantada (Sandra Peres e Paulo Tatit), que acontecerá em palco fixo, elas poderão andar pelo Centro e se divertir com o palhaço Xuxu (Luiz Carlos Vasconcellos), com a Família Burg (o circo tradicional em leitura contemporânea) e a companhia Pia Fraus, entre outros, os quais se deslocarão nas imediações do Vale do Anhangabaú.

Além disso, para todas as idades o jogo de futebol apresentado pelos Acrobáticos Fratelli e as esquetes dos vários artistas de rua. Unidades do Sesc também têm espetáculos dessa natureza.

No Palco Barão de Limeira você dançará ao som de músicos jamaicanos como Pablo Moses e Clinton Fearon, além da primeira formação da banda Cidade Negra, que traz Ras Bernardo nos vocais, interpretando canções do disco Lute para Viver (1991), além da Tribo de Jah.

De acordo com a organização, serão disponibilizados cerca de mil banheiros químicos, 57 ambulâncias, 20 UTIs móveis, 700 seguranças particulares. O metrô e os trens da CPTM funcionarão durante as 24 horas do evento.

Espero que essas simples ações, as quais envolvem limpeza, higiene e segurança sejam, rigorosamente, cumpridas pela Prefeitura Kassab, que tem deixado esses itens a desejar nos últimos três anos da Virada.
É fundamental também que haja fiscalização acirrada sobre o grave fato do consumo de bebida alcoólica entre os adolescentes, que invariavelmente são vistos bêbados pelas ruas, em situações vexatórias. Além de ser crime o consumo de bebida alcoólica para eles, a venda indiscrimida por camelôs não é legalizada e todos os anos esses acontecimentos se repetem. São apenas medidas simples e assertivas, que podem garantir um evento de fato prazeroso e democrático. O Governo precisa ter mais consciência sobre essa sua responsabilidade.

A parte desses problemas, você pode, ainda, se divertir. Então, elabore o seu roteiro, convide seus amigos e abra espaço para se envolver e se emocionar com espetáculos de qualidade. Clique no site oficial e escolha: http://viradacultural.org/programacao. O Blog É Todo um Rê-Tê-Tê deseja-lhe um lindo final de semana!

sábado, 8 de maio de 2010

Reestreia de “In On It” foi animada e muito aplaudida!

A peça In On It, sem dúvida é um marco atual do teatro brasileiro. Sucesso de público e crítica, no Rio de Janeiro (2009) e em São Paulo (2010), reestreou ontem, 07 de maio, no Teatro Eva Herz.

A montagem, que rendeu o Prêmio Shell Rio de Melhor Ator a Fernando Eiras e Melhor Diretor a Enrique Diaz, soma todas as novidades da sexta arte contemporânea e deixa o espectador entusiasmado, perplexo. Texto e ótima direção, certos momentos, quebram a quarta parede, interagem com a plateia, fingem não estar no palco, criam situações inusitadas.

Vale a pena! Eu diria até: - Não perca a oportunidade de fazer parte desse momento, o qual comprova que o melhor teatro é feito de texto + ator + relações humanas em profundidade. Atuações complexas dentro um universo poeticamente muito abaixo da superfície dão o tom de In On It. (Tradução livre Por dentro).

A narrativa segue uma arquitetura orgânica (não linear) e exige muito dos atores Fernando Eiras e Emílio de Mello, que não deixam a desejar em nada! Os personagens são "Este Aqui" e "Aquele Ali", que entram e saem do jogo cênico com fluência lógica e harmônica. Perfeito!

Os atores revezam-se com maestria ao interpretarem 10 personagens diferentes, enquanto discutem sobre o processo de criação de uma peça de teatro.

É uma metalinguagem. Uma peça falando da elaboração de uma outra peça, enquanto uma terceira peça se anuncia. Nessa moderna mimese teatral, três camadas são apresentadas e fundidas durante o espetáculo: a peça (escrita por um dos personagens em cena), a atuação cênica e a intersecção entre o passado e o presente.

O presente consiste principalmente na discussão entre “Este Aqui” e “Aquele Ali”, que hora um ou outro é Raymound (Ray), Loy, Brenda, Terry e outros. Tudo isso em um único figurino constituído por camisa, calça, sapato, tênis, gravata e um casaco. Incrível!

Há um acidente envolvendo um carro Mercedes azul. O auto é jogado para uma outra pista, sem motivo aparente. “Este Aqui” e “Aquele Ali” representam cenas do espetáculo que "Este Aqui" escreveu sobre Ray, o qual supostamente dirigia a Mercedes.

