quinta-feira, 29 de julho de 2010

“Mulheres Alteradas”, um teatro em quadrinhos...

A comédia Mulheres Alteradas, que estreou no último dia 16 de julho, está lotando o Teatro Procópio Ferreira. Se você pretende assistir ao espetáculo vale um aviso: compre o ingresso antes na bilheteria, por telefone ou via internet!

O diretor Eduardo Figueiredo, em entrevista ao Blog Retete, disse que a intenção era apenas divertir a plateia. E ele conseguiu: a diversão é garantida e os paulistanos parecem querer mesmo dar boas risadas, a julgar pelo sucesso de público desde sua estreia.

Outro motivo é ver no palco as atrizes Luiza Tomé, Mel Lisboa e Daniele Valente. Elas estão bem sincronizadas, com a velocidade que o texto requer e fala precisa, tal qual a linguagem em HQ.

As encenações são fragmentadas, eu diria "tiras teatrais" bem recortadas e engendradas! Sim, a peça é uma adaptação de cinco livros da quadrinista argentina de sucesso Maitena.

As três dividem o palco com o ator André Bankoff, que por ser o seu primeiro papel no teatro, está conquistando o público com sua atuação descontraída e bem divertida, além de suas expressões faciais impagáveis. Destaco dois momentos: cenas da chicotada e do velório!

Vale também um destaque para a atriz Daniele Valente, que interpreta várias personagens com grande poder de convencimento. Isso, sem falar de sua veia naturalmente cômica. Ela está ótima!

Nas tiras de Maitena, as figuras femininas, em geral, não possuem nomes. Elas espelham características de uma mulher universal, cujos assuntos preferidos são corpo, moda, homens, amores, família, filhos, trabalho.

Porém, na adaptação brasileira, as personagens ganham nomes e personalidades. Lisa (Mel Lisboa) é separada do marido, mãe de um único filho, inteligente, com preocupações fúteis, mas dá uma lição nas (mulheres) mais neuróticas, quando descobre um nódulo em um dos seios. Neste trabalho, Mel Lisboa mais uma vez mostra outra face do seu talento!

Alice (Daniele Valente) é uma mulher solteira, vive no “mundo da lua”, mas de vez em quando solta umas boas verdades. Não mede esforços para encontrar o seu grande amor e vive se decepcionando, no entanto, sempre dá a volta por cima.

Por última, Norma (Luiza Tomé, que volta ao teatro depois de 12 anos) é uma executiva pragmática, casada, com dois filhos e se depara com uma terceira gravidez. O melhor momento da atriz é quando canta "Minha Culpa", acompanhada pelo piano. Muito boa a cena!

Já André incorpora vários personagens masculinos. Estes sim sem nomes, mas repletos de identidades masculinas, os quais certamente aludem a tipos de homens brasileiros. A comparação entre o príncipe e um cidadão comum é hilária!

Se até agora, para você, o espetáculo não trouxe estímulo. Prepare-se! A “Banda Alteradas”: um trio feminino que executa canções instrumentais, ao vivo, compostas para a montagem, dá um show a parte. É muito boa! O som, por várias vezes, remete às onomatopeias dos quadrinhos e no tempo certo de cada encenação. Repare!

A coreografia foi criada por Henrique Rodovalho, fundador da Quasar Cia. de Dança e a criativa direção musical é da pianista da banda, Elaine Giacomelli.

O texto é de Andrea Maltarolli, autora da novela “Beleza Pura”, da TV Globo, falecida no ano passado, devido a um câncer. Ela teve a colaboração de Bernardo Jablonski. Mulheres Alteradas foi a sua última obra completa.

Maitena negou a venda dos direitos de sua obra ao cineasta Pedro Almodóvar. A chargista e cartunista também não concedeu os direitos a produtores de cinema do México e dos Estados Unidos, segundo a produção da peça.

E se esses motivos ainda não justificam o sucesso, talvez ele esteja acontecendo porque a montagem mapeia de forma, aparentemente, descomprometida o discurso sobre a feminilidade presente no mundo contemporâneo.

Ou seja, mulheres, assoladas por cobranças e demandas desgastantes. Às vezes, quase impossíveis de atender simultaneamente: trabalhar o dia todo, dentro de casa idem (e de forma exemplar!), serem mães maravilhosas, amantes insuperáveis e manter as boas formas física, estética e psicológica.

