terça-feira, 4 de maio de 2010

Corra, “Antes que o mundo acabe”!

Daniel (loiro), 15 anos, sua namorada Mim (apelido para Jasmim), e o seu melhor amigo Lucas. Os três estudam no colégio de formação católica Dom Bosco, uma escola particular para famílias de classe média da pequena cidade agrícola Pedra Grande, interior do Rio Grande do Sul.

Esses são os principais ingredientes do filme Antes que o Mundo Acabe. A película de estreia da premiada curtametragista gaúcha Ana Luiza Azevedo é simples, despretensiosa e retrata de forma respeitosa os conflitos da adolescência.

São três adolescentes apaixonantes! Mas o maior envolvimento do público é com o protagonista Daniel. Difícil não sentir suas dores, alegrias, confusões e dúvidas. Para os adultos, assistir ao filme é um delicioso convite a mergulhar no passado e relembrar de fatos da adolescência. Depois, emergir cheios de compaixão pela própria fase nebulosa e pelos adolescentes nela inseridos.

Já os adolescentes podem compartilhar os acontecimentos do filme de forma realista, assim como experimentar certa cumplicidade, por estarem mais próximos desse frescor da idade e do nível de consciência próprio desse período da vida.

Antes que o Mundo Acabe estreia dia 14 de maio. Anote aí! Vale a pena pela linguagem, pelo sotaque encantador desses simpáticos personagens gaúchos, pela história maravilhosamente escrita a oito mãos (duas delas do consagrado Jorge Furtado, de produções inesquecíveis como Ilha das Flores e O Homem que Copiava). Sem contar as divertidas peripécias de Maria Clara (irmã de Daniel), uma menina de cerca de 10 anos, responsável pela narrativa em primeira pessoa.

Apesar de o título sugerir um mundo, a história trata de vários mundos: o planeta e sua destruição, o mundo dos beats e dos bits acelerados dos adolescentes, o mundo existencial dos adultos, o mundo imagético de Maria Clara, o mundo dos habitantes de Pedra Grande e o mundo que está sendo resgatado pelo pai biológico de Daniel, um fotógrafo internacional, preocupado em registrar povos e culturas com risco de extinção.

Maria Clara é dona de uma narrativa inteligente que dá sustentação ao filme, fazendo paralelos na progressão da história. Embora, seus conhecimentos são, de certa forma, duvidosos para uma garotinha, a película sugere estarmos diante de uma menina de potência intelectual incomum. Por exemplo, para citar a confusão da humanidade e do planeta, ela usa o termo entropia. Uma grandeza física dentro da termodinâmica, que, bem superficialmente, pode significar desordem, conflito, desarranjo...

A trama é bem contata, os personagens convencem e a produção e fotografia, apesar de simples, cumprem seus papéis. Mas o que tem de melhor é o roteiro e a ação, que levam o espectador a se encantar com todos esses universos diferentes, porém entrelaçados, interdependentes e possivelmente ressonantes dentro de cada espectador. Construção não rebuscada que o coração é capaz de entender muito bem!

A maioria dos personagens vive em um mundo de 15 mil habitantes e 8 mil bicicletas, rodeados de problemas triviais como incertezas, trairagem, insegurança e julgamentos. Com a pouca maturidade e problemas de gente média e grande, o sensível Daniel dá uma lição de amizade, amor e lealdade.

Amizade: Apesar de sentir raiva pela traição do amigo Lucas, que disputa a sua namorada Mim, debaixo de seu nariz, ele tenta manter os laços com os dois. Nessa atitude, que mistura honestidade, amor e culpa, é possível um adulto sentir inveja de sua maturidade. Mas como não há nada pior para uma amizade do que a deslealdade desmedida e a decepção dilacerante, Mim e Lucas mancham profundamente suas imagens diante de Daniel.

Lealdade: Em um primeiro momento Daniel sente raiva do amigo e o coloca, sem querer, em maus lençóis dentro do colégio onde estudam, por conta do desaparecimento de um laptop do laboratório de ciências. Culpado, ele tenta se redimir, no entanto, Lucas parece não ser tão inocente. Mim diz ter sentimentos confusos pelos dois guris, mas demonstra que a dissimulação é em algum nível de sua consciência uma amiga presente.

