terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dançando com "Emoções Baratas"

Emoções Baratas é uma delícia! O espetáculo valoriza variados ritmos de dança, com predominância de movimentos que lembram dança de salão. Porém, os bailarinos, que vão da formação clássica à moderna não limitam suas potencialidades.

É ver e admirar os talentosos artistas que compõem esse espetáculo cativante. Muita, técnica, precisão, graça e bom gosto que vai da música ao cenário; da coreografia aos bailarinos... Muita luz, cor e ousadia!

José Possi Neto, diretor do espetáculo, em cartaz no Estúdio EMME (antigo Bar Avenida) remontou o premiadíssimo espetáculo Emoções Baratas. O espetáculo show, criado por ele em 1988, ficou em cartaz por mais de dois anos e meio. Agora, volta à pista!

O espetáculo possui uma linguagem de teatro-dança e foi fruto de laboratórios de interpretação, em que músicos, bailarinos e cantoras constróem um teatro musical jazzístico.

Quem cuida do jazz, muito bem por sinal, é a banda Heartbreakers, a mesma que se apresentou na montagem anterior. Na época, o espetáculo revelou novos bailarinos e as cantoras Misty e Aldyel Silva. Agora, Possi Neto apresenta as cantoras Karin Hills (ex-Rouge) e Biba Chuqui.

Entre os bailarinos de destaque estão a simpatia e talento de Janaina Zuba, Lucimar Castro, Kauê Ribeiro, Leandro dos Anjos e Rafael Machado, além de Roberto Alencar, Simone Camargo, Ana Luisa Seelaender e Ivi Mesquita. A última pode ser vista todos os domingos sambando, “como ninguém”, no bar Vermont, no bairro do Itaim Bibi.

Emoções Baratas é ambientado em um cabaré, em um clube de jazz. Todos os bailarinos, à exceção do bailarino que interpreta o garçom, assim como os músicos, à exceção do baixista, começam misturados com o público, ainda no saguão de entrada.

Na pista de dança, cadeiras de madeira, típicas de cabaré, estão amontoadas. Um único foco de luz, branco e forte, banha o contrabaixo de madeira e o baixista, que executa o solo jazzístico – “Things ain't what they used to be”. (1942).

O “garçom-bailarino” desconstrói a “montanha” de cadeiras, com movimentos de sua dança contemporânea. Dançarinos espalham-se pela casa e aos poucos tomam seus lugares.

A orquestra explode com “Cotton club stomp” (1930). Os bailarinos saltam sobre as mesas, dançam sobre elas, invadem o palco-pista de danças. Entre as canções apresentadas estão: “Satin doll” (1927), “Stomp look and listen” (1947) e “It don't mean a thing” (1929).

Outro ponto alto do espetáculo permite aos bailarinos escolherem espectadores (as) para dançar com eles, em mais um momento de interação e entretenimento para o público.

Serviço:
Estúdio EMME (antigo Avenida Club), 250 lugares, 75 min., 12 anos
Av. Pedroso de Morais, 1.036 - Pinheiros, (11) 2626-5835
Quinta, às 21h, sexta, às 21h30, sábado, às 21h, domingo, às 19h Quinta e Domingo: Camarote R$ 70 e Mesa R$ 50 Sexta e Sábado: Camarote R$ 80 e Mesa R$ 60

Bilheteria: terça e quarta, 15h às 20h. De quinta a domingo das 15h até o início do espetáculo.
Aceita dinheiro e os cartões de débito Redeshop e VisaElectron.
Vendas: http://www.compreingressos.com/. Tel.: 2626-5835 (Das 9h às 21h. Todos CC).
Estacionamento Vallet – R$ 15 (Convênio com Park Vênus, rua Cardeal Arcoverde, 2.898)

De 30 de julho a 31 de outubro

Ficha Técnica:
Roteiro e Direção: José Possi Neto
Direção Musical: Guga Stroeter
Coreógrafo: José Possi Neto
Cenário: Jean Pierre Tortil
Figurinos: Fabio Namatame
Design de Luz: Wagner Freire

Bailarinos: Ana Luisa Seelaender, Ivi Mesquita, Janaina Zuba, Kauê Ribeiro, Leandro dos Anjos, Lucimar Castro, Rafael Machado, Roberto Alencar e Simone Camargo.
Cantoras: Bibba Chuqui e Karin Hils