Isso, sem contar com a necessidade de ostentar uma vida emocional serena, equilibrada, a toda prova. Impossível, não é? Mulheres não são assim. Como diz Maitena: “aquela que até ontem esperava dormindo, compra uma cinta liga; a executiva que administrava uma empresa quer viver em um camping; aquela que cuidava da sogra como sua própria mãe interna as duas em asilo; a magra vira uma vaca de gorda e a gorda perde vinte quilos”. Divirta-se!

MULHERES ALTERADAS
Teatro Procópio Ferreira, 80 min., 12 anos, 670 lugares.
Rua Augusta, 2.823 - Cerqueira César - 3083-4475
Sexta e sábado, às 21h30. Domingo, às 19h
Sexta, R$ 50 – Sábado, R$ 70 – Domingo, R$ 60
Vendas: http://www.ingressorapido.com.br/ e tel.: 4003-1212.
Bilheteria: de terça à quinta, das 14h às 19h; de sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Acesso a deficientes físicos, ar condicionado e entrega de ingressos a domicílio.
Estacionamento conveniado na Rua Augusta, 2.673 - R$ 10,00 (período de 4 horas. Retirada de selo do estacionamento na bilheteria).
De 16 de julho a 03 de outubro

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A peça Novelo é mais comovente do que engraçada

Se você está procurando uma peça para assistir entre sexta e domingo e não quer ver nenhum pastelão, mas quer se divertir; procura um texto inédito, porém de autor brasileiro; não faz questão de rostos super conhecidos das mídias e tem R$ 20 para pagar entrada inteira ou R$ 10 para meia, anota aí: NOVELO!

O espetáculo está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso há três semanas e traz os atores Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo. A direção é de Zé Henrique de Paula (que também dirige Side Man, com Sandra Coverloni, no mesmo teatro).

Em entrevista para o Blog Rê-Tê-Tê, Fábio Cadôr conta que Novelo começou quando ele e os outros quatro atores tiveram a ideia de levar para o teatro temas inerentes ao universo masculino. “A montagem, entre texto, projeto e concretização, levou três anos. Pesquisamos muito e após o texto pronto, fomos atrás do diretor, do figurinista, enfim, tínhamos muita vontade de realizar esse sonho”.

E os atores de fato conseguiram! A atmosfera masculina é no palco desnudada e permite aos mais atenciosos aventurar-se pela alma do gênero, tão pouco transparente em artes como teatro, cinema, pintura, música, em que as mulheres ganham sem trégua.

O texto apresenta personagens arquetípicas da sociedade contemporânea. E, no geral, estão bem representadas. Fábio Cadôr, que merece destaque como ator do espetáculo, interpreta o machão Zeca. É aquele cara que vive dando uma de durão e nunca pode admitir fraqueza ou frustração. Adora ter dinheiro, mulheres, carros importados e tem uma necessidade descomunal de se autoafirmar como homem. Bem brasileiro, não? Ou é mais futebolístico?

Como a obra Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, não me deixa mentir, os bêbados também compõem o clima brasileiro. Portanto, Maurício é o alcoólatra da montagem e é encarnado de forma convincente e assertiva pelo ator Alexandre Freitas.

O estereótipo do irmão mais velho que segura as pontas de todos da família está representado por Mauro, vivido por Flavio Baiocchi. Ele cuidou dos irmãos, quando pequenos e continua levando suas responsabilidades a cabo.

O caçula da família chama-se Cláudio, um moço moderno, bonito, mente aberta, artista sensível, amigo de todos os irmãos e super compreensível. E quem dá vida a esse desejo de consumo feminino é Flavio Barollo.

Ah! Mas hoje em dia não se pode mais deixar de falar da homossexualidade. Concordo! João Pedro é um escritor famoso, rico e apaixonadamente gay.

Esses cinco irmãos trazem emoções profundas, dores e traumas causados na infância. Ao se reencontrarem, os sentimentos vêm à tona, caminhando para uma comovente resolução: o amor entre eles. Um belo momento do espetáculo!

O pivô responsável pela oportunidade de "lavarem a roupa suja" e se libertarem dos ressentimentos e mal entendidos é um homem, internado na UTI de um hospital público, que pode ser o pai que os abandonou há mais de 20 anos.