Mas o verdadeiro e real amor, Daniel encontra em sua casa. O padrasto Antônio é compreensivo e carinhoso. A mãe, apesar de ressentida com o abandono do pai de Daniel, evolui sua compaixão pelo filho e Maria Clara, em um nível infantil, manifesta afeto e admiração pelo irmão.

Ao longo do filme, Daniel se interessa em conhecer mundos fascinantes, apresentados por seu pai biológico, também chamado Daniel, que no momento está na Tailândia (construída de forma fictícia). Incentivado pelo pai, por meio de correspondências, o menino passa também a gostar de fotografar.

Baseado no romance infanto-juvenil homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha, Antes que o Mundo Acabe é uma produção singela, sem a pretensão de apresentar um discurso profundo sobre a adolescência e capaz de dialogar com plateias jovens e adultas.

As filmagens começaram em outubro de 2007 e foram realizadas nas cidades de Taquara, Rolante, Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre. No II Festival Paulínia de Cinema (2009), recebeu os prêmios de Melhor Direção de Ficção, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Filme de Ficção (Prêmio da Crítica).

Cena favorita: Daniel, Mim e Lucas chegam à cidade de Porto Alegre e se divertem com a rotina da vida urbana, que para eles é um estado de êxtase admirável.

Uma falha que não posso deixar de comentar é a incongruência entre a oralidade e a ação, relacionadas à ida ao museu. Daniel, Mim e Lucas estão em Porto Alegre. Antes, Daniel combina: "Enquanto Lucas faz a prova para admissão no colégio técnico de informática, eu e a Mim vamos à exposição". ('Antes que o mundo acabe', projeto do qual faz parte o pai de Daniel).

Porém, as cenas gravadas mostram primeiro os três na exposição (já sendo desmontada). Depois disso, o diálogo entre eles, constatando que Lucas não pôde realizar o exame, por conta da acusação de furto do laptop. A sequência dos fatos aqui não foi bem resolvida, cinematograficamente falando! Preste atenção se puder!

Ficha Técnica
Gênero: Aventura, 102 min, Brasil (2009), Classificação: 10 anos
Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Ana Luiza Azevedo, Paulo Halm, Giba Assis Brasil e Jorge Furtado
Produção executiva: Luciana Tomasi, Nora Goulart
Co-produção: Casa de Cinema de Porto Alegre
Música: Leo Henkin
Fotografia: Jacob Solitrenick
Direção de Arte: Fiapo Barth
Edição: Giba Assis Brasil

Elenco: Pedro Tergolina (Daniel), Caroline Guedes (Maria Clara), Murilo Grossi (Antônio), Janaína Kremer (Elaine), Bianca Menti (Mim), Eduardo Cardoso (Lucas), Eduardo Moreira (Daniel Pai).

Link para cenas: http://www.youtube.com/watch?v=wIAeG37DYw4

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Dança Final sugere riso e reflexão

Você já percebeu que a maioria das peças de teatro montadas em São Paulo é de autores estrangeiros ou baseada em obras internacionais? Nada contra! Apenas uma observação para iniciar um comentário sobre a peça A Dança Final.

A montagem, em cartaz desde 09 de abril, no Teatro Bibi Ferreira, é uma das últimas peças do santista Plínio Marcos (1935-1999). Ela foi escrita em 1993 e publicada em 1994. Pouco tempo antes de sua morte era comum vê-lo em frente aos teatros da cidade vendendo seus livros. Que saudade! (Eu era adolescente...rsrs).

A Dança Final retrata com muito humor o drama “do classe média” Menezes (Norival Rizzo) ao se esforçar para manter as aparências, tanto em relação à sua virilidade quanto ao seu casamento com Lisa (Denise Weinberg). Para o casal, o importante é mostrar uma vida perfeita diante do seu círculo social.

Inicialmente você vai se divertir, mas depois talvez reflita sobre os fatos que levam um casal a manter uma união durante 25 anos em meio a enganos e farsas. Apesar de engraçada e irônica, a narrativa apropria-se de assuntos como frustração, sexo, envelhecimento, ilusão e desejo, encenando situações patéticas, muitas, típicas das relações humanas.

