sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"Cabaret": Sensualidade, fetichismo, crítica ao nazismo...


Não via Cláudia Raia no palco desde “Sweet Charity” (2006). Em seus musicais, ela sempre desempenhou bem, em certos aspectos, mas nada muito especial. O mesmo não dá para falar de “Cabaret”, seu mais recente espetáculo.

Em “Cabaret”, a atriz empenha-se fortemente e vence o que parece ser um grande desafio. Isso se pensarmos que ela, de certa forma, substitui Liza Minnelli, que é associada enfaticamente à montagem, no cinema (1972). Porém, seis anos antes, a obra já havia alcançado consagração na Broadway.

Na versão brasileira, Cláudia, definitivamente, não é Liza. As duas escolheram viver a mesma personagem, no entanto, a Sally do cinema é sonhadora, frágil e espera pelo grande amor. No teatro, em São Paulo, ela é pragmática. Dona de um humor cáustico, não vê no amor a melhor forma de ser feliz.

Além disso, a Sally brasileira é alcoólatra, fumante, depressiva e viciada na vida desregrada que leva no Cabaret. Mas, nenhum dos aspectos é tratado com profundidade. As duas horas e 15 minutos de espetáculo (outros 15 correspondem ao intervalo) quer apenas divertir o público.


Esses ingredientes deixaram Cláudia livre para criar a sua própria Sally, um dos acertos da montagem brasileira, além da versão musical, cenários bem realizados, bons recursos de projeção e maquinário.

O ator Jarbas Homem de Mello destaca-se como MC, o mestre de cerimônias do Cabaret. É um prazer vê-lo no palco. Um esforço artístico reconhecido pelo público, que o aplaude com entusiasmo. E, assim como ela, Jarbas achou a medida certa do personagem sem ficar preso à atuação de Joel Grey, premiado com o Oscar de ator coadjuvante, em 1972.

Já Guilherme Magon, que substituiu Reynaldo Gianecchini, no papel do escritor americano, com quem Sally se envolve amorosamente, tem uma participação tímida, como ator.

A história, dividida em dois atos, se passa, principalmente, em dois ambientes. O principal é o Kit Kat Club, uma decadente casa noturna de Berlim, do ano de 1931. Seu vetor é o relacionamento da inglesa Sally Bowles (Cláudia Raia), com um pobre escritor norte-americano Cliff Bradshaw (Guilherme Magon).

Cláudia e Guilherme fazem, pelo menos, uma cena de sexo em suas interpretações. No quarto alugado da pensão da alemã intolerante Fräulein Schneider, ele desfila seu corpo quase nu e ela, muitas vezes, usando apenas lingerie.

Logo ao lado, no Cabaret, o contraste se dá com muito brilho e diversos figurinos e perucas, usadas por ela e pelos bailarinos e bailarinas da casa. Além disso, Jarbas exibe um ‘desenho’ criativo e ousado, em suas aparições frenéticas e hilárias.

Para abordar a ascensão e o preconceito, com uma leve crítica ao partido nazista de Hitler, Fräulein Schneider (vivida por Liane Maya) e o judeu Herr Schultz (Marcos Tumura, de “Les Miserables”, e “Miss Saigon”) vivem um relacionamento amoroso, absolutamente indigesto para aquele momento político.

Cenários e figurinos remontam a época e trazem sensualidade, cor e brilho. O palco foi estendido nas laterais para acomodar parte do público em onze mesas e quadro cadeiras para cada uma delas. A intenção é construir o clima de cabaré. As mesinhas contam com luminárias e telefones de época. O setor é um dos mais caros.

Em todo o palco, o fundo é preenchido com cortinas de pedras transparentes. Quase escondida, despertando a curiosidade da plateia, há uma banda composta por 14 músicos, regida pela maestrina Beatriz de Luca. Todos vestidos à la Kit Kat Club.