Banda Heartbrakers
Vibrafone: Guga StroeterBateria: Luis Andre GiganteContra Baixo: Gustavo BoniTrumpete: Gê RibeiroSax Barítono: Anderson QuevedoPiano: Pepe CisnerosSax Alto: Ivan de AndradeSax Tenor: Jorge CiriloTrombone e Guitarra: Emiliano Sampaio

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lançamentos dos filmes "A Ressaca" e "Epidemia"

Para quem gosta de comédia, anote: dia 10 de setembro estreia “A Ressaca”. O filme apresenta um grupo de melhores amigos entediados com a vida adulta: Adam (John Cusack) foi abandonado pela namorada, Lou (Rob Corddry) é um rapaz que adorava festas, a esposa de Nick (Craig Robinson) controla cada movimento do marido e Jacob (Clark Duke) não sai de casa, por ser um viciado em videogame.

Após tomar um porre em um ofurô de uma estação de esqui, eles acordam com as cabeças explodindo. O ano é 1986. É a chance que eles têm de apagar o passado e mudar seus futuros - um vai encontrar um novo amor, outro vai aprender a se defender das mulheres, o terceiro descobrirá seu talismã e o quarto encontrará mais sentido em sua vida, assim como oportunidade para mudá-la!

Juntos, eles embarcam em uma aventura que resgata a moda, o comportamento e a tecnologia dos anos 80, contrapondo aos recursos tecnológicos dos quais dispomos hoje em dia.

Há cenas engraçadas, porém a película é repleta de humor clichê e bem descomprometido. Ou seja, muita gente pode achar um pouco chato. A história é simples, previsível, mas pode ser um bom "relaxante mental".

Epidemia já no cinema

Mas se você prefere algo mais parecido com um thriller, dia 20 de agosto, estreou a aterrorizante adaptação do clássico “O Exército do Extermínio”, de George A. Romero. A “Epidemia” (The Crazies) fala sobre uma misteriosa toxina no abastecimento de água que transforma em assassinos crueis todas as pessoas expostas a ela.

Em uma tentativa de conter a epidemia, o exército militar usa de forças fatais para interditar os acessos de entrada e saída da pequena cidade, abandonando os poucos cidadãos saudáveis na crescente desordem, enquanto assassinos atrozes se escondem nas sombras.

O xerife David Dutton (Timothy Olyphant, de Duro de Matar) sua mulher grávida, Judy (Radha Mitchell, de Terror em Silent Hill), Becca (Danielle Panabaker, de Sexta-Feira 13, assistente de uma clínica médica e Russell (Joe Anderson, de Across the Universe), o delegado e braço direito de Dutton, encontram-se presos na região, que não reconhecem mais.

Incapazes de confiar em seus vizinhos e amigos, abandonados pelas autoridades e aterrorizados pela ideia de serem infectados, eles são forçados a se unir em uma tenebrosa luta pela sobrevivência. Bom se você gosta de ver sangue e muitos disparos com arma de fogo...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

NOVELO teve uma reestreia calorosa e contagiante!

Para a alegria daqueles que gostam também de um teatro mais profundo e ao mesmo tempo sensível e leve, a peça Novelo continuará em cartaz na capital paulista. Ontem, a montagem reestreou no Teatro Augusta, depois de ter ficado em cartaz por três meses no Teatro Sérgio Cardoso.

Passam de uma sala de 144 lugares para outra de 328, a encenação promete continuar emocionando e estimulando deliciosas gargalhadas.

De lá para cá, a peça cresceu, está gigante! Os atores bem sincronizados, uma energia contagiante. Não tem como não sentir toda essa mudança. Se não fosse o mesmo texto, sem tirar nem colocar uma vírgula, eu diria: - É outra peça!

Não que as duas outras vezes que eu tinha visto foram ruins. Nada disso! Eu gostei de Novelo, desde a primeira vez que vi! É que agora, ela está ainda maior! A sensação é de entrar em contado, fazer uma conexão... A soma de todas as qualidades antes fragmentadas, parecem unidas, inteiras, uma coisa só! Então, mais uma vez eu recomendo: Novelo.

No palco os atores Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo. A direção é de Zé Henrique de Paula (Side Man, As Troianas).