A história gira em torno da impotência sexual de Menezes (a “pílula milagrosa” surgiu em 1998), um cinquentão boa pinta, que se transforma em um menino triste e angustiado ao sentir que o seu “piu piu pifou”. O acontecimento é a grande piada da trama.

Dramático, ele perde a razão de viver! Seu mundo desmorona! Essa constatação facilmente caminha para uma reflexão sobre inúmeras impotências humanas (políticas, amorosas, sociais, financeiras e por aí vai...).

Já Lisa, também infeliz, camufla o seu descontentamento sexual e romântico sob a armadura de um casamento perfeito aos olhos de quem permeia a vida dos dois. Ela não enxerga o problema de Menezes. O mais importante é a grande festa em comemoração a bodas de prata do casal. Com esse paradoxo o ar de comédia ganha ainda mais força!

Vale a pena ocupar a plateia alguns minutos antes para se divertir com a trilha sonora dos velhos tempos. Roberto Carlos e Kleiton e Kledir fazem parte dela. A iluminação é uma dança de luzes. A troca de roupa dos personagens não é nova, mas é criativa e gera curiosidade. Gostei dos cabides!

Ambos são excelentes atores! Você viu Salve Geral? Denise Weinberg é a apaixonante Ruiva, personagem maravilhosamente construída pela atriz nesse filme. Norival Rizzo, assim como Denise, é um ator premiado pelo Prêmio Shell 2006 (“Oração para um pé-de-chinelo”, de Plínio Marcos). Além de talentoso, ele é um amor de pessoa e está em cartaz também na produção O Homem das Cavernas, no mesmo teatro.

Animou-se com a história? Então, preste atenção: Os cinco primeiros que acessarem o botão Comentários deste Blog (logo abaixo) e enviar o nome completo, dizendo que vai assistir A Dança Final neste fim de semana (01 e 02 de maio) receberá um ingresso grátis para o seu acompanhante. Isto é, ao comprar uma entrada (inteira ou meia), você presenteia alguém com um convite. Gostou? Corra para lá! Não esqueça de deixar um e-mail para eu confirmar a sua presença. Boas risadas!

Serviço:
A Dança Final, comédia, 70 minutos, a partir de 14 anos.
Teatro Bibi Ferreira. Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 931, Bela Vista, (11) 3105-3129
Sexta e Sábado, às 21h30. Domingo, às 20h
Preço: Sexta e Domingo, R$ 40. Sábado, R$ 60
Vendas pela internet: http://www.ingressorapido.com/ ou por telefone: 4003-1212

Ficha Técnica:
Autor: Plínio Marcos
Direção: Noemi Marinho
Elenco: Denise Weinberg e Norival Rizzo
Assistência de Direção: Tatiana Marinho
Cenário e Figurinos: Leopoldo Pacheco
Iluminação: Wagner Freire
Trilha Sonora: Aline Meyer
Produção: Denise Weinberg, Norival Rizzo, Selma Morente e Célia Forte
Realização: Morente Forte Comunicações

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Entrevista com Erik Marmo

Eu e o ator Erik Marmo nos encontramos recentemente no restaurante Paris 6, Jardins, em São Paulo, para uma entrevista de capa publicada neste mês de abril na Revista In House. Agora o Rêtêtê traz trechos desse bate-papo!

Ele falou sobre a sua carreira, seu lindo filho Daniel, 7 meses, o casamento com Larissa Burnier e o mais recente trabalho, a interpretação como Horácio na peça “Escola de Mulheres”. O texto é um dos mais consagrados de Molière, em cartaz no Teatro Vivo, até 30 de maio.
Sob a maestria do renomado e experiente diretor teatral Roberto Lage, a montagem é bastante fiel à obra, ao demonstrar um humor sarcástico, inteligente em uma história bem engendrada.

Erik, além de bonito e simpático, deixou-me com uma boa impressão. Durante a entrevista foi educado, atencioso e procurou ser muito coerente.

Como é fazer o Horário na peça Escola de Mulheres?
Está sendo maravilhoso. Eu estava parado há um ano e ter recebido esse convite foi um grande presente.