A versão original do musical, de 1966, foi escrita pelo dramaturgo Joe Masteroff, baseado na peça “Eu Sou uma Câmera”, de John Van Druten; inspirada, por sua vez, no livro Adeus, Berlim, de Christopher Isherwood.

O espetáculo está concorrido. Comprei ingressos em novembro para assistir somente ontem, dia 19 de janeiro. Quem gosta de eletricidade, ousadia e bom humor, não pode perdê-lo. Outro motivo é ver a protagonista longe dos holofotes globais, dançando e cantando, a todo vapor, mesmo não sendo dona de uma grande extensão vocal. O espetáculo é diversão garantida!


Curiosidades
Segundo a produção, foram investidos R$ 1,8 milhão, envolvendo 80 profissionais (21 atores e catorze músicos), 150 figurinos (dez para Claudia), 40 perucas, em um cenário de sete toneladas.

Os figurinos de Jarbas Homem de Mello têm inspiração fetichista, inspirados em desenhos eróticos alemães do final do século 19.

Ex-fumante, Claudia utiliza cigarros confeccionados com folhas de alface. Ela fuma dois em cena a cada sessão.

A peça deve ficar em cartaz em São Paulo até junho de 2012. Em julho do ano que vem, deverá viajar para o Rio de Janeiro.

Serviço
Local: Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2823 - Jardim América - São Paulo
Telefone 11 - 3083-4475
Horários: Quinta, 21h; sexta, 21h30; sábado 18h e 21h30; domingo, 18h.
Ingressos de R$ 40,00 a R$ 200,00
Censura: 14 anos
Duração: 2h30

Ficha técnica
Texto: Joe Masteroff
Músicas: John Kander
Letras: Fred Ebb
Versão Brasileira: Miguel Falabella
Direção de Coreografia: Alonso Barros
Direção Musical e Vocal: Marconi Araújo
Direção Geral: José Possi Neto
Produção Geral: Sandro Chaim
Elenco: Claudia Raia como Sally Bowles e Jarbas Homem de Melo como MC.
Guilherme Magon, Julio Mancini, Katia Barros, Marcos Tumura e Liane Maya,
Alberto Goya, Alessandra Dimitriou, Carol Costa, Daniel Monteiro, Fabiane
Bang, Hellen de Castro, Keka Santos, Leo Wagner, Luana Zenun, Luciana
Milano, Marcelo Vasquez, Mateus Ribeiro, Rodrigo Negrini e Tomas Quaresma.
Cenário: Chris Aizner e Nilton Aizner
Cenógrafos Associados: Renato Theoblado e Roberto Rolnik
Figurino: Fábio Namatame
Iluminação: Paulo César Medeiros
Design de Som: Tocko Michelazzo
Visagismo: Henrique Mello e Robin Garcia
Programação Visual: Fuego

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Pele que Habito: Corajoso, intrigante, bem alinhavado, inquietante...


Dizer que Almadóvar é genial tornou-se um lugar-comum. Há tempos não vamos assistir a um filme de Pedro Almadóvar, vamos ver um Almadóvar. E mais uma vez essa afirmação é constatada em “A Pele que Habito”.

É uma criação diferente, sem cores fortes e brilhantes, sem a comédia de escracho, sem os melodramas exacerbados, sem a discussão explícita sobre sexualidade, às vezes caricatual, comuns em suas películas. No entanto, ele conseguiu imprimir sua marca com todos esses ingredientes, de forma inversa, sutil e sombria. Incrível. É um destilar de sua essência.

Impossível sair indiferente da sala escura, após ver “A Pele que Habito”. O filme é intenso, prende demais a atenção a ponto de esquecermos que estamos no cinema. É um devorar da história, que ao mesmo tempo devora cada olhar dispensado. Inquietante, perturbador!

“A Pele que Habito” não deixa seus espectadores imunes. Ele provoca, angustia, penetra e mergulha nas profundezas da mente, sem explicação. O resultado, entre outros, é uma reflexão sem fim. Pelo menos nos primeiros três dias, depois de presenciar as cenas tão bem executadas.