Em entrevista para o Blog Rê-Tê-Tê, Flavio Baiocchi concorda: “A peça está mais linda, também tenho a impressão de estar em uma outra peça, está mais vibrante ainda, impressionante. Estou amando esse trabalho. Acho que é essa capacidade humana de se apaixonar várias vezes pela mesma coisa e transformá-la sempre em melhor, sentir melhor, mesmo sendo a mesma”.

Ao final, Fábio Cadôr agradeceu a presença de todos e demonstrou mais uma vez essa sintonia perceptível dos cinco atores e a generosidade de cada um deles.

O diretor Zé Henrique de Paula estava presente, assim como o diretor teatral Vladimir Capella (O Meu Amigo Pintor, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, O Caçador de Crepúsculos), os atores Ewerton de Castro, Mara Carvalho (que já dirigiu parte do elenco de Novelo em outras montagens), atores e bailarinos de Zorro, O Musical, a bailarina talentosa de Emoções Baratas, Zuba (Janaína) e muitos outros amigos e conhecidos que prestigiaram o evento com muita alegria.

“Adorei a peça, muito profunda, leve e com certeza é um verdadeiro Pathwork” (metodologia de autoconhecimento), disse Mariângela Cohen, terapeuta de florais.

“A peça toda é ótima. A parte que o Zeca descreve o carro jaguar é impagável, amei”, revelou Marco Bottini, coordenador de gestão de qualidade da Basf, empresa química e líder mundial no setor de tintas.

“A cada vez que tenho oportunidades como essas, percebo como gosto de teatro e como ele precisa fazer parte de nossas vidas. Saio muito feliz e muito privilegiado”, falou Renato Lantin, gerente comercial da Basf.

“É realmente muito boa, vou recomendar aos meus amigos. Gostei muito de ter vindo. Os atores e o texto são excelentes. Parabéns para eles”, falou ao Blog Retete, André Koronfli, administrador na área de Comércio Exterior.

“Nossa, eu adorei. Quando li pela primeira vez sobre a peça fiquei com muita vontade de assisti-la e realmente a minha intuição estava certa. Eu adorei essa oportunidade. Com certeza vou indicar para outros amigos”, contou Sérgio Moreira, empresário no ramo de tradução e interpretação de línguas estrangeiras.

Para ler mais sobre a peça clique aqui! http://etodoumretete.blogspot.com/2010/07/peca-novelo-e-mais-comovente-do-que.html

Serviço:
NOVELO (90 min., a partir de 12 anos, drama)
Quarta e quinta, às 21h - R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Teatro Augusta - Sala Nobre (328 lugares) - Rua Augusta, 942 – Lado Centro – 3151-4141
Aceita cartão de crédito Mastercard, Dinners Club e Redeshop. Não aceita cheque.
Estacionamento ao lado – R$ 10.
Bilheteira, de quarta e quinta, das 14h às 21h; sexta, das 14h às 21h30; sábado das 15h às 19h.
Vendas por telefone: 4003-1212 e http://www.ingressorapido.com.br/
Acesse também http://www.onovelo.com.br/
De 18 de agosto a 16 de setembro

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O filme “A Origem” levanta questões sobre as profundezas do Eu

O diretor Christopher Nolan (Batman – O cavaleiro das trevas, Amnésia) estreou no Brasil, no dia 6 de agosto, o seu mais recente filme. Inception (“A Origem”, na versão brasileira) reúne ação, romance, aventura e muitos, mas muitos efeitos especiais. A intenção é deixar a plateia perplexa!

O argumento é simples para um roteiro cheio de acontecimentos e revira-voltas. Trata-se do desejo de o ser humano mergulhar nos arquivos mais secretos de um outro ser humano e influenciar suas escolhas.

Para contar essa história foi criado o protagonista Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), um talentoso ladrão de sonhos. Ele rouba segredos valiosos das profundezas do subconsciente durante o sono - estimulado por drogas inseridas via venal -, estado mais vulnerável da mente.

A rara habilidade de Cobb o tornou um jogador hábil neste novo e escorregadio mundo da espionagem corporativa, porém também fez dele um fugitivo internacional, já que é acusado de ter assassinado a bela e misteriosa Mal, sua própria esposa (vivida por Marion Cotillard, vencedora do Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor).

Nada muito diferente, quando concluímos a sinopse: ele terá de provar a inocência para recuperar a sua vida e seus filhos que estão vivendo do outro lado do planeta. Ele vai para Tóquio e as crianças estão nos Estados Unidos.

