quarta-feira, 2 de junho de 2010

Finalmente... I Love You Phillip Morris entrará em cartaz!

O longametragem “O Golpista do Ano” - versão brasileira não muito feliz para o título original “I Love You Phillip Morris” - chega ao Brasil nesta sexta, dia 4, somando mais um evento para os dias que antecedem à Parada Gay 2010.

O filme fez parte da programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorreu entre 23 de outubro a 05 de novembro de 2009. Nos Estados Unidos, ele somente será visto a partir de 30 de julho. Pode?

A instigante comédia, que paradoxalmente leva o espectador ao riso e às lágrimas, é coescrita e codirigida pelos roteiristas, parceiros de longa data, Glenn Ficarra e John Requa (“Papai Noel às Avessas”). A história é baseada no romance do ex-repórter investigativo Steve McVicker, do jornal Houston Chronicle.

O filme, por vários motivos, virou polêmica nas mídias brasileira e internacional. Primeiro, porque teve dificuldades para captar recursos financeiros. Segundo, porque tem o ator brasileiro Rodrigo Santoro. Em terceiro lugar, ele conta uma bela história de amor entre dois homens. Quarto, põe em cheque-mate a ineficiência dos sistemas policial e carcerário do Texas (EUA). Quinto, ele aponta para a burocracia demasiada daquele Estado. Sexto, a história é baseada em fatos reais!

O longa é envolvente e 100% livre de militância. Mais do que falar sobre a homossexualidade, ele retrata, principalmente, o amor idealizado, a paixão desenfreada e o medo do abandono, sentimentos que ao serem vividos de forma distorcida podem levar o ser humano a cometer erros irreparáveis. Esses autoenganos acontecem na vida de Steven Russell (Jim Carrey).

Durante a sessão não é raro esquecer os gêneros sexuais. A película vai a fundo ao abordar os reais desejos da essência humana, que muitas vezes se resumem em Ser o que realmente se É. Essa afirmação de viver a vida de verdade tem seu alicerce em Steven.

Ele é um policial, casado com Debbie (Leslie Mann) e pai de uma bela garotinha. Aparentemente feliz e muito bem-humorado, Steven relaciona-se bem com todos a sua volta, sendo até organista da igreja de seu bairro. No entanto, por trás dessa máscara há um segredo. Ao sofrer um grave acidente automobilístico, decide sair do armário e buscar a sua felicidade, mesmo que tenha de violar a lei.

Esse é o grande ponto de virada do filme e partir desse acontecimento, vai ser difícil não ficar vidrado na telona. Adotando um estilo de vida extravagante, ele aplica uma fraude atrás da outra, sustentando um estilo de vida incoerente com suas condições financeiras.

Nesse momento você verá Rodrigo Santoro, feliz da vida, descendo a Collins Avenue, em Miami, de braços dados com o já ex-policial. Depois dessa aparição, o ator brasileiro tem mais três curtas participações como Jimmy Kemple. Com certeza melhor do que em “As Panteras”, lembra-se? Está melhorando...

Jim Carrey, como sempre atua bem dos pés à cabeça, usando e abusando de seus recursos gestuais inatos bem conhecidos do público. Em nenhum momento aparenta ser um heterossexual fingindo ser gay.

Encarna de forma extravagante, sem passar do ponto, o golpista charmoso e carismático, que vai de um empresário provinciano a um exuberante criminoso de colarinho branco.

Com frequência, Steven foge da polícia e escapa de modo brilhante do sistema prisional do Texas em quatro diferentes ocasiões. Todas em nome do amor e sem fazer mal a ninguém. Um anti-heroi apaixonante!

Nessas idas e vindas, ele é enviado à Penitenciária Estadual, onde conhece Phillip Morris e, dentro da cadeia, começam a viver um grande amor. O homem sensível e de voz aveludada é muito bem interpretado pelo belo ator escocês Ewan McGregor (”Anjos e Demônios”).