O que falar dos atores? Todos ótimos e bem dirigidos, com mais ou menos aparições. Adoro diretor que dirige! E Pedro Almadóvar faz jus ao título. Frouxidão não é com ele. Dos enquadramentos a narrativa, ação, desfecho... Cada tomada demonstra cuidado e precisão.


A firmeza e segurança de Antonio Banderas ao interpretar Richard Legrand são disseminadas por todo o filme. Nada de mais, nem de menos. Convicto e fiel. Nenhuma redundante ideologia explícita, reproduzida do mundo contemporâneo, muito menos disfarçada. Que alívio!

Conhecido por explorar comumente o universo feminino no cinema, neste filme ele aprofunda-se muito assertivamente na atmosfera particular masculina. Um jogo cênico de psiques envolvendo a sexualidade, desejo, identidade, poder, paradoxos e a loucura, propriamente dita. Tudo na medida certa!

A atriz espanhola Elena Anaya diz tudo com os olhos, literalmente as janelas de sua alma, emanando a mescla sofrimento e ódio. Já vimos esse olhar lacrimejante extraído por ele, que vasculha o artista até o ponto final. Em quem? Na sempre Victoria Abril. Não?
Marisa Paredes, claro, está perfeita como Marília, a fiel empregada de Legrand, que esconde um grande segredo, entre outros mistérios pulverizados na trama.


“La Piel que Habito”, título original, é inspirado no romance de terror “Mygale”, do francês Thierry Jonquet, publicado em 1995, em seu país, e traduzido em 2003, como “Tarantula”, nos Estados Unidos e Reino Unido.

O filme conta a história de Richard Legrand, um bem-sucedido cirurgião plástico, que vive em uma mansão afastada do centro da cidade. Sua esposa é vítima de queimaduras graves, após sofrer um acidente de carro. Ele, então, dedica suas experiências a procura de uma pele resistente ao fogo, “perfeita”.

São muitas as reviravoltas, porém é um trágico acontecimento com a filha do médico que leva a narrativa para rumos surpreendentes e saborosamente indigestos.

Ficha Técnica

A Pele que Habito (La Piel que Habito), drama, 117 min, 2011
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar, baseado em livro de Thierry Jonquet
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet
Produção: Pedro Almodóvar e Agustín Almodóvar
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Direção de arte: Carlos Bodelón
Figurino: Paco Delgado
Edição: José Salcedo
Site oficial: http://www.sonyclassics.com/theskinilivein
Estúdio: El Deseo S.A.
Distribuidora: Sony Pictures Classics (EUA)/ Paris Filmes (Brasil)
Trailer do filme: http://www.snpcultura.org/pele_onde_eu_vivo.html

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Último Dançarino de Mao ainda no cinema

 
Depois de receber o prêmio de melhor filme, pelo público, na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, "O Último Dançarino de Mao" ainda pode ser visto na capital.

O longa-metragem é dirigido pelo australiano Bruce Beresford, cujo trabaho mais conhecido é “Conduzindo Miss Daisy”, vencedor de quatro Oscars em 1990, incluindo o de melhor filme.

Entrando na quinta semana em cartaz, o filme ainda pode ser visto no cinema. O roteiro é baseado na autobiografia do bailarino chinês Li Cunxin, com o título “Adeus China – O último bailarino de Mao”. Se você está em São Paulo nesse mês de férias, eis a sugestão!

O ator e bailarino Chi Cao interpreta Li Cunxin com primor na sua fase adulta. O próprio Li aprovou seu intérprete na tela. Cao, aliás, é filho de dois professores do personagem real na Academia de Balé de Pequim.

Criança, Li (nessa fase interpretado por Wen Bin Huang) vive com simplicidade ao lado dos pais camponeses e mais irmãos. Um dia sua aldeia é visitada por representantes do governo de Mao Tse Tung, recrutando candidatos para treinamentos artístico e atlético.


O menino é escolhido para estudar dança em Pequim, juntamente com outras crianças de sua e outras regiões. Ainda que emocionalmente divididos, os pais viam aí uma oportunidade de um futuro melhor para o filho.

