quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Bastante dinâmico...

Leopoldo Pacheco, que terminou em setembro do ano passado, suas gravações interpretando o empresário Raul na novela global “Beleza Pura”, já começou a decorar as falas do prefeito Norberto do remake de “Paraíso” (1983), que será a nova trama das 6, da TV Globo, com estréia prevista para março.

Em outubro e novembro, ele gravou uma minissérie com Renato Aragão. Em dezembro foi um dos atores da leitura dramática da peça “Noite de Reis”, de William Shakespeare, realizada no mosteiro de São Bento, região central da cidade de São Paulo. Também em março, ele volta ao palco com “Amigas, Pero no mucho”, de Célia Regina Forte, no Teatro Renaissance.

Com 23 anos de carreira, Leopoldo coleciona importantes prêmios como ator. Entre eles, o Prêmio Shell, o Prêmio Mambembe, o Prêmio Governador do Estado e o Prêmio pela Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA.

O sólido trajeto como artista o lançou na televisão em papéis marcantes como o libanês Samir da minissérie "Um Só Coração" (TV Globo, 2004), o vilão Leôncio da novela "Escrava Isaura" (TV Record , 2005) e o bom moço Cemil da novela "Belíssima" (TV Globo, 2006). Em 2007, esteve na minissérie "Amazônia" e participou de "Paraíso Tropical", ambas na Globo.

Sobre o não sucesso da peça “A Javanesa”

Eu acho que eu não estava no teatro certo, na época certa. O espetáculo é maravilhoso. Mas o Jaraguá (teatro) não era conhecido do público na época e era um monólogo. Eu acho que as pessoas têm reticências a monólogos. É um espetáculo do meu coração e eu ainda vou fazê-lo muito.

Filme "Veias e Vinhos - Uma História Brasileira" (2006)

Foi o primeiro filme que eu fiz inteiro, pois em “Carandiru” e “Feliz Ano Velho” fiz participações. Eu adoro esse filme e lamentei muito por ele ter sido pouco visto. É um filme lindo, a história é linda. Ele foi feito de um jeito muito especial. Eu gosto muito da maneira como o João (João Batista de Andrade) conduz o cinema dele.

Outro filme pouco assistido que fala sobre política e, também, da época de tortura é “Batismo de Sangue”. Por que o brasileiro não gosta de ver a sua própria história?

O mundo sempre vai acabar nos filmes americanos. E eles partem do princípio de que têm os heróis todos para resolver o mundo. Isso, eu ainda, verdadeiramente, não gosto muito de ver. Nos nossos filmes nós também temos os nossos heróis e o nosso fim do mundo e é sobre eles que nós vamos falar. Eu não me incomodo com o tema (tortura) nem um pouco.

No teatro, as pessoas também não gostam muito de drama.

Não só no Rio, mas em São Paulo também. Eu vejo que as pessoas estão querendo ver mais uma comédia bem leve do que um drama. Elas não querem pensar, não querem sofrer. Acho que não é um desleixo com o teatro e, sim, um estado das pessoas. Elas estão cansadas e não querem sofrer mais. Porém, o teatro ainda mantém um público que ainda gosta do drama e da tragédia. O teatro ainda mantém um pouco isso.

A televisão dilui esse público?

Dilui sim, bastante. Uma televisão tem alcance de um público infinitamente maior do que o teatro. O teatro perdeu muito público para a televisão. A televisão ganhou esse público.

Em recente pesquisa detectou-se que jovens, entre outros, não sabem o que foi o AI-5, como você vê essa questão entre eles?

Eu vejo pelo meu filho que tem 14 anos. Eu fico de todas as maneiras lutando contra essa necessidade do agora que essa molecada tem. Eles têm de dar certo em tudo. E tudo tem de ser agora. Eles estão esquecendo da calma, de respeitar um certo período para que as coisas aconteçam. Eu acho que a Internet trouxe essa rapidez. Ela tem um lado muito bom. O meu filho é inteligentíssimo, rápido, mas tem um outro lado que acaba perdendo o fio da história.