Apesar das lembranças e sentimentos intensos, desencadeando situações patéticas, irônicas, com cobranças e discussões, o texto, de forma inteligente, traz um humor ingênuo e, às vezes tenso, promovendo boas e espontâneas risadas. Comprove!

Novelo apresenta uma visão, envolvendo diversas dimensões do homem contemporâneo, inserindo suas alegrias, conflitos, ambições, coragem, mágoas, medo, frustrações, sonhos e outros estados bastante conhecidos pela humanidade. (conscientes ou não).

Segundo o diretor Zé Henrique de Paula, o que mais lhe atrai no texto é a possibilidade de fazer um recorte do masculino. “Cinco homens diferentes, cinco homens possíveis, cinco homens reais. E, por meio deles, tentar entender melhor o imaginário do gênero como um todo”.

O figurino é do "estilista Fashion Week" Mário Queiroz. A locução em off é da atriz Clara Carvalho (Grupo Tapa) e a trilha sonora do espetáculo foi composta originalmente por Fernanda Maia.

A autora é a experiente Nanna de Castro, que presenteia o público com um texto, no mínimo, desafiador para o elenco e direção. É difícil sair da plateia incólume. Impossível não surgir questionamentos ou sentir certo incômodo. Arte que é arte promove movimentos!

E Novelo não perde neste quesito. A peça apresenta planos de espaço-tempo que se cruzam durante todo o espetáculo. Ora os personagens são adultos, ora crianças. É um Novelo para ser desfiado, interpretado e, acima de tudo, Sentido! Principalmente para aqueles que não têm medo de dar vazão aos sentimentos ou que pelo menos querem aprender a deixá-los fluir. Acesse: http://www.onovelo.com.br/

Serviço:

NOVELO (90 min., a partir de 12 anos, drama)
Sexta, às 21h30. Sábado, às 21h, e domingo, às 19h – R$ 20 e R$ 10 (meia)

Teatro Sérgio Cardoso
Sala Paschoal Carlos Magno (144 lugares) - Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista - 3288-0136

Aceita cartão de crédito mastercard e débito pelo redeshop. Não aceita cheque.
Estacionamentos nas mediações, porém não há convênios com o teatro.

Bilheteira, de quarta a domingo, das 15h às 19h. Nos dias de espetáculos até o início da peça.
Vendas por telefone: 4003-1212 e http://www.ingressorapido.com.br/

De 18 de junho a 15 de agosto e de 18 de agosto a 16 de setembro no Teatro Augusta - Rua Augusta, 943 - Tel.: 3151-2464.

domingo, 27 de junho de 2010

Fortes Emoções, com Clarisse Abujamra

Hoje eu gostaria de compartilhar uma informação valiosa: uma leitura reflexiva e atenta do livro "Na Artéria".

Para quem gosta de poemas (ou até para quem não gosta), a recomendação é saborear a profundidade do discurso da atriz e escritora Clarisse Abujamra em seu terceiro livro "Na Artéria".

Por uma estrada imaginária, ela tece de forma orgânica, ora com humor ora com profundas dores, nuances da existência humana, ilustradas por um panorama contemporâneo: situações corriqueiras como trânsito, filhos, relacionamentos...

Nesta obra, a escritora apresenta um conto poético bem estruturado e repleto de simbologia e imagens, capazes de levar o leitor a uma viagem cheia de alegorias, sem deixá-lo escapar da realidade.

Essa concretude fala da vida, das angústias, dos tormentos e da morte de forma belíssima em um texto não linear. E, claro, Clarisse não lhe deixa escapar temas como o amor, o erotismo, a alegria e o entusiasmo que o pulsar do sangue nas veias garante ao ser humano. Essas abordagens, com citações de grandes escritores como Shakespeare e Hilda Hilst, oferecem uma leitura prazerosa, sem resistências...

Caracterizado também por um formato não tradicional, o qual singularmente possui folhas soltas, é possível escolher uma página somente e desfrutá-la. Você pode até guardar a página em uma agenda, por exemplo, e retornar às escritas para reflexões aleatórias ao conjuto da obra.

A publicação, acompanhada por um CD, vem dentro de uma caixinha de papelão. A mídia contém a leitura completa do livro, realizada pela própria escritora, permeada por uma bela trilha sonora composta por André Abujamra.