Em Pequim, Li passa por treinamentos intensivos, dolorosos e, às vezes com palavras humilhantes vindas dos técnicos. A ideologia política é assimilada pelo garoto, já que por toda a parte há o enaltecimento dos valores da revolução comunista.

Uma visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972, dá início a um processo de aproximação com os EUA. A partir daí, começa a ocorrer um intercâmbio maior entre os dois países.

Com isso, o diretor do balé de Houston, Ben Stevenson (Bruce Greenwood), impressiona-se com o talento do bailarino chinês e o convida para uma temporada no Texas.

Lá, ele descobre uma realidade inteiramente diferente da de seu país. Momento em que a ideologia americana aparece como sendo melhor do que a chinesa da época, por pregar o velho clichê de um país, onde as pessoas são livres. Nesse aspecto há caricaturas e enaltecimento desnecessário do sonho americano, como a vida ideal, o melhor dos mundos para o ser humano.


Somando a idealização de vida e lugar perfeitos a sua paixão pela bailarina Elizabeth (Amanda Schull), Li decide ficar nos EUA. Essa decisão provoca um desconforto diplomático, acarretando uma sequência de acontecimentos dramáticos, embora pouco profundos.

As cenas de dança são nitidamente bem elaboradas. A excelente reconstituição de época (China), denota a bela direção de arte. A atuação de Bruce Greenwood (“Star Trek”) também merece destaque.

A emoção fica por conta da história de superação pessoal de Li, um garoto chinês mirradinho que, na vida real, tornou-se referência mundial, como bailarino, constituindo carreira nos EUA, e que, atualmente, vive na Austrália.

FICHA TÉCNICA

"Mao’s Last dancer" (O último dançarino de Mao), drama, 117 min., 2009, Austrália, cor, 14 anos.
Diretor: Bruce Beresford
Elenco: Bruce Greenwood, Kyle MacLachlan, Joan Chen, Chi Cao, Amanda Schull, Penne Hackforth-Jones, Christopher Kirby
Produção: Jane Scott Roteiro: Jan Sardi
Fotografia: Peter James Trilha
Sonora: Christopher Gordon
Distribuidora: Califórnia Filmes

TRAILER DO FILME

SOBRE O DIRETOR

terça-feira, 2 de agosto de 2011

RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 2 COMPLETA OS 10 ANOS DE HARRY POTTER NA VIDA DO CINEMA

Está sendo impossível não comentar o último filme do bruxinho, “Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2”. Se você ainda não assistiu ao filme, vale a pena a experiência, principalmente, se a película for vista em 3D ou Imax.


Apesar da escuridão, o que não é novidade, já que as cenas escuras estão presentes nas outras sete produções da série, os efeitos especiais são tecnicamente bem apurados e cuidados.
O Harry, que vem se “humanizando” a cada título, em ”As Relíquias...” algumas vezes utiliza seus poderes, contando mais com seus aliados para as tais magias. No entanto, o filme não perde o elemento fantástico, o qual prima por se conectar com o mundo imaginário da plateia, fã ou não da série.


O enredo, bem amarrado, apresenta seguidas cenas de ação, o que torna o filme dinâmico, apesar de, em certos momentos, previsível. A grande surpresa é o tratamento dado ao destino do herói. Potter, mesmo demonstrando medo, caminha disposto a pagar com a vida a liberdade de Hogwarts, simbolicamente representando o mundo. Ponto em que a história mais sustenta o suspense, surpreende e emociona.


A trama dá seguimento à busca do carismático Harry (Daniel Radclife), juntamente com seus fiéis amigos Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), pelas poderosas horcruxes. São três. O objetivo é destruí-las, e, assim, livrar o mundo do vilão Lorde Voldemort (Ralph Fiennes). Com isso, você pode imaginar o final, mas o que interessa é o trajeto (em 3D) para tal proeza.