O Horácio é um arquétipo de príncipe, retratado em contos de fadas, não?
Sim. Bem colocado. Ele se apaixona perdidamente por Inês e quer libertá-la da prisão de Arnolfo. Mas a peça não fala só disso. Ela trata das dificuldades humanas através de uma comédia muito inteligente.

Você gosta de interpretar os mocinhos?
Eu gosto de desafios. Gosto de aprender, de trocar experiências com atores, de trabalhar, de conhecer novos colegas. Eu amo a minha profissão e aceito interpretar o que mais me agradar, se eu puder escolher. Mas não fico preocupado se sou chamado para ser o mocinho ou o bandido. Tudo depende de qualidade.

E essa nova experiência de ser pai?
Ter um filho muda muito a vida da gente. Sentir que eu sou responsável por uma criança, em todos os sentidos, me faz pensar na vida de modo diferente.
Eu me preocupo desde a proteção, segurança e saúde dele até a minha situação financeira, pois agora suas necessidades estão em primeiro lugar...

Você também cuida muito da sua saúde e adora praticar esportes praianos, como está sendo a sua adaptação em São Paulo, já que mora em Niterói?
Desde criança e até hoje pego onda, nado, jogo vôlei de praia, frescobol e também futebol society. Aqui eu andei pela cidade e achei uma academia, onde já estou praticando natação e pilates.

E essa mudança está sendo boa?
Eu sempre procuro me adaptar às novas situações. Contratamos uma babá para o Daniel e trouxemos nossos principais itens. Estamos bem instalados. Além do mais, eu gosto muito de trabalhar aqui. Os paulistanos vão bastante ao teatro e, isso, é sempre muito gratificante.

Você é vaidoso?
É só você olhar para o meu cabelo e ver que eu não sou nada vaidoso. (aponta para madeixa desgrenhada e rimos juntos). Eu prefiro cuidar mais da minha saúde, que é o meu maior bem.

Qual o grande propósito de viver?
Acho que estamos aqui para aprender e evoluir e não para um simples nascer e morrer. Tento estar sempre atento a esta questão.

O seu casamento com a modelo Larissa Burnier faz parte disso?
Claro que sim. Estamos aqui para crescer um com o outro. Larissa e Daniel estão colaborando muito para a minha evolução. Os relacionamentos de amizade e entre familiares também nos ensinam isso.

O que mais lhe intriga na humanidade?
Ele fixa o olhar, aparentemente lançado ao nada, e retorna com uma lembrança: - Ontem vi uma reportagem na televisão. O assunto era que o filho havia matado o pai. Nossa! Eu fico muito incomodado com esse tipo de notícia. Eu não acredito que fomos criados para matar uns aos outros. E como um filho pode assassinar o seu próprio pai? Tem algo de muito errado nisso. Não consigo entender uma coisa dessas. A maldade me deixa muito intrigado mesmo.

O que é Deus para você?
A natureza.

Serviço:
Escola de Mulheres (Comédia)
Teatro Vivo (290 lugares) - www.teatrovivo.com.br
Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 – Morumbi
De sexta-feira, às 21h30; sábado, às 21h, e domingo, às 19h
Duração: 90 minutos/ Classificação etária: 12 anos
Ingressos: sexta e domingo: R$ 40. Sábado R$ 50
Elenco: Erik Marmo, Oscar Magrini, Thais Pacholek, Gerardo Franco, Cris Bonna e Flávio Faustinoni
Link para matéria (íntegra) na Revista In House: http://inhouserevista.com.br/

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Brideshead – uma “pintura” de encher os olhos


Se você ainda não decidiu qual filme ver neste findi. A dica do Rêtêtê é Brideshead – Desejo e Poder (Brideshead Revisited), do diretor inglês Julian Jarrold. A produção estreou na sexta (9) em São Paulo. No Rio de Janeiro será dia 16.

O filme é pura qualidade. Milimetricamente pensado em todos os recursos e elementos visuais. Jarrold, já conhecido por seu perfeccionismo cinematográfico, mostra com exatidão seus enquadramentos acertadamente estudados e luzes cuidadosamente planejadas. Impossível falar mal da fotografia!