O livro, ótima dica para presente, até então vendido por meio do site oficial de Clarisse Abujamra, passou a ser comercializado recentemente pela Livraria Cultura – http://www.livrariacultura.com.br/.

Para quem deseja também, além do livro, deseja ver Clarisse no palco, ela tem apresentado o texto "Antonio" no teatro em forma de monólogo. Vale a pena ver essa excelente atriz compartilhando o seu belíssimo trabalho em meio a uma plateia ávida por descobertas envolventes, estimulada pela apresentação contundente da escritora.

Acesse o site dela (http://www.clarisseabujamra.ato.br/site/index.asp) e fique por dentro de sua agenda. Boa leitura!!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mônica Martelli em conjunção com os planetas

Se a atriz Mônica Martelli tem ligação com toda a galáxia, eu não sei, mas que a peça dela (texto e atuação solo) “Os Homens são de Marte... e é pra lá que eu vou! é uma bela montagem, não há dúvida!

E... vale muito a pena ver! O texto é inteligente, bem amarrado, honesto, divertido e, ao mesmo tempo muito verdadeiro, no que diz respeito, principalmente, aos pensamentos e idealizações do amor por parte do gênero feminino.

Ela? Bem, Mônica Martelli é apaixonante! No palco causa admiração, entre outros sentimentos. Pessoalmente, é como estar com uma pessoa sem tintas, sem pincéis. Ela é clara e, absolutamente, humana, sem medo de responder algo que possa ser usado contra ela. Claro, que eu jamais faria isso. Mas, normalmente, pessoas famosas dão entrevistas com cautela. Alguns, com muita cautela. Esse não é o caso de Mônica e isso, entre outras atitudes me chamaram atenção.

Foi assim que eu senti e agora você mesmo terá suas impressões, a partir de trechos que eu selecionei da entrevista que fiz com ela para ser capa da iN House Revista. Boa leitura!

Qual o maior presente de Fernanda (sua personagem na peça)?
A minha vida é antes de “Os homens são de Marte... e depois de “Os homens são de Marte...”. O que mudou foi o reconhecimento profissional e isso me trouxe mais segurança. Tive o retorno de tudo. É como se eu tivesse um pano preto me cobrindo e a peça retirou o pano preto e eu apareci. É aquele trabalho que é o pulo do gato. Mas, ao mesmo tempo em que eu acho isso. Na vida o que vale é a somatória das coisas. Você não pode ficar só em cima de um sucesso. É claro que nesse caso realmente é um grande sucesso. Mas, mesmo assim, caio nas contradições... Esses sentimentos humanos...

Nesse processo, você entrou em contato com o seu medo interno?
Claro. É a nossa insegurança. Eu sou totalmente influenciável... Mas dessa vez me senti segura e deu certo. Menina, me deu um ataque de segurança! (brinca). Então, quando vem o medo eu tento lembrar disso sempre e me fortaleço.

Com isso, você descobriu uma outra Mônica. Você reconhecia tanto talento e coragem em você?
É muita exposição estar sozinha no palco. Ter de prender a plateia. Eu não sabia que eu tinha talento. Foi um risco. Mas depois que eu estreei a peça, eu vi que a gente tem de arriscar. Eu demorei um tempo para arriscar. Eu sempre fui muito insegura. Foram anos de terapia... Reconheci a minha coragem, acreditei em mim e segui a minha intuição em tudo, do texto ao cenário.

Que bom! E a peça é um sucesso. Você conta a sua história como solteira e aborda a ansiedade em conhecer alguém e casar. Agora, depois de cinco anos, você está casada e com uma filha. Como tem sido a experiência da maternidade para você?
Ter filhos é experimentar o verdadeiro amor, o amor incondicional mesmo. Filho é um amor... Só quando a gente os tem, sabe como é o negócio.

É como é o negócio?
(Risos). É muito bom. É uma fonte de alegria todo o tempo. Quando eu acordo e vejo aquela coisinha gostosa dentro de casa. É uma delícia! Eu penso nela o tempo todo. Quando saio de casa já fico imaginando a hora de voltar... De encontrar aquela bolotinha me esperando com aquele sorriso lindo.