Nesse momento fica claro que “I Love You Phillip Morris” possui dois protagonistas. Dar corpo e alma a Phillip é uma tarefa delicada para um ator, que se mal dirigido ou sem maestria cênica, facilmente cairia na caricatura. Ewan assimilou completamente a profundidade do Ser desamparado, infantil e idealizado do personagem.

Encantado com esses aspectos de sua personalidade, Steven vai até as últimas consequências tanto para libertar Phillip da cadeia quanto ao querer construir com ele uma vida perfeita, ironicamente associada ao famigerado sonho americano (american dream).

A narrativa, desenvolvida em primeira pessoa por Steven, o aproxima do espectador, que acredita piamente em tudo o que ele conta, presenteando a plateia com truques surpreendentes. Ora ele a conduz para o seu senso bem-humorado e aventureiro, ora para o contato com suas emoções. O roteiro tem força, tem justificativa e ousadia. O resultado final não é um filme extraordinário, mas cumpre bem o que lhe é proposto.

Grande parte das filmagens ocorreu em cadeias no Texas e em suas redondezas, mas não espere obter a visão, totalmente, real do sistema carcerário da localidade. A produção é romantizada e utiliza a ironia sem pudor.

A trilha sonora é um convite à dança e ao entusiasmo. Entre suas canções estão “Hallelujah, We Shall Rise" (Yellow Dog Choir), “Dance Hall Days" (Wang Chung), "It's You and Me Tonight" e “Vibe Time”. As duas últimas foram compostas e produzidas por Stephen Edwards.

Atualmente, o verdadeiro Steven Russell está confinado em sua cela, 23 horas por dia, pelos próximos 144 anos. Já Phillip Morris atuou como consultor no filme e faz uma ponta, juntamente com o autor do livro Steve McVicker.

Ficha Técnica:
I Love You Phillip Morris (O Golpista do Ano), 2009, EUA, 102 min, classificação: 16 anos
Gênero: Comédia / Drama
Direção: Glenn Ficarra e John Requa
Link para o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=XoFANivV44g
O lema da Parada Gay 2010, que acontece neste domingo, 6, é “Vote contra a homofobia: defenda a cidadania!”. É uma alusão ao projeto de lei que defende a criminalidade para a homofobia, ainda não aprovado.
Mais informações sobre a Parada, acesse http://www.paradasp.org.br/

sábado, 29 de maio de 2010

“Sex and the City 2” exibe um mundo de glamour, consumo e muito humor

O filme de número dois, com base no seriado “Sex and the City”, estreou ontem (28) em cinemas de todo o mundo. A película apresenta um texto repleto de humor simples e simultaneamente cáustico, às vezes romântico, os cenários são exóticos e luxuosos, com roteiro e personagens fiéis à série. Sim, diversão! Tudo continua muito bem-humorado e este é um dos principais motivos para assistir ao filme.

A outra razão, evidente, é compartilhar as crises da jornalista e escritora Carrie (Sarah Jessica Parker), o conflito em relação ao envelhecimento de Samantha (Kim Cattrall), o Eu idealizado de Charlotte (Kristin Davis) e a autoafirmação de Miranda (Cynthia Nixon), entre outros sentimentos dominados pela complexidade do universo feminino.

Em outras palavras, reviver e matar a saudade dos momentos prazerosos com essas quatro mulheres divertidíssimas e encantadoras. Afinal, passaram-se exatos doze anos, seis temporadas e um bem-sucedido longa-metragem. Porque não voltar no tempo e aproveitar mais essa chance? E com muito glamour, of course! Não espere nada mais!

Desde o seu começo, “Sex and the City” tornou-se um fenômeno internacional, com plateias ao redor do planeta, que rapidamente se identificaram com histórias de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Na TV, a série rendeu mais de US$ 415 milhões em todo o mundo.

A sensação de muitos fãs é a de que as personagens são amigas de infância e não personagens de uma obra de ficção. A linguagem simples e fora da realidade da maioria de seus espectadores surpreendentemente conversa intimamente com eles. Coisas desse mundo contemporâneo entrópico!