Esse fio é a despreocupação com o passado e com o lado poético dos acontecimentos?

Eu sinto que sim.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Depois de publicar, no último dia 28 de novembro,...

... um texto sobre a exposição “Rebobine, Por Favor”, presente no MIS (Museu da Imagem e do Som) até 11 de janeiro de 2009, o seu Blog É todo um RÊ-TÊ-TÊ traz hoje trechos da entrevista coletiva com o cineasta francês Michel Gondry, idealizador e curador da mostra.

Ele, que começou dirigindo vídeo clipes, é também o diretor do filme “Rebobine, Por favor” (Be Kind Rewind), em cartaz na cidade de São Paulo desde o dia 12 deste mês.

Em uma clara homenagem aos sucessos do cinema dos anos 80, a película conta a história de um dono de uma locadora (Danny Glover) em apuros diante da concorrência, que passa a investir em estruturas mais modernas, atraindo seus clientes.

Sem dinheiro, ele sequer tem condições para as reformas básicas que a prefeitura exige em seu prédio. Então, o proprietário opta por estudar o novo negócio dos digital video discs, deixando o ajudante Mike (Mos Def, de 16 Quadras) gerenciando o seu estabelecimento.

Mike tem um amigo desmiolado, Jerry (Jack Black), que acaba desmagnetizando acidentalmente todas as fitas da locadora. Desesperados, eles “refilmam” as histórias, utilizando antigos recursos do cinema.

A intenção é “refazer” no quintal de casa filmes como “O Rei Leão”, “Os Caça-Fantasmas”, “Hora do Rush” e “Conduzindo Miss Daisy”, entre outros.

Além de recompor as prateleiras, os trapalhões também não querem perder a fidelidade da única cliente da loja, vivida por Mia Farrow.

Entrevista

Michel Gondry ficou mais conhecido após ganhar o Oscar de melhor roteiro pelo filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (2004), o qual também tem a sua assinatura como diretor.

Muito discreto e quase tímido, o cineasta falou, durante a sua primeira vinda ao Brasil, sobre o seu livro “You´ll Like This Film Because You´re In It: The Be Kind Rewind Protocol”, a exposição, o filme e suas experiências inusitadas ao realizar workshops reunindo pessoas leigas, no que diz respeito à sétima arte, pertencentes a diversos países onde tem visitado.

Sobre o argumento e a exposição do “Rebobine, Por favor”

Basicamente essa idéia surgiu há duas décadas, quando observava alguns cinemas sendo esvaziados na cidade de Paris, por causa da concorrência das salas maiores, as quais exibiam filmes blockbusteres. Pensei em aproveitar essas salas menores, que estavam sendo abandonadas e transformá-las em estúdios para realizar filmes caseiros. Abandonei essa idéia durante alguns anos e a retomei depois de filmar “Rebobine, Por favor”. Isso porque eu comecei a pensar sobre como seria se as pessoas fizessem filmes caseiros e os exibissem para elas mesmas. Daí peguei os cenários do meu filme como ambientes para essa exposição e aproveitei essa antiga idéia, utilizando os cenários como uma espécie de estúdio.

Novas tecnologias

As novas tecnologias e a Internet ajudam a produzir e divulgar esses materiais audiovisuais. Mas essa facilidade em produzir esses materiais tem afastado as pessoas do convívio comunitário, pois hoje tornou-se fácil fazer uma produção caseira dentro de seu quarto e depois divulgá-la na Internet, que será visto por pessoas dentro também de seus quartos. Por isso, tive a idéia de fazer dessa exposição, uma maneira de as pessoas produzirem seus filmes caseiros de forma comunitária e fora de seus quartos, no local da exposição. Juntar as pessoas num mesmo espaço, estimulando a participação conjunta entre elas.

Sua visão é crítica em relação a essas novas tecnologias?