Em um dado momento, Ray descobre que sofre de uma doença grave, a partir de exames médicos. Um gancho que permite aprofundar a misteriosa condição humana de vida x morte. Tratam-se de seres angustiados, inseguros, confusos, vitimados, corajosos, egoístas, amorosos, alegres, gentis, engraçados, enfim duais, humanos.

Os personagens discutem sobre situações que envolvem, ainda, a mulher de Ray, Brenda, seu filho Max e seu velho pai. No decorrer da história, os dois vivenciam implicações de suas vidas pessoais, nas quais a homossexualidade - não panfletada, nem atacada - existe como um dos componentes reais da complexidade apresentada.

Em muitos momentos, a sensação é de estar assistindo a um filme. A iluminação, o jogo cênico e o próprio cenário simples (duas cadeiras e um tapete), a direção e os generosos atores sugerem uma montagem cinematográfica. A rapidez ao vestir um personagem e outro, alinhada fielmente ao texto, faz um convite especial a sua concentração e ao olhar atento. Não abstraia!

O texto, até então inédito no Brasil, é do dramaturgo canadense Daniel MacIvor. Ele foi descoberto pelo diretor Enrique Diaz, durante uma viagem a Nova Iorque. Uma atmosfera de mistério permeia In On It, que oferece muitas surpresas à plateia. O público ora se manifesta gargalhando, ora silenciosamente é atraído pelo rumo da história. O final da reestreia foi marcado por admiração e muito, mas muito aplauso!

*Se você desejar ampliar a discussão, deixe uma mensagem em Comentários (abaixo) com o seu e-mail. Terei o enorme prazer em conversar sobre o tema! Grata pela leitura!

IN ON IT
Teatro Eva Herz, 60 minutos, 166 lugares, a partir de 16 anos.
Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Avenida Paulista, 2073 – Cerqueira César
Sexta e Sábado, às 21h. Domingo, às 18h
Sexta – R$ 40; Sábado e Domingo – R$ 50
Bilheteria: de segunda a sábado, das 14h às 21h. Domingo e feriado, das 12h às 19h30. Informações: 3170-4059 – Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque.
Vendas pelo 4003-2330 e http://www.ingresso.com.br/
Até 27 de junho

Ficha Técnica

Texto: Daniel MacIvor
Tradução: Daniele Ávila
Direção: Enrique Diaz
Elenco: Fernando Eiras e Emílio de Mello
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Domingos de Alcântara
Figurino: Luciana Cardoso
Trilha Sonora: Lucas Marcier
Direção de Cena: Marcos Lesqueves
Produção Executiva SP: Roberta Koyama
Direção de Produção RJ: Rossine A. Freitas
Direção de Produção SP: Henrique Mariano
Produção: Enrique Diaz
http://inonit.wordpress.com/

terça-feira, 4 de maio de 2010

Corra, “Antes que o mundo acabe”!

Daniel (loiro), 15 anos, sua namorada Mim (apelido para Jasmim), e o seu melhor amigo Lucas. Os três estudam no colégio de formação católica Dom Bosco, uma escola particular para famílias de classe média da pequena cidade agrícola Pedra Grande, interior do Rio Grande do Sul.

Esses são os principais ingredientes do filme Antes que o Mundo Acabe. A película de estreia da premiada curtametragista gaúcha Ana Luiza Azevedo é simples, despretensiosa e retrata de forma respeitosa os conflitos da adolescência.

São três adolescentes apaixonantes! Mas o maior envolvimento do público é com o protagonista Daniel. Difícil não sentir suas dores, alegrias, confusões e dúvidas. Para os adultos, assistir ao filme é um delicioso convite a mergulhar no passado e relembrar de fatos da adolescência. Depois, emergir cheios de compaixão pela própria fase nebulosa e pelos adolescentes nela inseridos.

Já os adolescentes podem compartilhar os acontecimentos do filme de forma realista, assim como experimentar certa cumplicidade, por estarem mais próximos desse frescor da idade e do nível de consciência próprio desse período da vida.

Antes que o Mundo Acabe estreia dia 14 de maio. Anote aí! Vale a pena pela linguagem, pelo sotaque encantador desses simpáticos personagens gaúchos, pela história maravilhosamente escrita a oito mãos (duas delas do consagrado Jorge Furtado, de produções inesquecíveis como Ilha das Flores e O Homem que Copiava). Sem contar as divertidas peripécias de Maria Clara (irmã de Daniel), uma menina de cerca de 10 anos, responsável pela narrativa em primeira pessoa.

Apesar de o título sugerir um mundo, a história trata de vários mundos: o planeta e sua destruição, o mundo dos beats e dos bits acelerados dos adolescentes, o mundo existencial dos adultos, o mundo imagético de Maria Clara, o mundo dos habitantes de Pedra Grande e o mundo que está sendo resgatado pelo pai biológico de Daniel, um fotógrafo internacional, preocupado em registrar povos e culturas com risco de extinção.