“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” tem mais sangue, mas não passa da conta. É entretenimento apenas, mas tem suas qualidades. Portanto, preconceito de lado, não espere, mesmo, conceitos e continuidades profundas, e aproveite a despedida, que, por sinal, é muito melhor do que a apresentação.


Os atores e personagens, também presentes nos sete filmes, mantiveram coerência e coesão até o fim. Foi bom vê-los crescer e ainda mais testemunhar as várias fases - da infância à idade adulta. Principalmente o trio Harry, Hermione e Rony, e seus respectivos atores.


Vale mencionar Neville Longbottom (Matthew Lewis), o gordinho dentuço, com aparições engraçadas, que se transforma em um corajoso jovem nesta aventura. Fiel a Harry, ele ocupa um lugar de liderança entre pais e alunos de Hogwarts.

Severus Snape tem destaque neste aguardado desfecho. Ele faz grandes revelações, na pele do ótimo Alan Rickman. Ralph Fiennes, como Valdemort tem mais cenas e abusa da magia e efeitos especiais.


Mais de 7 bilhões de dólares
A franquia está sendo considerada a maior da história. Foram 10 anos, milhões de fãs pelo mundo e bilhões de dólares angariados. Com certeza também incentivou a leitura entre os jovens. Sete livros publicados.


As elaboradas linhas de J. K. Rowling entrou para a história do cinema. Quem não leu os livros, entende os filmes. Já os fãs da literatura, na maioria, aprovam as adaptações cinematográficas.
A assessoria de imprensa da Warner informou, dia 25 de julho, que a franquia ultrapassou os sete bilhões de dólares em bilheteria no mundo. No Brasil, a oitava aventura registrou a maior renda, na semana de abertura, com aproximadamente R$ 30 milhões.

Em sua primeira semana em cartaz, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” arrecadou mais de US$ 640 milhões nos cinemas mundiais.

Individualmente, os números registrados pela franquia são: “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, US$ 974.755.371; “Harry Potter a Câmara Secreta”, somando US$ 878.979.634; “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, com US$ 796.688.549; “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, no total de US$ 896.911.078; “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, apresentando US$ 939.885.929; “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, somando US$ 934.416.487 e “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”, com US$ 955.417.476.

Sites com conteúdo e download
Para cativar ainda mais o público, a Warner Bros. Pictures divulgou dois novos sites de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”. Um dele é um “Tradutor de Ofidioglossia”, que permite ao usuário escrever qualquer frase e depois escutá-la na língua das cobras, habilidade dominada por Harry e Voldermort.

O outro, intitulado “Canto dos Trouxas”, possibilita que os fãs baixem vídeos, imagens, pôsteres e papéis de parede, entre outros itens ligados à franquia.

Site:
www.asreliquiasdamorte.com.br

Tradutor de Ofidioglossia:
http://parseltonguetranslator.warnerbros.com/br

Canto dos Trouxas
http://www.mugglehub.com/?region=BR

Ficha técnica:
Harry Potter and the deathly hallows: Part two - “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, Aventura, em 2D, 3D e IMAX.
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves – que segundo fãs, seguiu ao pé da letra as passagens do livro.
Produtores: David Heyman e David Barron

Recordando
A apresentação ao mundo mágico de mister Harry Potter foi em "A Pedra Filosofal", depois em "A Câmara Secreta". Descobriu que tinha um parente vivo em "O Prisioneiro de Azkaban". Aí participou de um campeonato e presenciou a volta de seu arqui-inimigo em "O Cálice de Fogo". Continuou sua saga em "A Ordem da Fênix" e em "O Enigma do Príncipe" (onde tomou conhecimento sobre as horcruxes). Agora, fim da década. Fim da jornada heróica?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

MELANCOLIA TERÁ PRÉ-ESTREIA A PARTIR DESSA SEXTA-FEIRA

O novo filme de Lars Von Trier estreia dia 5 de agosto, porém se você não quer esperar até lá, anote: a partir de sexta, 29, “Melancolia” conta com pré-estreias nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Em São Paulo, as sessões serão apresentadas nos cinemas Cidade Jardim (de 29 a 04/08 - exceto segunda, 01/08), Kinoplex Itaim, dias 29 e 30, Arteplex Pompeia, 30, e Multiplex Bristol e Iguatemi, de 29 a 04/08.