Acho que você tem de ter um controle sobre o uso dessas mídias. Eu quando chamei o meu filho para morar comigo, disse a ele que não teria videogame. Mais tarde também tirei a TV dele. Percebi que com o tempo, isso nos ajudou a ficar mais criativos. É importante controlar o quê você vê, senão, você será controlado por isso.

Como você vê uma pessoa influenciada por suas idéias?

Na verdade eu prefiro muito mais estimular uma pessoa com o meu trabalho do que influenciá-la. O estímulo ajuda as pessoas a serem mais criativas.

Nunca ficou tentado a aceitar um convite de Hollywood?

Já houve uma aproximação entre nós, mas as pessoas [dos estúdios] se aproximavam de mim sem conhecer o meu trabalho, a minha filosofia... Eles não estavam interessados nas minhas idéias. Elas queriam apenas agregar seus selos aos meus projetos. Não me identifico com a forma de trabalho deles. Além disso, há coisas que desprezo em Hollywood, como o tratamento que eles dão aos personagens nos filmes. Todo mundo é apenas bom ou apenas mau. Os ricos são sempre maravilhosos e os pobres sempre estúpidos.

Sobre projetos em andamento

Tenho vários projetos que quero realizar. Estou fazendo uma animação com o meu filho. Há uma experiência que estou tendo com algumas crianças dentro de um ônibus escolar. Percebi que algumas delas ficam retraídas, quando estão todas juntas dentro do ônibus. Quando elas ficam em número reduzido seus processos criativos se ampliam. E têm outros projetos que ainda estou pensando.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Madonna no Brasil

Conforme a mídia, a platéia brasileira, Rio de Janeiro e São Paulo, foi a mais animada, mais empolgada, mais festejada, a mais devota de Madonna. As afirmações foram atribuídas à equipe da estrela, aos organizadores dos shows e a ela própria.

A deusa mencionou a amabilidade de seus “súditos” brasileiros em todas as ocasiões que pôde, seja durante suas apresentações e passagens de som.

No último, domingo, dia 21, em São Paulo, ela - trajando calça de ginástica preta, modelo pescador, uma camiseta preta e tênis também preto cantou “Don´t Cry for me, Argentina”, substituindo aquele país por São Paulo. No decorrer do ensaio, também dançou, cantou e pulou corda.

Ela prestava atenção em cada detalhe e descontraidamente leve brincava com a calorosa platéia. Um grande presente para quem enfrentava a chuva.

Ao se despedir, a musa disse para as pessoas rezarem, pedindo que parasse a chuva. Atendendo ou não às preces, São Pedro fechou a torneira e a rainha, depois de um atraso que já ficou esquecido na memória de seus fãs, entrou triunfante sentada em seu trono.

Mas por que Madonna é ainda um fenômeno em solo brasileiro, mesmo sem subir ao palco por 15 anos? A fidelidade e lealdade são notórias em todas as faixas etárias. Era possível ver crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, tanto na pista quanto nas arquibancadas, cadeiras e camarote.

Os heróis brasileiros morreram de over dose, como já dizia Cazuza, no século passado. E Madonna é tratada como uma heroína e muito mais...

Ela disse no último show que tinha muita sorte. A diva reconhece! As mulheres olham para ela e vêem uma mãe realizada. Três filhos saudáveis. A mais velha, Lourdes Maria, é fruto de um envolvimento com seu ex-personal trainer, Carlos Leon. Fetiche para muitas!

O segundo da prole, Rocco, é um belo menino, resultado de um casamento de oito anos com o dislexo Guy Ritchie, cineasta inglês, nascido em Hertfordshire. Transformar (de certa forma) a vida em filme é arquétipo coletivo.

E, por último, ela ainda arruma espaço para amar (é o que se espera) o filho adotivo David Banda, que conheceu em sua fundação "Raising Malawi". O processo de adoção legal do garoto africano perdurou por dois anos. Admirável, não? (sem mencionar outros artistas hollywoodianos, os quais iniciaram a ação).