Tanto nas tomadas internas quanto externas, o charme e a precisão -tradicionalmente ingleses – aparecem não somente na história contada de forma enxuta e paradoxalmente rica em detalhes. Cenas que esbanjam simetria (planos abertos e fechados), glamour e elegância. Isso sem falar do figurino luxuoso e das locações majestosas.

A película, baseada no livro de Evelyn Waugh, que já foi filmado como minissérie em 1980, conta a história de um universitário de Oxford (o classe média Charles Ryder), que se aproxima do excêntrico aristocrata (Sebastian Flyte).

A partir dessa amizade, iniciam-se jogos nada desconhecidos das relações humanas, envolvendo sentimentos de amor, mágoa, ciúme, inveja e amizade.

Conflitos religiosos e familiares engrossam esse belo longa-metragem, ambientado na Inglaterra dos anos de 1920, tendo como o seu principal cenário a mansão de Brideshead.

Na contramão de tanta pomposidade, a película, ironicamente, deslancha de verdade depois da cena escatológica, em que Sebastian, encarnado pelo expressivo ator Ben Wishaw, vomita no quarto do protagonista Charles (Matthew Goode, de O Direito de Amar), recém chegado de Londres.

Goode está perfeito! Com falas concisas, o personagem não precisa mesmo de tanto desenvolvimento narrativo. Ele é sustentado brilhantemente pelas ações e gestos, principalmente faciais, do ator. E, claro, a oralidade é profunda, inteligente, sagaz...

Charles pode parecer frio e calculista, mas basta mergulhar no seu complexo universo para perceber o sofrimento oculto e avassalador, que o deixa, por muitas vezes, inerte. Um ser humano inserido repentinamente em mundo incoerente a sua realidade e, ao mesmo tempo, vitimado por um amor obscuro e idealizado.

Sebastian vive em desequilíbrio. Personagem, ricamente construído, imerso a uma forte confusão mental, gerada por ser gay dentro de uma família nobre e soberba, dominado pela mãe controladora e católica fervorosa, além de ser viciado em álcool e tabaco. Para completar sua desordem psicológica, ele se apaixona por Charles.

Aí é que entra Júlia (Haley Atwell), irmã de Sebastian, uma moça misteriosa e sedutora. O resto eu não vou dizer, mas posso adiantar: ela é a que mais provoca pontos de virada (plot points), pois possui grande força dramática dentro da narrativa. A personagem lhe prenderá a telona!

Você está esperando pela atriz Emma Thompson? Simplesmente maravilhosa e... inglesa! Ela é a matriarca Lady Marchmains, que reina altiva, com base nos dogmas da igreja, refém da rigidez que carrega irracionalmente.

Marido de Emma na trama e na vida real, Michael Gambon é o Sir Marchmains. Para fugir da mulher e de suas próprias convicções católicas, em um país tradicionalmente protestante, ele muda-se para Veneza (pode?) e casa-se novamente, porém o conflito vai além do que consegue suportar.

Se para alguns, o filme é frio e sem alma. Para mim, ele é profundo e intrigante, dono de um calor contido, que explode no interior de cada personagem, nada previsível.

Cena preferida: A perseguição de Júlia por Charles, literalmente descrita pelos “olhares acelerados” da objetiva. Momento que faz você refletir sobre as delícias do cinema. Bom filme!


Ficha Técnica:
Brideshead – Desejo e Poder (Brideshead Revisited)
Reino Unido, 2008, Drama, Romance, 103 min.
Diretor: Julian Jarrold
Elenco: Emma Thompson, Matthew Goode, Michael Gambon, Haley Atwell, Ben Wishaw

domingo, 11 de abril de 2010

Peça Ghetto emociona e atesta momento histórico

“O teatro precisa registrar e perpetuar esse fato com toda a sua poesia, para que a humanidade não perca a competência de amar e de se comover com a dor de seu semelhante”, acredita o ator judeu Fábio Herford. Ele vive Yossel Rakover na peça “Ghetto”, que estreia dia 28 de abril, no Teatro Eva Herz.

Esta citação refere-se ao Holocausto, retratado no palco, com base no livro Yossel Rakover Dirige-se a Deus, do escritor lituano Zvi Kolitz. Intimista, Herford encena o seu primeiro monólogo, cercado por cartas espalhadas pelo chão, em conjunto com mil sapatos, os quais aludem a corpos de judeus mortos na segunda guerra mundial (1939-1945).