No Rio de Janeiro, no Kinoplex Fashion Mall, de 29 a 31/07, Arteplex, dia 30, e na Estação Sesc Espaço, Estação Sesc Barra Point, Estação Sesc Botafogo e Estação Vivo Gávea, de 29 a 04/08.

Porto Alegre recebe as películas no Guion Center e Moinhos, de 29/07 a 04/08, e no Arteplex, dia 30 de julho.

Em “Melancolia”, o tema do sempre polêmico Von Trier é a angústia do ser humano. Para materializar esse sentimento, ele traz um fato bastante temido e ao mesmo tempo instigante: o final do mundo.

O cineasta dinamarquês, um dos criadores do manifesto “dogma 95”, escreveu e dirigiu “Melancolia”. No filme Justine, interpretada pela atriz Kirsten Dunst (a Mary Jane, de “Homem-Aranha”, casa-se com Michael (Alexander Skarsgård, o Eric Northman, de True Blood). Durante a suntuosa festa de casamento na residência de sua irmã, a controladora Claire (Charlotte Gainsbourg, de “Anticristo”), e do cunhado John (Kiefer Sutherland, da série “24 horas”), o planeta Melancolia caminha em direção a Terra.


A aproximação entre os dois planetas causa uma série de eventos destrutivos, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Mas o destaque vai para as reações diferentes das irmãs.
O fim do mundo já foi explorado no cinema em diversas produções. Agora, neste disaster movie (filme-catástrofe), a atmosfera é sombria, misteriosa e repleta de profundidade psicológica e belíssimas imagens.


Lars Von Trier repetiu o feito. Em 2009, a inglesa Charlotte Gainsbourg (filha de Jane Birkin e Serge Gainsbourg) recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, pela atuação em sua película “Anticristo”. Neste ano, a americana Kirsten Dunst foi premiada como Melhor Atriz, no mesmo Festival, por “Melancolia”.


O cineasta ganhou a Palma de Ouro por “Dançando no Escuro” (2000). Recentemente, durante uma conferência de imprensa no Festival de Cannes, ele brincou, por várias vezes, com a sua fama de maltratar as atrizes no set.


Porém, os comentários na mídia têm girado em torno de uma declaração considerada imprópria. Indagado sobre a cultura alemã nos seus filmes, ele respondeu: “Houve um tempo em que eu queria ser judeu, mas descobri que sou mesmo um nazista. Eu entendo o Hitler. Não é um cara que vocês considerem bonzinho, mas o compreendo... Mas deixe explicar: eu não vivi a Segunda Guerra, e não sou contra os judeus, nem mesmo a Susanne Bier (diretora de ‘Em Um Mundo Melhor’, vencedor do Oscar de filme estrangeiro). Não gosto muito de Israel... Mas enfim, como eu saio dessa frase agora?”.

Ele desculpou-se depois, mas não adiantou.Infelizmente, o diretor foi expulso pelo conselho dirigente do festival.

Curiosidade
O cineasta trabalha em um projeto pessoal em que roda três minutos de filme todos os dias em diferentes locais na Europa. A sua intenção é realizar este trabalho durante 33 anos e - como ele teve início em 1991 - a previsão é de que o filme seja lançado em 2024.

Serviço:
Melancholia - “Melancolia”, Ficção Científica, 130 minutos, 2011, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Suécia.
Estreia no Brasil, dia 5 de agosto. É distribuído nacionalmente pela California Filmes.