E vale dizer: as atrizes continuam ancorando muito bem essas figuras universais. O filme, além de manter o eixo fundamental representado pela amizade e lealdade entre elas, arrisca ao tentar se aprofundar em dois pontos: a crise conjugal de Carrie e John, o Mr. Big (Chris Noth) e a obsessão pela juventude de Samantha. Consegue? Não!

Completando dois anos de casados, Carrie e Mr. Big entram em turbulência ao sentir que a rotina e a falta de ânimo começam a fazer parte de suas vidas. Essa preocupação é claramente mais experimentada por Carrie, que a partir dessas constatações passa a ficar insegura, confusa, bem desequilibrada...

Ela que escrevia sobre a vida de solteira em Nova Iorque, agora passa a falar sobre o voto do casamento e, claro, os pontos de incongruência em sua vida são facilmente transferidos para a sua obra. Assim, a personagem experimenta, mais uma vez, ser foco de crítica, nascendo outra frustração.

Mas ela, que já sofreu muito em função de seus sentimentos objetivados por Mr. Big durante os episódios na TV, na película é acolhida pelo marido, que exibe maturidade, compreendendo o momento da esposa amada, que muitas vezes se comporta como uma menina. Ele mesmo a chama carinhosamente de kid (criança) ao longo da história.

Já a exuberante Samantha continua preocupada com a aparência. A guerra é literalmente declarada ao envelhecimento pela mais velha das quatro inseparáveis amigas, com 52 anos. Ela tem como motes os hormônios, a juventude, o luxo, a beleza e, claro, isso continua super latente: sua libido exacerbada.

A personagem nega a passagem do tempo. Ela não aceita a possibilidade de colecionar as implacáveis marcas da idade. Esse fato leva a encenações engraçadas. Ela aparece com cremes no rosto, tem malas revistadas no aeroporto e cria uma relação de dependência com suas 44 pílulas que toma diariamente, entre vitaminas, medicação para reposição hormonal, anti-radicais livres, entre outros.

Para um bom pensador, a obsessão de Samantha pode significar um questionamento sobre a busca desenfreada pela perfeição do corpo, a qual muitas pessoas se envolvem de forma inconsciente e desmedida. Pior ainda quando esse desejo leva esses seres a situações de risco em cirurgias estéticas e aplicações de medicamentos proibidos. Nada novo, mas muito atual!

A pergunta sugerida pelo comportamento de Samantha poderia ser: Até que ponto fazemos parte da ditadura do físico perfeito, imposta pelos dias de hoje? Que tal?

A crise que envolve a maternidade é o tema de Charlotte. Ela entra no drama, na vítima e na culpa, ao mesmo tempo. A sua filha menor, Rose, chora constantemente. Ela sente-se sufocada, mas não admite. A outra maior também lhe exige bastante. Para completar o Rê-Tê-Tê aparece uma babá fogosa que lhe deixa, aparentemente, insegura com relação ao marido.

Todos esses conflitos emocionais de Charlotte dominam o seu ser e lhe tira o sossego, durante quase toda a viagem que as quatro fazem ao novo Oriente Médio, em Abu Dhabi. Seu sofrimento é atribuído à idealização de um casamento e filhos perfeitos.

Por último vem Miranda com as questões profissionais. Acima de tudo ela é uma advogada, inteligente e muito competente, porém ainda não encontrou o eixo de equilíbrio entre ser mãe, esposa e boa profissional.

Se as discussões apresentam tentativas de se aprofundar, o alcance é parco. O filme é para se divertir e reencontrá-las. Essa é a promessa! No mais, você vai notar um exagero de cores nas roupas, uma crítica americana ao Oriente Médio, uma rápida participação da sempre charmosa Penélope Cruz e uma exaltação merecida à Liza Minnelli, cantando e dançando "All the Single Lady", mais admirável do que brega. Afinal... é Liza, aos 64 anos, e de "shortinho"!

O diretor e roteirista é Michael Patrick King. E para quem não sabe a série de TV foi criada por Darren Star, inspirada nos personagens do livro de Candace Bushnell.