E você conheceu o Jerry no dia de Santo Antonio, não é?
Sim. Dia 13 de junho de 2002. Ficamos noivos em dezembro, mas eu quis colocar essa data na minha aliança. A grande data é o dia em que você conhece a pessoa ou dá o primeiro beijo. O grande lance é o dia do encontro. Puxa, pensado bem o santo me deu mesmo uma forcinha (brinca).

Você segue a risca o catolicismo?
Sou católica, vou à missa. Mas também vou à Siddha Yoga de vez em quando. Adoro cantar os mantras. Adoro meditar. Às vezes eu vou à igreja messiânica e recebo o Johrey. Eu acredito que todas as religiões caminham para o mesmo lugar, em busca do equilíbrio, da paz, do amor eterno. Cada uma delas tem uma prática diferente. Eu gosto das que eu conheço.

Mas enquanto o catolicismo prega um Deus externo, essas religiões fazem preleções de um Deus interno. Você não entra em conflito?
Eu gosto muito desse conceito da busca interna. No Siddha Yoga se canta muito o mantra “Om Namah Shivaya”, que significa “Eu reverencio o Deus interior”. Na igreja católica eu também me sinto bem. Seja qual for a religião, cada vez mais eu acredito, com certeza, nesse Deus interior e cada um deve buscar esse lugar dentro de si e não fora.

E como você aplica essa crença na sua vida prática?
Dentro de nós está a alegria, o amor, o entusiasmo pela vida! É a sua fonte. Ela te ajuda a passar melhor nessa vida, em ser uma pessoa melhor, em se relacionar melhor com as coisas. Essa busca por mais consciência reflete na vida em todos os sentidos. Até a alimentação fica melhor. Tudo o que você respira, olha... Tem tudo a ver. Está tudo interligado.

Como será sua participação no remake Tititi? Fará o papel que foi da Mila Moreira?
Sim. Eu serei a Dorinha Bacelar, uma ex-modelo, que dá aula para as modelos, ensina etiqueta, ensina como desfilar na passarela. Ela mora no apartamentinho das modelos e não tem grana. Dorinha trabalha em uma agência de modelos. Eu acho que vai ser engraçado. Eu sei pouco ainda. Começarei a gravar daqui há três meses, quando Júlia tiver 10 meses. Tudo certo, perfeito! (seus olhos brilham ainda mais).

Tudo certo, mesmo?
Estou muito feliz por poder trabalhar em uma novela da Maria Adelaide Amaral. Eu fiz um personagem pequeninho em “Os Maias” (2001), dela também. Eu tinha muita vontade de voltar a trabalhar em outra obra dela.

Você diria que chegou lá?
Olha está dando tudo certo! A peça é um sucesso, pude parar de trabalhar um tempo para ter a minha filha e me dedicar a ela totalmente, sem preocupações ou ansiedades. Mas, acho que chegar lá não existe, porque enquanto estamos vivos não tem ponto final. Estamos sempre aprendendo, sempre querendo chegar lá!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Finalmente... I Love You Phillip Morris entrará em cartaz!

O longametragem “O Golpista do Ano” - versão brasileira não muito feliz para o título original “I Love You Phillip Morris” - chega ao Brasil nesta sexta, dia 4, somando mais um evento para os dias que antecedem à Parada Gay 2010.

O filme fez parte da programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorreu entre 23 de outubro a 05 de novembro de 2009. Nos Estados Unidos, ele somente será visto a partir de 30 de julho. Pode?

A instigante comédia, que paradoxalmente leva o espectador ao riso e às lágrimas, é coescrita e codirigida pelos roteiristas, parceiros de longa data, Glenn Ficarra e John Requa (“Papai Noel às Avessas”). A história é baseada no romance do ex-repórter investigativo Steve McVicker, do jornal Houston Chronicle.

O filme, por vários motivos, virou polêmica nas mídias brasileira e internacional. Primeiro, porque teve dificuldades para captar recursos financeiros. Segundo, porque tem o ator brasileiro Rodrigo Santoro. Em terceiro lugar, ele conta uma bela história de amor entre dois homens. Quarto, põe em cheque-mate a ineficiência dos sistemas policial e carcerário do Texas (EUA). Quinto, ele aponta para a burocracia demasiada daquele Estado. Sexto, a história é baseada em fatos reais!