Assista ao trailer oficial no link: http://www.californiafilmes.com.br/Trailer/Melancolia.wmv

E a cenas nos seguintes endereços:
http://www.californiafilmes.com.br/EPK/Melancolia/Cena1.wmv
http://www.californiafilmes.com.br/EPK/Melancolia/Cena2.wmv
http://www.californiafilmes.com.br/EPK/Melancolia/Cena3.wmv

Ficha técnica
Direção: Lars von Trier
Atores: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Alexander Skarsgård e Charlotte Rampling, John Hurt, Stellan Skarsgård, Udo Kier e Jesper Christensen

terça-feira, 12 de julho de 2011

“Meia-Noite em Paris”: o realismo fantástico de Woody Allen está de Volta

Primeiro em “ A Rosa Púrpura do Cairo” (1985), depois, levemente, em “Neblina e Sombras” (1991) e, agora, a realidade dá vazão ao mundo imaginário, no enredo de “Meia-Noite em Paris”.

Em minha opinião, você não pode deixar de assistir ao mais recente filme de Woody Allen, “Meia-Noite em Paris”. Principalmente, se você é amante das artes. Qualquer arte... uma arte... duas artes... ou todas as artes.

O filme, genialmente, nos leva a um mundo fantástico, mesclando a realidade da dura vida com seus conflitos existenciais e o desejo de ter vivido na época em que mais se admira, exalta.

Na minha fase do ensino fundamental, sonhava com a “Belle Époque”, por influência da dona Nanci, uma professora de História, apaixonada pela França do final do século XIX. Quando eu cursava jornalismo lamentava, com uma quase revolta, não ter lutado contra a ditadura militar brasileira. No curso de letras, o desejo era ter presenciado a “Semana de Arte Moderna”, no Teatro Municipal, do começo dos anos de 1900, em São Paulo. E por aí vai...

E é com essa fascinação pela magia histórica-política-intelectual dos anos de ouro, que Woody Allen vai brincar. Desculpe-me o termo, mas ele brinca nesse filme. Essa brincadeira é tão atraente, que será impossível resistir ao convite majestoso do cineasta.

É um transportar pela tela a encontros divertidos e emocionantes com artistas americanos “desprezados” em seu país, mas acolhidos na Paris, da década de 20, como a poetisa Gertrudes Stein, o músico Cole Porter e os escritores Ernest Hemingway e Francis Scott Fitzgerald. A homenagem estende-se aos europeus como Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Gauguin e Luis Buñuel, entre tantos outros que garantem o deleite.

A cada aparição, um impacto, que começa com a revelação da personagem, passeia pela atuação daquele ator que a encarna e finaliza com acontecimentos históricos, engraçados e, muitas vezes, cativantes, ao olhar da plateia. Público, que, em meio a suspiros e sussurros, demonstram surpresa e vontade de continuar aquelas prosaicas discussões, que hoje são dissertações de pesquisas científicas.

Um cinema nonsense, repleto de delicadeza. Por meio do realismo fantástico, ele traz a reflexão sobre o quanto o ser humano é insatisfeito com o presente, em algum nível, e, essencialmente, mostra a sua busca pela pessoa que o fará se sentir imortal, capaz, forte e feliz. Isso, sem aludir aos motes do príncipe que luta para livrar a princesa do mal ou de “Romeu e Julieta” etc, os quais continuam sendo fortes vetores em filmes e novelas...

No roteiro, estão formadas as confusões amorosas, os valores familiares americanos, a neurose feminina, canalizada na realização de um casamento com um homem bem-sucedido e o soberbo mundo americano dos negócios (levemente tratado).

Esses panoramas contrapõem ao clima romântico da cidade-luz, a atmosfera granulada e brilhante de uma película, que ora valoriza o contraste claro-escuro, ora lança mão dos holofotes e closes em pessoas e objetos.

Para expressar esses sentidos, Woody Allen criou o protagonista Gil Pender (Owen Wilson, de “Marley e Eu”), um roteirista norte-americano super bem cotado em Hollywood, mas claramente frustrado. Seu desejo é deixar essa vida da indústria pipoca em rede e tornar-se escritor de bons romances. A angústia desse homem indeciso e inseguro é perturbadora.