A equipe de produção conta com alguns veteranos de “Sex and the City”, como o diretor de fotografia John Thomas, o desenhista de produção Jeremy Conway, o editor Michael Berenbaum, além da estilista e figurinista Patrícia Fields e do compositor Aaron Zigman.

Boa sessão!

Ficha Técnica:
"Sex and the City 2", 2010 (EUA), 146 min, comédia romântica, classificação: 14 anos
Dreção e roteiro: Michael Patrick King
Atores: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth e outros
Estúdio e distribuidora: Warner Bros. Pictures
Produção: Michael Patrick King, John P. Melfi, Sarah Jessica Parker e Darren Star
Site oficial: http://www.sexandthecity2.com.br/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Segunda Festa do Teatro começa amanhã!

Você sabia que amanhã, dia 27, a partir das 11 horas, começa a distribuição gratuita de ingressos para diversos espetáculos em cartaz na cidade de São Paulo?

A segunda edição da Festa do Teatro distribuirá 30 mil ingressos para o público adulto e 10 mil para a criançada até sábado (29). Serão sete pontos, onde cada pessoa terá direito a um par de convites. Basta ter disposição para enfrentar as filas, pois a julgar pelo ano passado, elas serão longas.

A abertura do evento será no dia 27, ao meio-dia, na fachada do edifício das Casas Bahia, Praça Ramos de Azevedo, Centro. Lá, um grupo do Circo Funâmbulos fará apresentações, tendo o rapel como base para suas performances. Porém, os pontos localizados nos bairros da Lapa, Vila Formosa, Santo Amaro e Vila Nova Cachoeirinha começarão a distribuir os tíquetes às 11, finalizando às 14 horas.

Já os quiosques do Teatro Municipal, SP Escola de Teatro e Centro Cultural de São Paulo atenderão das 16 às 19 horas. A iniciativa inclui 183 peças em cartaz e você poderá usufruir o par de convite entre 28 de maio e 6 de junho.

Clique no link oficial do evento e veja quais espetáculos estarão disponíveis no local de sua escolha. http://www.festadoteatro.com.br/

sexta-feira, 21 de maio de 2010

QUINTA Q PARIU! volta às quintas, em junho

Se você é daquelas pessoas que adora ter um motivo para dar risada e, ainda, gosta de comédias no formato de esquetes, o mundo teatral tem uma boa notícia: dia 3 de junho estreia Quinta Q Pariu!, no Teatro Shopping Frei Caneca.

As apresentações serão todas às quintas-feiras, às 21h30. Os textos e personagens foram criados por cada um dos seis atores da montagem e a direção de cena ficou a cargo do também ator da produção Carlos Fariello.

Esta versão (o espetáculo já esteve no Teatro Folha) traz Marcelo Mansfield como convidado especial. Ele interpretará dois personagens. Um deles é Falso Modesto, um artista que se sente o máximo do máximo, e o outro é Franklin Silveira, um apresentador de uma coluna social.

Entre os pontos mais altos da encenação, segundo o produtor Marcel Sampaulo, estão: um turista que odeia viajar, um padre politicamente incorreto, os dilemas de um metrossexual muito confuso diante da tentativa de dar um simples banho em sua filha, a incompatibilidade de dois irmãos gêmeos e Nina, uma garotinha absolutamente nonsense, obrigada a ficar de castigo no quarto com seus irmãos para lá de encapetados.

Nesse cenário ainda surgem figuras ímpares como um personagem narcisista e o seu boneco inflável, cuja face é idêntica a dele, o casal Allien e o Predador medindo forças durante uma DR (discussão de relacionamento) e Zóio, um ex-presidiário inocente.

Para dar ritmo, de forma a costurar as cenas do espetáculo, surge o gerente de RH. Ele entra e sai do jogo cênico com frases que denunciam suas variações de humor.

Segundo seus criadores, no espetáculo não cabem rótulos ou segmentações. Para eles, o Quinta Q Pariu! foi concebido para agradar todos os gostos, porém busca a sua própria identidade.

A Cia. de Humor Quinta Q Pariu! teve início em 2006, quando seis atores tiveram a ideia de apresentarem suas performances, despretensiosamente, no palco de um bar localizado no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.