Um piano, que executa a trilha sonora da peça, também faz parte do cenário. O instrumento é tocado com maestria pelo próprio ator, que compôs as canções de “Ghetto”. Seus pais austríacos e alemães sobreviventes o ajudaram no processo de construção do personagem.

“Esse espetáculo é um sonho antigo. Sempre quis, como judeu, falar algo sobre o Holocausto. Esse texto é uma oportunidade de homenagear meus familiares e todo o povo judeu”, emociona-se Herford.
Escondido em um porão no gueto de Varsóvia, o maior reduto judaico da Alemanha nazista na Polônia, Rakover conversa com Deus, muitas vezes voltando seu olhar ao céu, buscando respostas sobre quais os motivos que o levaram àquela situação. Outra inquietação do personagem é saber por que os homens exterminam seus semelhantes, sua própria espécie.

Yossel é um homem desarmado, que na sua essência particulariza os seus últimos momentos de vida. “Além do diálogo com Deus, ele também se dirige a quem, no futuro, vai encontrar o seu texto. Ele externa o que sentiu antes de morrer, sem perder a fé”, explica o roteirista e diretor do espetáculo Elias Andreato.

Os escritos chegaram, por engano, a passar por testemunho real e foi reconhecido como um dos mais profundos relatos sobre o Holocausto. Com o tempo, o mal entendido se desfez e essa emocionante ficção, escrita em 1946, transformou-se em livro. Certo dia, a publicação chegou às mãos de Herford. “Foi o próprio Elias quem me apresentou a obra”.

Para Andreato, “Ghetto” é uma produção ímpar. “Yossel contextualiza a sua própria tragédia. É a primeira vez que ouvimos alguém falando, como indivíduo singular, sobre esse momento tão dramático”.

- Como você gostaria que o público visse Yossel, perguntei ao diretor, que respondeu prontamente: “Ele é um judeu orgulhoso de ser judeu. Eu gostaria que o público enxergasse um homem sendo ele mesmo, sem defesas, sem máscaras”, finalizamos a entrevista.

Sobre o autor
Zvi Kolitz (1919-2002) foi produtor e escritor. Seu texto ''Yossel Rakover dirige-se a Deus” tornou-se um clássico da literatura do Holocausto. Co-roteirista e co-produtor de ''Monte 24 não responde'' (1954), ele apresentou o primeiro longa sobre a independência de Israel (1948).

Depois, mudou-se para os EUA e co-produziu “O Deputado”, uma das primeiras peças a questionar o silêncio do Vaticano durante o Holocausto. A montagem aconteceu na Broadway, em meio à controvérsia, por nove meses do ano de 1964.

Kolitz morreu em 29 de setembro de 2002 em Nova York. Ele tinha 89 anos e morava em Manhattan.

Serviço:
Ghetto (60 minutos). Quartas e quintas, às 21h - R$ 30.
Teatro Eva Herz (166 lugares) - Livraria Cultura - Conjunto Nacional
Bilheteria: de segunda a sábado, das 14h às 21h. Domingo e feriado, das 12h às 19h30.
Info: 3170-4059 - Vendas: 4003-2330 e http://www.ingresso.com.br/
Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque.
Notícia relacionada: Israel para por 2 minutos em memória às vítimas... http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2010/04/12/ult34u230737.jhtm

domingo, 7 de fevereiro de 2010

BEYONCÉ A TODA PROVA

Beyoncé, praticamente não atrasou. O show estava previsto para as 22h e a musa abriu o evento às 22h20, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, ontem, dia 6. Esta foi a segunda apresentação de sua turnê I Am... , no Brasil, que estará no próximo dia 10, na cidade de Salvador. Ainda, nos dias 7 e 8, ela levará seu doce remelexo ao Rio de Janeiro, no HSBC Arena.