Além disso, ao final do show, era comum ouvir mulheres dizerem que a partir daquela noite o destino certo era uma academia de ginástica e uma reeducação alimentar. A boa forma de Madonna é contagiante, senão invejável.

Muitos homens estavam preocupados com as finanças da artista. Não raro ouviam-se comentários sobre a arrecadação dos shows, da turnê e, também, em relação ao corpo malhado, à ousadia e energia da diva.

Carência de ídolos? De bons exemplos no Brasil? Sem dúvida a auto-imagem idealizada - conscientes e inconscientes - de muitos brasileiros vão ao encontro das concretizações reais de Madonna, por esses e muitos outros RÊ-TÊ-TÊs.

Alguns famosos também renderam-se ao "encanto da flauta", deixando de ser estrelas para se tornarem tietes. Preta Gil e Luana Piovani, por exemplo, seguiram a musa do Rio a São Paulo. Já Hortência (ex-jogadora de basquete da seleção) levou os filhos para apresentar Madonna como um bom exemplo, quando o assunto é bem-estar e qualidade de vida.

A mídia, então, nem se comenta. Falaram bem (na maioria das reportagens) ou muito mal como Jotabê Medeiros, na desnecessária e gratuita crítica negativa, publicada no Estadão Online, no dia 12 de dezembro, que parece ter sido retirada do ar.

No palco, a diva é mesmo magnetizante. Quase impossível tirar os olhos. E não adianta falar mal, o público prova que ela tem seus atrativos, cantando bem ou não. A paixão que ela desperta é indiscutível. Incrivelmene cativante. A auto-estima da cantora, dançarina e, raramente atriz, está mesmo em alta!

Se realmente somos auto responsáveis por tudo que temos, já que somos quem criamos e pensamos ser, conforme a lei da atração tão divulgada no Brasil, principalmente nos anos de 2006 e 2007, por meio de filmes e livros como “Quem somos nós?” e “O Segredo”, Madonna criou toda a atmosfera em que vive.

Em uma de suas entrevistas, ela afirmou querer ser Deus. Se Deus é simpático, ela de fato é uma deusa. Na passagem do som de domingo, carisma e atenção não faltou ao público.

Falante e feliz, parecia apossar da sensação de dever comprido. Mais tarde a impressão foi confirmada na final “Give it to me”, quando foi abraçada pelos dançarinos e derrubada no chão, sem perder o ótimo humor. Antes, emocionada chorou ao cantar “You must love me” e agradecer aos filhos, à equipe, aos fãs por tamanha felicidade!

O lado milimetricamente profissional da artista também foi evidenciado. Seja na troca de roupa, em que tudo é altamente esquematizado e pensado, até os passos precisos e sincronizados que realiza com seus super dançarinos.

Ela controla tudo! Precisa estar segura de que tudo dará certo, não se importando com as acusações sobre a maneira de fazer shows mecanizados.

Mecânico sim. Porém impecável. A diva realmente não “entrega pra Deus”. É muita tecnologia, muitos profissionais envolvidos... Muita responsabilidade. Quem sabe ela poderia ensinar esse profissionalismo ao staff da “Tickets For Fun”, que deu um show de incompetência na sua vinda para o Brasil, pelo menos.

Na quinta, dia 18, ingressos nas mãos dos cambistas custavam cerca de 10 a 30% dos valores oficiais, vendidos (muito mal) pela Internet e nas bilheterias. Já sábado e domingo era possível achar lugares pela metade do preço. Sem contar a cobrança da infame taxa de conveniência.

Cambistas e empresários da área de turismo que pretendiam lucrar com os shows foram ludibriados pela ganância. Alguns deles resolveram salvar o medíocre “negócio”, comprando mais barato de quem não assistiria ao show, por diversos motivos, e vendendo mais caro.