Maria Clara é dona de uma narrativa inteligente que dá sustentação ao filme, fazendo paralelos na progressão da história. Embora, seus conhecimentos são, de certa forma, duvidosos para uma garotinha, a película sugere estarmos diante de uma menina de potência intelectual incomum. Por exemplo, para citar a confusão da humanidade e do planeta, ela usa o termo entropia. Uma grandeza física dentro da termodinâmica, que, bem superficialmente, pode significar desordem, conflito, desarranjo...

A trama é bem contata, os personagens convencem e a produção e fotografia, apesar de simples, cumprem seus papéis. Mas o que tem de melhor é o roteiro e a ação, que levam o espectador a se encantar com todos esses universos diferentes, porém entrelaçados, interdependentes e possivelmente ressonantes dentro de cada espectador. Construção não rebuscada que o coração é capaz de entender muito bem!

A maioria dos personagens vive em um mundo de 15 mil habitantes e 8 mil bicicletas, rodeados de problemas triviais como incertezas, trairagem, insegurança e julgamentos. Com a pouca maturidade e problemas de gente média e grande, o sensível Daniel dá uma lição de amizade, amor e lealdade.

Amizade: Apesar de sentir raiva pela traição do amigo Lucas, que disputa a sua namorada Mim, debaixo de seu nariz, ele tenta manter os laços com os dois. Nessa atitude, que mistura honestidade, amor e culpa, é possível um adulto sentir inveja de sua maturidade. Mas como não há nada pior para uma amizade do que a deslealdade desmedida e a decepção dilacerante, Mim e Lucas mancham profundamente suas imagens diante de Daniel.

Lealdade: Em um primeiro momento Daniel sente raiva do amigo e o coloca, sem querer, em maus lençóis dentro do colégio onde estudam, por conta do desaparecimento de um laptop do laboratório de ciências. Culpado, ele tenta se redimir, no entanto, Lucas parece não ser tão inocente. Mim diz ter sentimentos confusos pelos dois guris, mas demonstra que a dissimulação é em algum nível de sua consciência uma amiga presente.

Mas o verdadeiro e real amor, Daniel encontra em sua casa. O padrasto Antônio é compreensivo e carinhoso. A mãe, apesar de ressentida com o abandono do pai de Daniel, evolui sua compaixão pelo filho e Maria Clara, em um nível infantil, manifesta afeto e admiração pelo irmão.

Ao longo do filme, Daniel se interessa em conhecer mundos fascinantes, apresentados por seu pai biológico, também chamado Daniel, que no momento está na Tailândia (construída de forma fictícia). Incentivado pelo pai, por meio de correspondências, o menino passa também a gostar de fotografar.

Baseado no romance infanto-juvenil homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha, Antes que o Mundo Acabe é uma produção singela, sem a pretensão de apresentar um discurso profundo sobre a adolescência e capaz de dialogar com plateias jovens e adultas.

As filmagens começaram em outubro de 2007 e foram realizadas nas cidades de Taquara, Rolante, Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre. No II Festival Paulínia de Cinema (2009), recebeu os prêmios de Melhor Direção de Ficção, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Filme de Ficção (Prêmio da Crítica).

Cena favorita: Daniel, Mim e Lucas chegam à cidade de Porto Alegre e se divertem com a rotina da vida urbana, que para eles é um estado de êxtase admirável.

Uma falha que não posso deixar de comentar é a incongruência entre a oralidade e a ação, relacionadas à ida ao museu. Daniel, Mim e Lucas estão em Porto Alegre. Antes, Daniel combina: "Enquanto Lucas faz a prova para admissão no colégio técnico de informática, eu e a Mim vamos à exposição". ('Antes que o mundo acabe', projeto do qual faz parte o pai de Daniel).

Porém, as cenas gravadas mostram primeiro os três na exposição (já sendo desmontada). Depois disso, o diálogo entre eles, constatando que Lucas não pôde realizar o exame, por conta da acusação de furto do laptop. A sequência dos fatos aqui não foi bem resolvida, cinematograficamente falando! Preste atenção se puder!

Ficha Técnica
Gênero: Aventura, 102 min, Brasil (2009), Classificação: 10 anos
Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Ana Luiza Azevedo, Paulo Halm, Giba Assis Brasil e Jorge Furtado
Produção executiva: Luciana Tomasi, Nora Goulart
Co-produção: Casa de Cinema de Porto Alegre
Música: Leo Henkin
Fotografia: Jacob Solitrenick
Direção de Arte: Fiapo Barth
Edição: Giba Assis Brasil

Elenco: Pedro Tergolina (Daniel), Caroline Guedes (Maria Clara), Murilo Grossi (Antônio), Janaína Kremer (Elaine), Bianca Menti (Mim), Eduardo Cardoso (Lucas), Eduardo Moreira (Daniel Pai).