Abrindo o show com Crazy In Love, a jovem diva anunciou que estava lá para cantar. Sem acompanhamento de voz e instrumental, ela canta sozinha os primeiros versos e mostra que é uma boa cantora. Logo depois, denunciou que pretendia mesmo interagir e interagiu de fato. No início, uma amigável provocação: "Quem está aqui para dançar? Quero todas as garotas sexys de São Paulo dançando". Depois disso, ela fez várias intervenções, inclusive e, a uma certa altura, declarou que o show estava sendo o melhor de sua história! Pode?
Em 2002, Cher, a primeira diva pop norte-americana mais aclamada, despediu-se do público em sua última turnê Firewell Tour, dizendo que havia preparado um show fabuloso. Uma apresentação que ficasse na mente de seus fãs e na história da pop music, afinal ela declarava a sua última aparição no palco. Para isso, além de seu talento, Cher contou com uma “mega” produção, que foi desde uma marcante descida em um lustre de cerca de cinco metros de altura à exibição de um grande elefante “dançando pelo palco”.

Pois, bem, Beyoncé provou ontem que para um show ser fabuloso, a grande produção pode ocupar o segundo plano. Isso para usar a expressão, pois na realidade, o substantivo (produção) ficou, literalmente, em último plano. Pelo menos em relação ao show que ele apresentou ontem em São Paulo.

A cantora de 28 anos apresentou-se em um palco, simples, sem relevantes objetos cênicos. Era uma escada onde subiu por três vezes, um telão ao fundo, o qual exibiu diversas imagens projetadas, a banda, seus bailarinos que se revezaram entre si e, claro, 3 ótimas e performáticas back vocals.

Isso mesmo, Beyoncé, pelo menos no Brasil, provou que ritmo, carisma, simpatia, interação com o público e, acima de tudo - uma voz potente e melódica - são suficientes para encantar e paralisar seus espectadores. Sem deixar de lado as seis trocas de roupas, que praticamente se resumiram em maiôs, minissaias, vestidos, muito brilho e bom equipamento de iluminação, além de sua própria luz.
Definitivamente, ela é quase nada fake. Tem nos bastidores a grande indústria da música internacional para promovê-la, coreografias e gestos marcados, mas deixa muito claro que sabe improvisar, demonstrando grande confiança em sua voz, criatividade, segurança ao "puxar" assunto com as pessoas e, claramente, não é insegura. Suas back vocals cantam sozinhas uma música inteira e músicos também contam com demonstrações solo.

Beyoncé transcende no palco. Domina e direciona os momentos para onde ela quer; uma domadora de si mesma. Incrível! Com uma desenvoltura de modelo na passarela, com direito a elegantes trançadas de pernas e sincronizados movimentos gestuais (rosto, cabelo, ombro e braços), ela atua como se estive em sua casa, andando de um lado para outro. Isso tudo sem estar dançando. A cantora, apenas nessas cenas, levou os 60 mil presentes ao delírio. Muito espontânea.

Ela prova também que é uma grande líder. Quase na metade do show, a Beyoncé Girl pede para as pessoas levantarem as mãos. Todos levantaram. Depois os braços. E a multidão os elevaram para as estrelas. (A noite estava linda. Não choveu!). Na seqüência ela convidou todos a repetirem a coreografia da canção Single Landies. E, claro, súditos ou não, sem questionar, imitaram hipnotizados os movimentos da rainha. Em infinitos momentos foi possível ouvir a multidão cantando também os grandes e os menores sucessos dela, que não poupou “o bate papo”.
Em um momento marcante do show, ela disse: Eu sempre pensava que tinha de vir ao Brasil. Eu tinha de vir. Eu tinha de vir. Nossa, mas eu não fazia ideia do número de fãs que eu tenho aqui. Muito obrigada! Muito obrigada! Dava para perceber o seu sentimento de gratidão.

Ela, realmente, parecia não acreditar na imensa recepção calorosa da plateia. De fato um grande presente que mais uma vez o público brasileiro, com seu afeto e entusiasmo peculiares, oferece a uma artista estrangeira. Com Madonna, há mais de um ano, no mesmo local, as reverencias não foram diferentes.
Mas Byoncé cativa ainda mais porque transmite um ar ingênuo. Ela arrisca. Além de seu improviso certeiro, conta com muita espontaneidade e é muito amável ao se dirigir às pessoas. Por vezes, permanece estática, apenas ouvindo os gritos da plateia, a qual chamava seu nome ou gritava simplesmente. Contagiante!