Essa experiência deu a cada um deles a chance de desenvolver seus personagens, seus textos e testá-los junto ao público. Nesse período, o material foi trabalhado, adaptado e modificado. Daí foi um pulo para o espetáculo ocupar o palco do Teatro Folha, depois de ter participado do projeto Nunca Se Sábado.

Serviço:
Quinta Q Pariu! (75 minutos), classificação: 12 anos, comédia.
Teatro Shopping Frei Caneca (600 lugares)
Rua Frei Caneca, 569 - 6º andar – Cerqueira Cesar.
Informações: (11) 3472.2226/ 2229/ 2230
Bilheteria: Terça a domingo, das 13h às 19h ou até o início do espetáculo.
Vendas: http://www.ingressorapido.com.br/ e 4003.1212
Quintas, às 21h30 - R$ 50

Ficha Técnica:
Elenco: Antonio Ribeiro, Marlei Cevada, Maurício Sampaulo, Melissa Comunalle, Théo Ribeiro e Carlos Fariello
Foto: Káki

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vem aí Zorro, O Musical

Entre os musicais previstos para entrar em cartaz neste segundo semestre está o lendário Zorro. Gerações dos anos de 1970 deliciaram-se com os episódios da série na televisão, estrelada por Guy Williams.

O espetáculo é baseado no livro Zorro - Começa a Lenda, da famosa escritora chilena Isabel Allende (A Casa dos Espíritos, De Amor e de Sombra, Paula e Cidade das Feras) e conta a história do notório personagem mascarado, que ganhou ainda mais popularidade com a interpretação de Antonio Banderas no cinema.

Dirigido pelo admirado Roberto Lage, a versão brasileira será executada por uma orquestra de 10 músicos com direção musical de Willy Verdaguer.

Conforme Lage, “a música é um dos pontos altos do espetáculo, todas compostas pelo famoso grupo francês Gipsy Kings". Segundo ele, as mais conhecidas no Brasil como 'Djobi, Djoba', 'Bamboleo' e 'Baila Baila', entre outras canções, prometem levantar o astral da plateia.

Murilo Rosa foi o escolhido para encarnar o mascarado, ao lado de 27 atores, entre eles: Camilla Camargo (Luiza), irmã da cantora Wanessa Camargo, Claudio Curi (o Velho Cigano, que narra o espetáculo), Naima (Inês), Gerson Steves (Sargento Garcia) e Luiz Araújo, o irmão do Zorro.

A história aborda desde a ida de Diego de La Veja para a Califórnia até assumir, secretamente, o seu alter-ego Zorro.

Suas paixões, batalhas e espírito idealista estarão estampados nesse musical que mistura humor, esgrima, sapateado, luta e dança flamenca. Tudo associado ao comportamento do brasileiro, de acordo com Lage.

Zorro, The Musical ficou em cartaz durante nove meses em Londres e ganhou cinco indicações ao prêmio britânico Oliver, equivalente ao americano Tony Awards, com a premiação da artista que interpretou a cigana Inês.

Em outubro do ano passado a temporada foi iniciada em Paris, no Teatro Follies Bergere e deve permanecer em cartaz até agosto de 2010.

Um pouco do espetáculo apurado pelo Rê-Tê-Tê, durante a coletiva:
Don Diego de La Vega é um jovem rapaz rico que sai da Califórnia e vai estudar em Barcelona deixando para trás Luiza, o seu amor de infância.

Mais tarde em Barcelona, Diego se afasta da escola para se juntar ao grupo de músicos ciganos, tornando-se a estrela principal. Luiza encontra Diego e pede para ele voltar a Califórnia, pois Ramon, seu irmão, assumiu o poder após a morte de Don Alejandro, seu pai, e se tornou um capitão para lá de tirano.

Inês, uma cigana apaixonada por Diego e de forte personalidade, convence todos os ciganos do grupo a irem para Califórnia ajudar o amado.

Após testemunhar a crueldade de Ramon, Diego decide criar um herói para combatê-lo, daí nasce Zorro.