Link para cenas: http://www.youtube.com/watch?v=wIAeG37DYw4

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Dança Final sugere riso e reflexão

Você já percebeu que a maioria das peças de teatro montadas em São Paulo é de autores estrangeiros ou baseada em obras internacionais? Nada contra! Apenas uma observação para iniciar um comentário sobre a peça A Dança Final.

A montagem, em cartaz desde 09 de abril, no Teatro Bibi Ferreira, é uma das últimas peças do santista Plínio Marcos (1935-1999). Ela foi escrita em 1993 e publicada em 1994. Pouco tempo antes de sua morte era comum vê-lo em frente aos teatros da cidade vendendo seus livros. Que saudade! (Eu era adolescente...rsrs).

A Dança Final retrata com muito humor o drama “do classe média” Menezes (Norival Rizzo) ao se esforçar para manter as aparências, tanto em relação à sua virilidade quanto ao seu casamento com Lisa (Denise Weinberg). Para o casal, o importante é mostrar uma vida perfeita diante do seu círculo social.

Inicialmente você vai se divertir, mas depois talvez reflita sobre os fatos que levam um casal a manter uma união durante 25 anos em meio a enganos e farsas. Apesar de engraçada e irônica, a narrativa apropria-se de assuntos como frustração, sexo, envelhecimento, ilusão e desejo, encenando situações patéticas, muitas, típicas das relações humanas.

A história gira em torno da impotência sexual de Menezes (a “pílula milagrosa” surgiu em 1998), um cinquentão boa pinta, que se transforma em um menino triste e angustiado ao sentir que o seu “piu piu pifou”. O acontecimento é a grande piada da trama.

Dramático, ele perde a razão de viver! Seu mundo desmorona! Essa constatação facilmente caminha para uma reflexão sobre inúmeras impotências humanas (políticas, amorosas, sociais, financeiras e por aí vai...).

Já Lisa, também infeliz, camufla o seu descontentamento sexual e romântico sob a armadura de um casamento perfeito aos olhos de quem permeia a vida dos dois. Ela não enxerga o problema de Menezes. O mais importante é a grande festa em comemoração a bodas de prata do casal. Com esse paradoxo o ar de comédia ganha ainda mais força!

Vale a pena ocupar a plateia alguns minutos antes para se divertir com a trilha sonora dos velhos tempos. Roberto Carlos e Kleiton e Kledir fazem parte dela. A iluminação é uma dança de luzes. A troca de roupa dos personagens não é nova, mas é criativa e gera curiosidade. Gostei dos cabides!

Ambos são excelentes atores! Você viu Salve Geral? Denise Weinberg é a apaixonante Ruiva, personagem maravilhosamente construída pela atriz nesse filme. Norival Rizzo, assim como Denise, é um ator premiado pelo Prêmio Shell 2006 (“Oração para um pé-de-chinelo”, de Plínio Marcos). Além de talentoso, ele é um amor de pessoa e está em cartaz também na produção O Homem das Cavernas, no mesmo teatro.

Animou-se com a história? Então, preste atenção: Os cinco primeiros que acessarem o botão Comentários deste Blog (logo abaixo) e enviar o nome completo, dizendo que vai assistir A Dança Final neste fim de semana (01 e 02 de maio) receberá um ingresso grátis para o seu acompanhante. Isto é, ao comprar uma entrada (inteira ou meia), você presenteia alguém com um convite. Gostou? Corra para lá! Não esqueça de deixar um e-mail para eu confirmar a sua presença. Boas risadas!

Serviço:
A Dança Final, comédia, 70 minutos, a partir de 14 anos.
Teatro Bibi Ferreira. Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 931, Bela Vista, (11) 3105-3129
Sexta e Sábado, às 21h30. Domingo, às 20h
Preço: Sexta e Domingo, R$ 40. Sábado, R$ 60
Vendas pela internet: http://www.ingressorapido.com/ ou por telefone: 4003-1212

Ficha Técnica:
Autor: Plínio Marcos
Direção: Noemi Marinho
Elenco: Denise Weinberg e Norival Rizzo
Assistência de Direção: Tatiana Marinho
Cenário e Figurinos: Leopoldo Pacheco
Iluminação: Wagner Freire
Trilha Sonora: Aline Meyer
Produção: Denise Weinberg, Norival Rizzo, Selma Morente e Célia Forte
Realização: Morente Forte Comunicações