O longa é envolvente e 100% livre de militância. Mais do que falar sobre a homossexualidade, ele retrata, principalmente, o amor idealizado, a paixão desenfreada e o medo do abandono, sentimentos que ao serem vividos de forma distorcida podem levar o ser humano a cometer erros irreparáveis. Esses autoenganos acontecem na vida de Steven Russell (Jim Carrey).

Durante a sessão não é raro esquecer os gêneros sexuais. A película vai a fundo ao abordar os reais desejos da essência humana, que muitas vezes se resumem em Ser o que realmente se É. Essa afirmação de viver a vida de verdade tem seu alicerce em Steven.

Ele é um policial, casado com Debbie (Leslie Mann) e pai de uma bela garotinha. Aparentemente feliz e muito bem-humorado, Steven relaciona-se bem com todos a sua volta, sendo até organista da igreja de seu bairro. No entanto, por trás dessa máscara há um segredo. Ao sofrer um grave acidente automobilístico, decide sair do armário e buscar a sua felicidade, mesmo que tenha de violar a lei.

Esse é o grande ponto de virada do filme e partir desse acontecimento, vai ser difícil não ficar vidrado na telona. Adotando um estilo de vida extravagante, ele aplica uma fraude atrás da outra, sustentando um estilo de vida incoerente com suas condições financeiras.

Nesse momento você verá Rodrigo Santoro, feliz da vida, descendo a Collins Avenue, em Miami, de braços dados com o já ex-policial. Depois dessa aparição, o ator brasileiro tem mais três curtas participações como Jimmy Kemple. Com certeza melhor do que em “As Panteras”, lembra-se? Está melhorando...

Jim Carrey, como sempre atua bem dos pés à cabeça, usando e abusando de seus recursos gestuais inatos bem conhecidos do público. Em nenhum momento aparenta ser um heterossexual fingindo ser gay.

Encarna de forma extravagante, sem passar do ponto, o golpista charmoso e carismático, que vai de um empresário provinciano a um exuberante criminoso de colarinho branco.

Com frequência, Steven foge da polícia e escapa de modo brilhante do sistema prisional do Texas em quatro diferentes ocasiões. Todas em nome do amor e sem fazer mal a ninguém. Um anti-heroi apaixonante!

Nessas idas e vindas, ele é enviado à Penitenciária Estadual, onde conhece Phillip Morris e, dentro da cadeia, começam a viver um grande amor. O homem sensível e de voz aveludada é muito bem interpretado pelo belo ator escocês Ewan McGregor (”Anjos e Demônios”).

Nesse momento fica claro que “I Love You Phillip Morris” possui dois protagonistas. Dar corpo e alma a Phillip é uma tarefa delicada para um ator, que se mal dirigido ou sem maestria cênica, facilmente cairia na caricatura. Ewan assimilou completamente a profundidade do Ser desamparado, infantil e idealizado do personagem.

Encantado com esses aspectos de sua personalidade, Steven vai até as últimas consequências tanto para libertar Phillip da cadeia quanto ao querer construir com ele uma vida perfeita, ironicamente associada ao famigerado sonho americano (american dream).

A narrativa, desenvolvida em primeira pessoa por Steven, o aproxima do espectador, que acredita piamente em tudo o que ele conta, presenteando a plateia com truques surpreendentes. Ora ele a conduz para o seu senso bem-humorado e aventureiro, ora para o contato com suas emoções. O roteiro tem força, tem justificativa e ousadia. O resultado final não é um filme extraordinário, mas cumpre bem o que lhe é proposto.

Grande parte das filmagens ocorreu em cadeias no Texas e em suas redondezas, mas não espere obter a visão, totalmente, real do sistema carcerário da localidade. A produção é romantizada e utiliza a ironia sem pudor.

A trilha sonora é um convite à dança e ao entusiasmo. Entre suas canções estão “Hallelujah, We Shall Rise" (Yellow Dog Choir), “Dance Hall Days" (Wang Chung), "It's You and Me Tonight" e “Vibe Time”. As duas últimas foram compostas e produzidas por Stephen Edwards.

Atualmente, o verdadeiro Steven Russell está confinado em sua cela, 23 horas por dia, pelos próximos 144 anos. Já Phillip Morris atuou como consultor no filme e faz uma ponta, juntamente com o autor do livro Steve McVicker.