No domingo, um grupo de sete pessoas vendeu para um dos “negociantes” tíquetes na pista por R$ 30. Depois da transação, esse mesmo “comprador” oferecia os mesmos bilhetes por R$ 150. E, ainda, havia orgulho ao exercer a “profissão”!

“Compra de mim que sou cambista. Ele é amador. Eu tenho os ingressos. Sou profissional”, disse um, disputando a venda, em frente à entrada para a arquibancada azul, naquela tarde chuvosa.

Além da grande margem de chances para essa imensa vergonha, que passou desapercebida pelas autoridades responsáveis, a 4 Fun pecou também na distribuição.

Próximo das datas dos eventos, muita gente foi trocar seus tíquetes nas bilheterias do Credicard Hall. Eles estavam sem o código de barra. E, portanto, na hora da entrada por não haver leitura seriam considerados falsos. Pode?

No início, as pessoas precisavam comparecer aos guichês da casa de espetáculo por mais de uma vez, pois era exigida a fatura do cartão de crédito. Muitas tiveram de pedir a segunda via, esperar o reenvio, para depois efetuar a troca.

Ao final, talvez porque a notícia se espalhou e vários fãs estavam na mesma situação, bastava apresentar os ingressos “falsos”, vendidos nas bilheterias oficiais do evento e trocá-los. Eu participei dessa leva!

Para a próxima, se houver, a equipe técnica da Madonna deveria preparar um workshop para o grupo de amadores da 4 Fun. Vamos torcer!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mostra Bertolucci

A abertura da mostra “Estratégia do Sonho: O Primeiro Cinema de Bertolucci” foi realizada ontem no CCBB, com os documentários “Carta a Bertolucci” (1993), de Marcos Jorge, e “Bernardo Bertolucci: Pra que Serve o Cinema?” (2002), de Sandro Lai.

Após as projeções, ocorreu um debate esclarecedor sobre a obra do cineasta e algumas curiosidades de sua vida. Uma delas é a paixão do diretor pelo Brasil, com ênfase, à Bahia, estado que alinhavou laço estreito, em função de sua amizade com Glauber Rocha e Caetano Veloso, entre outros artistas.

Bertolucci não pôde participar do evento e tampouco deu entrevista à imprensa, por estar se recuperando de uma cirurgia mal sucedida que sofreu, na Suíça, em decorrência de problemas na coluna.

No entanto, o cineasta enviou - especialmente para a mostra - um vídeo gravado por ele, contendo uma carinhosa mensagem. Entre outros fatores, ele manifestou a honra ao receber a homenagem, a admiração que tem pelo País e sua arte, a importância do cinema em todos os tempos e sua vontade de participar dos debates em São Paulo e Rio de Janeiro, onde o evento começou primeiro e termina neste domingo.

O objetivo da programação é revelar o "mundo desconhecido" de Bernardo Bertolucci. É a primeira vez, no Brasil, que acontece uma abordagem da fase inicial de sua filmografia (1962 a 1979).

O acervo reúne curtas, clássicos e documentários sobre o cineasta italiano como “Novecento” (1976), “A Via do Petróleo” (1967) e “A Saúde está Doente” (1971).

Sua estréia no cinema deu-se com o filme “La Commare Secca”, em 1962, porém, ele ganhou notoriedade mundial com o “O Último Imperador” (1987), vencedor de 9 Oscar, incluindo os de melhor filme e melhor diretor.

O mestre do cinema moderno popularizou-se também com os provocadores “O Último Tango em Paris” (1972) e “La Luna” (1979).

Onde?
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112
Tel. 11- 3113-3651
70 lugares
De 17/12 a 4/1/09 – quarta a domingo
R$ 4 e R$ 2 (meia-entrada)
Programação completa no site http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/DetalheEvento.jsp?Evento.codigo=33082&cod=2

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Saramago II

Segunda parte da entrevista coletiva com José Saramago.