A cantora surpreendeu com a sua simplicidade! No meio do show, ela desceu do palco e andou alguns metros "pela" multidão (espaço cercado), demonstrando estar feliz e bem à vontade. Tocou nas mãos das pessoas, sorrindo muito e chegando bem perto, enquanto charmosamente se dirigia ao palco de número dois, montado quase no meio da pista, como já era previsto.

Ela fez esse trajeto por duas vezes. Na primeira pegou a bandeira do Brasil da mão de um fã, dançou com ela e ao fundo uma projeção da flâmula no palco principal. Na segunda, parece ter pedido aos seguranças que se mantivessem distantes dela. Dessa vez, já no bis, eles a deixaram mais livre e não ficaram na frente dos fãs, os quais tentavam desesperados tocar na diva. E muitos conseguiram. E ela gostou! Neste momento, ela deu um lenço para um rapaz, que suspirou sem acreditar no gesto.

Um dos pontos mais altos do show foi ela ter homenageado uma manifestação divina feminina ao cantar Ave Maria e, em seguida Angel, anteriormente já gravada por Sarah McLanclan. Este momento foi o mais emocionante. Com um vestido branco esvoaçante, ela desceu de uma escada. Depois, seu staff aproveitando o figurino, o incrementou com uma saia branca sustentada por uma grande armação e um véu sobre a sua cabeça. Se alguém a esta altura ainda tinha dúvida sobre a sua extenção vocal, variações rápidas entre grave e agudo e elasticidade nos tons, com certeza pôde esclarecer por si próprio.

Ao final, a musa avistou um cartaz no meio da multidão escrito “hoje é meu aniversário”. Perguntou quem faria aniversário no dia e sem titubear, a bela soltou a voz novamente e à capela cantou Happy Birthday to You para o aniversariante. Mas, capela mesmo foi, anterior a esta cena, em Listen, uma das faixas do filme Dreamgirls. Foi de arrepiar!

I am... começou em março de 2009 e já passou por cerca de 30 países. Depois do Brasil, Beyoncé seguirá para Argentina, Chile, Peru. A turnê terminará em Trinidad e Tobago. Segundo a Billboard - que elegeu como o melhor concerto de 2009 - I am... arrecadou US$ 54 milhões em seus sete primeiros meses.

No início da semana, a carismática artista recebeu seis prêmios na 52ª edição do Grammy, incluindo álbum do ano, por I Am... Sasha Fierce; música do ano e melhor gravação de R&B, com Single Ladies (Put a ring on it); melhor performance vocal feminina pop: Halo e melhor performance tradicional R&B, por At Last.


Em novembro do ano passado, Beyoncé já havia se consagrado como a grande vencedora do MTV Music Awards, levando para casa os prêmios de cantora do ano, melhor vídeo e melhor música.

Na verdade, em sua carreira, Beyoncé já ganhou 16 Grammy Awards (treze como solo e três com o Destiny´s Child, antigo grupo).

Ela também já atuou em vários filmes e foi indicada ao Globo de Ouro na categoria Best Performance by an Actress in a Motion Picture, por sua atuação em Dreamgirls. “Ela está com tudo e não está prosa”. Que rett, hein!
Clique aqui (dica de Elias) e veja o momento em que ela ficou mais "passada": http://www.youtube.com/watch?v=h5riRS7v4to

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Minha mãe sempre comemorava os nossos aniversários.
O meu e os dos meus irmãos.

Ela dizia que gostava de acompanhar o crescimento dos filhos.

Ela também gostava de juntar a família, ver todos felizes e reunidos.

Eu sei que ela também gostava de fazer festa.

Adorava dançar, dar risada e fazer palhaçada para as pessoas rirem e se sentirem felizes.

Hoje já não há festas em família para comemorar o meu aniversário.

Já não espero meus primos para brincar e nem para ver aqueles que estão para nascer.

Mas, há muito tempo eu também comemoro, faço festa e conto piadas... até performances...

E tudo isso com os meus AMIGOS.

É que eu gosto de acompanhar o crescimento DELES.

Eu me sinto como se eu tivesse fazendo 18 aninhos...
hummmmmm... 25 vai!