Ele e Inez (Rachel McAdams, “O Diário de uma Paixão”) estão prestes a se casar e, acompanhando os pais da moça, eles visitam Paris. Gil quer ficar e ela, exageradamente superficial, odeia a possibilidade de deixar os Estados Unidos.

Owen é o alterego de Woody Allen e Gil é o próprio; com direito a gestos, neuroses, gagueiras e expressões faciais do cineasta, quando atuava em seus filmes. Incrível, eu não tinha notado em “Marley e Eu” essa grande semelhança! Ou melhor, uma perfeita fusão. Admirável!

A musa de Allen, dessa vez, é a charmosa Paris, principalmente nas noites de chuva. Mas as tomadas começam durante o dia, revelando a rotina e os pontos turísticos da capital. As cenas vão até a meia noite. Nesse período, como em um conto de fadas, o sino badala e o sonho entra em ação. (sem efeitos especiais).

Viagens pelo tempo em que Gil, a cada retorno, toma mais consciência de sua vida e de seus segredos. Vale destacar sua paixão por Adriana (fetiche de Mondigliani e Picasso). Contrapondo ao exagero de Inez, a construção de Adriana resultou em uma bela estudante de moda, sensual e fascinante, muito bem interpretada pela excelente Marion Cotillard (“Piaf - Um Hino ao Amor").

Contudo, “Meia Noite em Paris” explora a imaginação, leva o espectador para um belíssimo passeio e ainda garante risos descontraídos. Experimente! É digno de adoração!

Ficha técnica:“Meia-Noite me Paris” (Midnight in Paris), 100 min., 2011, Paris
Diretor: Woody Allen
Atores: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Kurt Fuller, Mimi Kennedy e Carla Bruni, como guia turística.

terça-feira, 5 de julho de 2011

FLUXUS 2011: CURTA-METRAGEM PELA INTERNET

Se você quer ver filmes sem sair de casa e sem alugá-lo em uma locadora e nem vê-los por TV a cabo, aproveite o Fluxus 2011 (Festival Internacional de Cinema na Internet).

São 34 filmes, de curta duração, produzidos entre 2010 e 2011, em 18 países como Coreia do Sul, França, Espanha, Turquia, Suíça, Rússia, Indonésia e, óbvio, Brasil, entre outros.

Você também participar da exposição dessas mesmas produções no Sesc Pompeia, que começou no dia 29 de junho. Lá, os curtas estão divididos em 12 telas, em que é possível transitar. Quer dizer: você pode escolher qual título quer assistir, trocar, ir e vir, de acordo com sua vontade. Além disso, não há sessões, nem horários marcados.

Esta é a oitava mostra competitiva do Fluxus. Portanto, pela Internet, ainda é possível votar nas produções que mais gostou. Há curtas para variados gostos. Entre os gêneros estão ficção, documentários, animações e vídeos experimentais.

A iniciativa, que vai até o dia 31 de julho, propõe um deslocamento dos espaços convencionais para ver e compartilhar o audiovisual. Para os organizadores, o lugar onde se assisti a uma película não precisa estar contido apenas nas salas escuras do cinema, “pode ser aquele que receber o olhar interessado do seu espectador”.

O único problema é que a banda larga no Brasil, ou seria a banda larga oferecida pelas operadoras brasileiras, está aquém de sua oferta. Por isso, é necessário deixar, por alguns minutos, carregando os vídeos para em seguida assisti-los, já que é comum travar a exibição. Experimente! Bom Festival!

Para votar e assistir aos curtas, acesse o site http://www.fluxusfestival.com/

Serviço:
Fluxus 2011 (Festival Internacional de Cinema na Internet)
De 29 de junho a 31 de julho
Exposição no Sesc Pompéia: De terça a sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 20.
Rua Clélia, 93 – Pompéia – (11) 3871-7700 (11) 3871-7700
http://www.sescsp.org.br/

Programação Online:
http://www.fluxusonline.com/2011/