Literatura

“Sempre me perguntam se a literatura pode salvar o mundo. Quantas obras literárias foram escritas e se tornaram monumentos extraordinários da criatividade humana com seus grandes temas filosóficos e religiosos, e nem por isso conseguimos mudar os rumos da história”.

Corrupção

“Quantos delinqüentes há no mundo? Seria interessante fazer essa sondagem e perguntar quantas pessoas estão diretamente e indiretamente ligadas à delinqüência e a corrupção? Ficaríamos estarrecidos se soubéssemos a quantidade de pessoas ligadas a isso”.

Pensando certo, fazendo errado

“Quando poderíamos imaginar pais que não têm mais autoridade sobre seus filhos. Esses reis e rainhas do mundo fazendo o que acham que tem de ser feito. Depois vão sofrer os encontrões e reversões da realidade, quando não tiverem, para se defender, a áurea e a esperança que a juventude transporta consigo”.

Quem é pessimista?

“Dizem que sou bastante pessimista. Eu não sou pessimista é o mundo que é péssimo”.

Panorama mundial

“O homem bom almeja um mundo melhor. Pode parecer tolice, mas para mudar esses acontecimentos absurdos que vemos hoje, é preciso resgatar a bondade. Ela é inerente ao ser humano e deve ser resgatada. Deve ser vista, colocada em evidência. Não podemos mudar a vida e não mudarmos de vida!”.

* Foto de Saramago aos 10 anos. Arquivo Fundação José Saramago

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Entrevista com Saramago

Recentemente o admirável e respeitado escritor José Saramago esteve em São Paulo para lançar mundialmente o seu mais recente livro “A Viagem do Elefante”.

A ocasião foi publicada neste blog, no dia 26 de novembro, no formato de narrativa. Porém, a coletiva para a imprensa havia acontecido no dia anterior. Após alguns pedidos, o RÊ-TÊ-TÊ publica trechos da entrevista.
Boa leitura!

A primeira pergunta foi sobre pergunta

“Quando digo que estou cansado de dar entrevista, em parte é por causa de vocês da imprensa que repetem as mesmas perguntas. Quando vocês fazem as mesmas perguntas, eu fatalmente vou ser tentado a dar as mesmas respostas. Mas eu me esforço, quando fazem as mesmas perguntas, em dar respostas que não sejam exatamente iguais”.


Sobre a comemoração da Declaração Universal dos Direitos Humanos

“Nesses dias que estão próximos de comemorar os sessenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, temos que refletir sobre as reais conquistas desse documento. Ele foi escrito do ponto de vista Ocidental, da Igreja Católica, Igreja Cristã. Mas parece que os direitos humanos ficaram só no papel, pois de fato nunca existiram. Infelizmente tenho que reconhecer que nunca existiu os direitos humanos, esse documento ficou só no papel, uma coisa ridícula. Uma grande parcela da humanidade não sabe, nem sequer, o que está escrito no documento. A grande causa que a humanidade poderia mobilizar-se seria essa: reivindicar os seus direitos. Mas sei que é muito difícil colocá-lo em ação. Não vejo como. A Declaração é uma intenção”.

Sobre sustentabilidade

“Uma vida sustentável está se transformando numa coisa impossível para milhões de pessoas que estão perdendo seus empregos, depois da crise financeira mundial. Mas do ponto de vista ecológico, as pessoas deveriam preservar mais os bens da natureza. Estamos distantes de Governos que pensam na ecologia, no mundo atual”.

O que o intelectual pensa sobre a crise?

“Essa crise fez com que milhões de pessoas que antes pertenciam à classe média e que agora não pertencem mais, estejam sem saber o que fazer. Não sabemos até onde isso vai parar. Como é que os responsáveis por tudo isso não perceberam o que poderia acontecer; O que é paradoxal é que os mesmos agentes que antes diziam que tínhamos que ter menos Estado, são os mesmos que hoje pedem socorro ao Estado”.

Quanto à prática de ações efetivamente políticas

“Não há uma alternativa política para o panorama econômico atual. Vamos viver essa vida de remendos até quando?”.