Durante o espetáculo, Ramon quer acabar com Zorro, o herói que luta pela paz de seu povoado. Já Inês sonha em ser correspondida por seu amor e Luiza quer saber quem é o charmoso e encantador homem, escondido por trás daquela máscara.

Serviço:
Zorro – O Musical
Previsão de estreia: julho de 2010
Curta temporada: julho a setembro de 2010
Teatro das Artes
Avenida Rebouças, 3970/ 3° andar – Shopping Eldorado
Bilheteria: (11) 3034-0075

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Virada Cultural começa amanhã!

Para quem vive na cidade São Paulo, a Virada Cultural é um evento de importância. Primeiro porque democratiza as artes; segundo, porque reúne vários tipos de gêneros culturais. Muito difícil não satisfazer todos os gostos. Terceiro, na maioria, a programação é gratuita.

Outros motivos: apresentações de qualidade, valorização dos artistas e da cultura brasileira, projeção da cidade e o grande prazer de andar pelas ruas, durante a madrugada, conversando e brincando com amigos, livre da grande preocupação, que assola a paz dos paulistanos, de ser vítima de algum tipo de violência frequente na cidade. A visita noturna ao parque da Luz é um exemplo.

Sem falar nas delícias de entrar na Pinacoteca, no Centro Cultural de São Paulo, nos Sescs depois da meia-noite. É uma sensação de liberdade e bem-estar, que deveria ser comum na capital não somente nessas famosas 24 horas, mas Sempre. Seus cidadãos merecem! Proporcionar eventos nos CEUs para moradores mais afastados do Centro também é uma boa atitude.

Essas vantagens começam às 18 horas de amanhã (15) e vão até as 18 horas de domingo (16). A sexta edição do evento reúne shows, peças de teatro, espetáculos circenses, de dança, folclóricos, concertos musicais, cinema etc.etc.etc.

A expectativa da Secretaria da Cultura é a de que quatro milhões de pessoas participem da programação. Serão cerca de mil atrações, apoiadas por um investimento de R$ 8 milhões. Cinco milhões a mais do que no ano passado e um salto exorbitante em relação aos R$ 600 mil da primeira edição, de 2005.

O show de abertura, no sábado, às 18 horas, ficará por conta dos cubanos Barbarito Torres e Ignácio Mazacotte, do Buena Vista Social Club, no Palco da Praça Julio Prestes. Entre os shows internacionais destacam-se as bandas de Janis Joplin e Frank Zappa, Booker T. e Living Colour.

Toquinho, Zélia Duncan, Elza Soares, Titãs, Living Colour e ABBA - The Show (sim, é o mesmo espetáculo que se apresenta em Curitiba, no dia 23 de maio, com preços entre R$ 120 e R$ 400) também fazem parte da agenda.

Também haverá apresentações da Orquestra Imperial, Arnaldo Antunes e Móveis Coloniais de Acaju, os quais poderão ser vistos no Sesc, porém serão pagos.

Para quem prefere música clássica, o Palco da Praça da Luz terá apresentações da Orquestra Sinfônica de São Paulo (OESP) e da São Paulo Companhia de Dança, com o espetáculo Tchaicovsky Pas de Deux. Será a primeira vez que estarão juntas ao ar livre.

Na Vieira de Carvalho, point gay da Paulicéia, você verá os tradicionais e divertidos Arrigo Barnabé, André Abujamra, Frank Elvis & Los Sinatras - Baile da Vassoura, Luis Caldas, Jerry Adriani e Wanderléa.

Como tem acontecido nos últimos anos, a Virada terá mostra e sessões de cinema. Todos os filmes têm legendas em português. As salas escuras liberadas compõem o Cine Olido, onde indico o Hanami – Cerejeiras em Flor (direção de Doris Dörrie); o Cine Dom José, que abrigará exibições de filmes do monstro Godzilla, além do Cine Arouche, Cinesesc e o Cine Windsor para quem gosta de clássicos da licantropia (lobisomem, besta).