Ficha Técnica:
I Love You Phillip Morris (O Golpista do Ano), 2009, EUA, 102 min, classificação: 16 anos
Gênero: Comédia / Drama
Direção: Glenn Ficarra e John Requa
Link para o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=XoFANivV44g
O lema da Parada Gay 2010, que acontece neste domingo, 6, é “Vote contra a homofobia: defenda a cidadania!”. É uma alusão ao projeto de lei que defende a criminalidade para a homofobia, ainda não aprovado.
Mais informações sobre a Parada, acesse http://www.paradasp.org.br/

sábado, 29 de maio de 2010

“Sex and the City 2” exibe um mundo de glamour, consumo e muito humor

O filme de número dois, com base no seriado “Sex and the City”, estreou ontem (28) em cinemas de todo o mundo. A película apresenta um texto repleto de humor simples e simultaneamente cáustico, às vezes romântico, os cenários são exóticos e luxuosos, com roteiro e personagens fiéis à série. Sim, diversão! Tudo continua muito bem-humorado e este é um dos principais motivos para assistir ao filme.

A outra razão, evidente, é compartilhar as crises da jornalista e escritora Carrie (Sarah Jessica Parker), o conflito em relação ao envelhecimento de Samantha (Kim Cattrall), o Eu idealizado de Charlotte (Kristin Davis) e a autoafirmação de Miranda (Cynthia Nixon), entre outros sentimentos dominados pela complexidade do universo feminino.

Em outras palavras, reviver e matar a saudade dos momentos prazerosos com essas quatro mulheres divertidíssimas e encantadoras. Afinal, passaram-se exatos doze anos, seis temporadas e um bem-sucedido longa-metragem. Porque não voltar no tempo e aproveitar mais essa chance? E com muito glamour, of course! Não espere nada mais!

Desde o seu começo, “Sex and the City” tornou-se um fenômeno internacional, com plateias ao redor do planeta, que rapidamente se identificaram com histórias de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Na TV, a série rendeu mais de US$ 415 milhões em todo o mundo.

A sensação de muitos fãs é a de que as personagens são amigas de infância e não personagens de uma obra de ficção. A linguagem simples e fora da realidade da maioria de seus espectadores surpreendentemente conversa intimamente com eles. Coisas desse mundo contemporâneo entrópico!

E vale dizer: as atrizes continuam ancorando muito bem essas figuras universais. O filme, além de manter o eixo fundamental representado pela amizade e lealdade entre elas, arrisca ao tentar se aprofundar em dois pontos: a crise conjugal de Carrie e John, o Mr. Big (Chris Noth) e a obsessão pela juventude de Samantha. Consegue? Não!

Completando dois anos de casados, Carrie e Mr. Big entram em turbulência ao sentir que a rotina e a falta de ânimo começam a fazer parte de suas vidas. Essa preocupação é claramente mais experimentada por Carrie, que a partir dessas constatações passa a ficar insegura, confusa, bem desequilibrada...

Ela que escrevia sobre a vida de solteira em Nova Iorque, agora passa a falar sobre o voto do casamento e, claro, os pontos de incongruência em sua vida são facilmente transferidos para a sua obra. Assim, a personagem experimenta, mais uma vez, ser foco de crítica, nascendo outra frustração.

Mas ela, que já sofreu muito em função de seus sentimentos objetivados por Mr. Big durante os episódios na TV, na película é acolhida pelo marido, que exibe maturidade, compreendendo o momento da esposa amada, que muitas vezes se comporta como uma menina. Ele mesmo a chama carinhosamente de kid (criança) ao longo da história.

Já a exuberante Samantha continua preocupada com a aparência. A guerra é literalmente declarada ao envelhecimento pela mais velha das quatro inseparáveis amigas, com 52 anos. Ela tem como motes os hormônios, a juventude, o luxo, a beleza e, claro, isso continua super latente: sua libido exacerbada.

A personagem nega a passagem do tempo. Ela não aceita a possibilidade de colecionar as implacáveis marcas da idade. Esse fato leva a encenações engraçadas. Ela aparece com cremes no rosto, tem malas revistadas no aeroporto e cria uma relação de dependência com suas 44 pílulas que toma diariamente, entre vitaminas, medicação para reposição hormonal, anti-radicais livres, entre outros.