A cara da morte estava viva

“Quando eu comecei a escrever esse conto, que prefiro chamar assim, no lugar de romance, eu tive um grave problema de saúde e tive de parar de escrever. Quando voltei a escrevê-lo, depois de me curar e voltar do hospital, eu estava pesando cinqüenta e um quilos, para eu que pesava em torno de setenta quilos, isso era demais. Hoje peso setenta e seis. Eu pensei que não ia mais viver e aqui estou. Antes de ficar doente eu tinha escrito quarenta páginas e depois que saí da enfermidade, fiz o resto. Mas o que é interessante é que você, ao ler, não percebe nenhuma descontinuidade na história”.

Humor em um momento de tristeza

“’A Viagem do Elefante’ é o meu primeiro livro que conta com humor. Embora pareça paradoxal, pelas circunstâncias em que foi escrito. O meu livro é bem humorado e faz com que os leitores dêem algumas gargalhadas”.

Serenidade para poucos

“Não mudou quase nada minha visão do mundo. Sem a doença, eu estaria dizendo aqui as mesmas coisas que hoje estou dizendo. Posso dizer que uma coisa acentuou. Foi a minha serenidade. Embora eu sempre a tive, a serenidade acentuou ainda mais no meu comportamento. E eu nem precisei ler Paulo Coelho. Não precisei ler toda a sua obra”, brincou.

A origem simples

“Sempre fui calado, melancólico e até mesmo reservado. Vivia no campo com meus familiares e amigos que eram filhos de camponeses como eu. Me tornei o escritor que hoje sou, pelas leituras que fui fazendo no decorrer da minha vida, pois meus familiares eram quase analfabetos. Esse homem que está aqui, que tem Prêmio Nobel de Literatura, viveu de uma certa maneira”.

Saramago também é blogueiro

“Eu tenho certas dúvidas em relação à revolução da Internet. No fundo sou um ingênuo. Escrevo os textos (em seu blog) para ter mais contato com o leitor e poder trocar idéias. A Internet, talvez no futuro, seja uma coisa totalmente diferente do que é hoje... Será que teremos a mesma liberdade que temos hoje? Não sei, pois vejo que a Internet está a se transformar em um grande negócio?”.

Ideologia para viver

“É preciso conquistar o poder político para que possamos mudar o estado das coisas”.

* Foto de Saramago. Lisboa, 2006 (Kim Manresa)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lançamento: “Onde a Água Encontra a Terra”

Para você que gosta de fotografia, amanhã, dia 16, às 18 horas, o crítico de arte Paulo Herkenhoff estará, na Livraria Arte e Cultura, lançando o livro “Onde a Água Encontra a Terra”.

Decorrente da exposição homônima, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em julho deste ano, a obra reúne trabalhos dos fotógrafos Carol Armstrong, Fernando Azevedo e Leonardo Kossoy.

Os três profissionais, interessados em discutir as relações entre a imagem e temas sobre a teoria da cultura, convidaram Herkenhoff, curador da exposição, para fazer parte também desse projeto.

Editada pela G. Ermakoff Casa Editorial, a publicação apresenta um aprofundado estudo sobre a imagem e sua poética, estabelecendo nexos entre a presença da água na fronteira com a terra.

Segundo a assessoria de imprensa do evento, o livro “Onde a Água Encontra a Terra” conta com inúmeras referências de obras, pensadores, artistas, movimentos e conceitos que tecem o consistente pensamento crítico construído pelo autor a partir de significativos nomes como Edmund Hussel, Merleau-Ponty, Roland Barthes e Gaston Bachelard.

O que?
Livro “Onde a Água Encontra a Terra”
228 páginas, 128 imagens, capa dura com sobrecapa
Em Português e Inglês
R$ 90
Livraria Arte e Cultura
Avenida Paulista, 2073 – Conjunto Nacional


Tenha uma linda semana!