No Palco da dança (Vale do Anhangabaú), diversas companhias se apresentarão. Entre elas, São Paulo Companhia de Dança, Cena 11, Cisne Negro e Balé da Cidade. O destaque é a parceria entre a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a São Paulo Companhia de Dança.

Em palco montado entre a Pinacoteca e a Estação Luz do Metrô, a Osesp, regida pelo maestro John Nelson, homenageia o bicentenário de nascimento de Schumman com a execução da abertura da obra Manfred e a Sinfonia nº2. Na sequência, como já mencionado, a orquestra acompanhará um casal de bailarinos, que apresentará Tchaikovsky Pas-de-deux, de George Balanchine.

As crianças, até que enfim, também serão contempladas. Além da apresentação do maravilhoso Palavra Cantada (Sandra Peres e Paulo Tatit), que acontecerá em palco fixo, elas poderão andar pelo Centro e se divertir com o palhaço Xuxu (Luiz Carlos Vasconcellos), com a Família Burg (o circo tradicional em leitura contemporânea) e a companhia Pia Fraus, entre outros, os quais se deslocarão nas imediações do Vale do Anhangabaú.

Além disso, para todas as idades o jogo de futebol apresentado pelos Acrobáticos Fratelli e as esquetes dos vários artistas de rua. Unidades do Sesc também têm espetáculos dessa natureza.

No Palco Barão de Limeira você dançará ao som de músicos jamaicanos como Pablo Moses e Clinton Fearon, além da primeira formação da banda Cidade Negra, que traz Ras Bernardo nos vocais, interpretando canções do disco Lute para Viver (1991), além da Tribo de Jah.

De acordo com a organização, serão disponibilizados cerca de mil banheiros químicos, 57 ambulâncias, 20 UTIs móveis, 700 seguranças particulares. O metrô e os trens da CPTM funcionarão durante as 24 horas do evento.

Espero que essas simples ações, as quais envolvem limpeza, higiene e segurança sejam, rigorosamente, cumpridas pela Prefeitura Kassab, que tem deixado esses itens a desejar nos últimos três anos da Virada.
É fundamental também que haja fiscalização acirrada sobre o grave fato do consumo de bebida alcoólica entre os adolescentes, que invariavelmente são vistos bêbados pelas ruas, em situações vexatórias. Além de ser crime o consumo de bebida alcoólica para eles, a venda indiscrimida por camelôs não é legalizada e todos os anos esses acontecimentos se repetem. São apenas medidas simples e assertivas, que podem garantir um evento de fato prazeroso e democrático. O Governo precisa ter mais consciência sobre essa sua responsabilidade.

A parte desses problemas, você pode, ainda, se divertir. Então, elabore o seu roteiro, convide seus amigos e abra espaço para se envolver e se emocionar com espetáculos de qualidade. Clique no site oficial e escolha: http://viradacultural.org/programacao. O Blog É Todo um Rê-Tê-Tê deseja-lhe um lindo final de semana!

sábado, 8 de maio de 2010

Reestreia de “In On It” foi animada e muito aplaudida!

A peça In On It, sem dúvida é um marco atual do teatro brasileiro. Sucesso de público e crítica, no Rio de Janeiro (2009) e em São Paulo (2010), reestreou ontem, 07 de maio, no Teatro Eva Herz.

A montagem, que rendeu o Prêmio Shell Rio de Melhor Ator a Fernando Eiras e Melhor Diretor a Enrique Diaz, soma todas as novidades da sexta arte contemporânea e deixa o espectador entusiasmado, perplexo. Texto e ótima direção, certos momentos, quebram a quarta parede, interagem com a plateia, fingem não estar no palco, criam situações inusitadas.

Vale a pena! Eu diria até: - Não perca a oportunidade de fazer parte desse momento, o qual comprova que o melhor teatro é feito de texto + ator + relações humanas em profundidade. Atuações complexas dentro um universo poeticamente muito abaixo da superfície dão o tom de In On It. (Tradução livre Por dentro).