Para um bom pensador, a obsessão de Samantha pode significar um questionamento sobre a busca desenfreada pela perfeição do corpo, a qual muitas pessoas se envolvem de forma inconsciente e desmedida. Pior ainda quando esse desejo leva esses seres a situações de risco em cirurgias estéticas e aplicações de medicamentos proibidos. Nada novo, mas muito atual!

A pergunta sugerida pelo comportamento de Samantha poderia ser: Até que ponto fazemos parte da ditadura do físico perfeito, imposta pelos dias de hoje? Que tal?

A crise que envolve a maternidade é o tema de Charlotte. Ela entra no drama, na vítima e na culpa, ao mesmo tempo. A sua filha menor, Rose, chora constantemente. Ela sente-se sufocada, mas não admite. A outra maior também lhe exige bastante. Para completar o Rê-Tê-Tê aparece uma babá fogosa que lhe deixa, aparentemente, insegura com relação ao marido.

Todos esses conflitos emocionais de Charlotte dominam o seu ser e lhe tira o sossego, durante quase toda a viagem que as quatro fazem ao novo Oriente Médio, em Abu Dhabi. Seu sofrimento é atribuído à idealização de um casamento e filhos perfeitos.

Por último vem Miranda com as questões profissionais. Acima de tudo ela é uma advogada, inteligente e muito competente, porém ainda não encontrou o eixo de equilíbrio entre ser mãe, esposa e boa profissional.

Se as discussões apresentam tentativas de se aprofundar, o alcance é parco. O filme é para se divertir e reencontrá-las. Essa é a promessa! No mais, você vai notar um exagero de cores nas roupas, uma crítica americana ao Oriente Médio, uma rápida participação da sempre charmosa Penélope Cruz e uma exaltação merecida à Liza Minnelli, cantando e dançando "All the Single Lady", mais admirável do que brega. Afinal... é Liza, aos 64 anos, e de "shortinho"!

O diretor e roteirista é Michael Patrick King. E para quem não sabe a série de TV foi criada por Darren Star, inspirada nos personagens do livro de Candace Bushnell.

A equipe de produção conta com alguns veteranos de “Sex and the City”, como o diretor de fotografia John Thomas, o desenhista de produção Jeremy Conway, o editor Michael Berenbaum, além da estilista e figurinista Patrícia Fields e do compositor Aaron Zigman.

Boa sessão!

Ficha Técnica:
"Sex and the City 2", 2010 (EUA), 146 min, comédia romântica, classificação: 14 anos
Dreção e roteiro: Michael Patrick King
Atores: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth e outros
Estúdio e distribuidora: Warner Bros. Pictures
Produção: Michael Patrick King, John P. Melfi, Sarah Jessica Parker e Darren Star
Site oficial: http://www.sexandthecity2.com.br/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Segunda Festa do Teatro começa amanhã!

Você sabia que amanhã, dia 27, a partir das 11 horas, começa a distribuição gratuita de ingressos para diversos espetáculos em cartaz na cidade de São Paulo?

A segunda edição da Festa do Teatro distribuirá 30 mil ingressos para o público adulto e 10 mil para a criançada até sábado (29). Serão sete pontos, onde cada pessoa terá direito a um par de convites. Basta ter disposição para enfrentar as filas, pois a julgar pelo ano passado, elas serão longas.

A abertura do evento será no dia 27, ao meio-dia, na fachada do edifício das Casas Bahia, Praça Ramos de Azevedo, Centro. Lá, um grupo do Circo Funâmbulos fará apresentações, tendo o rapel como base para suas performances. Porém, os pontos localizados nos bairros da Lapa, Vila Formosa, Santo Amaro e Vila Nova Cachoeirinha começarão a distribuir os tíquetes às 11, finalizando às 14 horas.

Já os quiosques do Teatro Municipal, SP Escola de Teatro e Centro Cultural de São Paulo atenderão das 16 às 19 horas. A iniciativa inclui 183 peças em cartaz e você poderá usufruir o par de convite entre 28 de maio e 6 de junho.

Clique no link oficial do evento e veja quais espetáculos estarão disponíveis no local de sua escolha. http://www.festadoteatro.com.br/