A narrativa segue uma arquitetura orgânica (não linear) e exige muito dos atores Fernando Eiras e Emílio de Mello, que não deixam a desejar em nada! Os personagens são "Este Aqui" e "Aquele Ali", que entram e saem do jogo cênico com fluência lógica e harmônica. Perfeito!

Os atores revezam-se com maestria ao interpretarem 10 personagens diferentes, enquanto discutem sobre o processo de criação de uma peça de teatro.

É uma metalinguagem. Uma peça falando da elaboração de uma outra peça, enquanto uma terceira peça se anuncia. Nessa moderna mimese teatral, três camadas são apresentadas e fundidas durante o espetáculo: a peça (escrita por um dos personagens em cena), a atuação cênica e a intersecção entre o passado e o presente.

O presente consiste principalmente na discussão entre “Este Aqui” e “Aquele Ali”, que hora um ou outro é Raymound (Ray), Loy, Brenda, Terry e outros. Tudo isso em um único figurino constituído por camisa, calça, sapato, tênis, gravata e um casaco. Incrível!

Há um acidente envolvendo um carro Mercedes azul. O auto é jogado para uma outra pista, sem motivo aparente. “Este Aqui” e “Aquele Ali” representam cenas do espetáculo que "Este Aqui" escreveu sobre Ray, o qual supostamente dirigia a Mercedes.

Em um dado momento, Ray descobre que sofre de uma doença grave, a partir de exames médicos. Um gancho que permite aprofundar a misteriosa condição humana de vida x morte. Tratam-se de seres angustiados, inseguros, confusos, vitimados, corajosos, egoístas, amorosos, alegres, gentis, engraçados, enfim duais, humanos.

Os personagens discutem sobre situações que envolvem, ainda, a mulher de Ray, Brenda, seu filho Max e seu velho pai. No decorrer da história, os dois vivenciam implicações de suas vidas pessoais, nas quais a homossexualidade - não panfletada, nem atacada - existe como um dos componentes reais da complexidade apresentada.

Em muitos momentos, a sensação é de estar assistindo a um filme. A iluminação, o jogo cênico e o próprio cenário simples (duas cadeiras e um tapete), a direção e os generosos atores sugerem uma montagem cinematográfica. A rapidez ao vestir um personagem e outro, alinhada fielmente ao texto, faz um convite especial a sua concentração e ao olhar atento. Não abstraia!

O texto, até então inédito no Brasil, é do dramaturgo canadense Daniel MacIvor. Ele foi descoberto pelo diretor Enrique Diaz, durante uma viagem a Nova Iorque. Uma atmosfera de mistério permeia In On It, que oferece muitas surpresas à plateia. O público ora se manifesta gargalhando, ora silenciosamente é atraído pelo rumo da história. O final da reestreia foi marcado por admiração e muito, mas muito aplauso!

*Se você desejar ampliar a discussão, deixe uma mensagem em Comentários (abaixo) com o seu e-mail. Terei o enorme prazer em conversar sobre o tema! Grata pela leitura!

IN ON IT
Teatro Eva Herz, 60 minutos, 166 lugares, a partir de 16 anos.
Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Avenida Paulista, 2073 – Cerqueira César
Sexta e Sábado, às 21h. Domingo, às 18h
Sexta – R$ 40; Sábado e Domingo – R$ 50
Bilheteria: de segunda a sábado, das 14h às 21h. Domingo e feriado, das 12h às 19h30. Informações: 3170-4059 – Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque.
Vendas pelo 4003-2330 e http://www.ingresso.com.br/
Até 27 de junho

Ficha Técnica

Texto: Daniel MacIvor
Tradução: Daniele Ávila
Direção: Enrique Diaz
Elenco: Fernando Eiras e Emílio de Mello
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Domingos de Alcântara
Figurino: Luciana Cardoso
Trilha Sonora: Lucas Marcier
Direção de Cena: Marcos Lesqueves
Produção Executiva SP: Roberta Koyama
Direção de Produção RJ: Rossine A. Freitas
Direção de Produção SP: Henrique Mariano
Produção: Enrique Diaz
http://inonit.wordpress.com/