Então, um último trabalho poderá lhe devolver sua paz e as pessoas que ama. Isso, se vencer um grande desafio: Cobb e sua equipe de especialistas têm de, ao invés de roubar ideias e informações, terá plantá-las na mente de um herdeiro milionário.

Essa ficção científica, com alto orçamento sobre ladrões de sonhos, mostra como o ser humano usa tão pouco o seu poder de acessar seus segredos “enterrados” no subconsciente, simplesmente pelo medo de encarar a realidade ou a verdade sobre si mesmo.

No fundo traz um questionamento sobre a importância de se conhecer bem, aceitar seus limites, lidar com as frustrações... Com desejos que parecem inalcançáveis nos dias de hoje, como envelhecer ao lado do ser amado ou ter os filhos que sempre sonhou. Enfim... Até que ponto o ser humano está preparado para viver com inteireza e dentro de sua própria realidade?

É uma viagem às profundezas obscuras e perturbadoras do inconsciente, do próprio Eu. Se a leitura for essa, o filme pode ser fascinante. Se a intenção for ver efeitos especiais fabulosos e surreais, que lembram Matrix, ele também valerá a pena! Se for em busca de uma história complexa, você vai acertar!

O filme quer brincar! Muita coisa que parece ser não é. E o que é parece não ser. Nisso, ele cumpre a função de deixar o espectador em dúvida e com o olhar colado na telona. Perder uma fala pode ser o fim da brincadeira.

Mas essa possibilidade deixa de existir no momento em que Ariadne entra em cena. Muito bem interpretada por Ellenn Page (Juno), a personagem explica os acontecimentos. Se não fosse ela a história se perderia.

Essa viagem na mente humana por camadas que sobrepõem camadas do subconsciente não apela para imagens de neurotransmissores cerebrais ou órgãos humanos. Nisso, o filme ganha pontos.

Para explicar essas “inceptions”, traduzidas como inserções, ele faz alusões a cenas que lembram os videogames, em que, a cada etapa, as figuras duelam para vencer e passarem para os próximos desafios.

Nesse aspecto, Nolan foi bem-sucedido. Utilizou uma linguagem moderna para explicar a complexidade da mente humana, sem concretizar os jogos. Para isso, o roteiro coloca em evidência sentimentos como a ganância, a solidão, o medo, assim como a vulnerabilidade da mente humana, no fio que separa a sanidade da insanidade, a ilusão da realidade.

E aí surge uma pergunta: Como podemos controlar nosso subconsciente para mudar nossas vidas? O ideal é a mente consciente comandar o subconsciente, mas nem sempre isso acontece. O desafio, grosso modo, está em dar os comandos certos.

E autoconhecimento é isso: A cada revelação de nossa personalidade, acessamos camadas mais profundas do subconsciente, testando nossa autoconfiança, coragem para seguir a diante e fé!

Ficha Técnica:
"A origem" (Inception), ficção cienfífica, 148 min, 2010, Warner Bros.
Diretor/ Roteirista: Christopher Nolan

Elenco: Leonardo DiCaprio (Cobb), Marion Cotillard (Mal), Joseph Gordon-Levitt (Arthur), Ellen Page (Ariadne), Ken Watanabe (Saito), Cillian Murphy (Fischer), Tom Berenger (Browning), Michael Caine (Professor), Lukas Haas (Nash), Tohoru Masamune (Segurança), Tom Hardy (Eames).

Produtores: Christopher Nolan e Emma Thomas
Produtor Executivo: Chris Brigham e Thomas Tull
Diretor de Fotografia: Wally Pfister
Desenhista de Produção: Guy Hendrix Dyas
Música de Hans Zimmer
Figurinista: Jeffrey Kurland

quinta-feira, 29 de julho de 2010

“Mulheres Alteradas”, um teatro em quadrinhos...

A comédia Mulheres Alteradas, que estreou no último dia 16 de julho, está lotando o Teatro Procópio Ferreira. Se você pretende assistir ao espetáculo vale um aviso: compre o ingresso antes na bilheteria, por telefone ou via internet!

O diretor Eduardo Figueiredo, em entrevista ao Blog Retete, disse que a intenção era apenas divertir a plateia. E ele conseguiu: a diversão é garantida e os paulistanos parecem querer mesmo dar boas risadas, a julgar pelo sucesso de público desde sua estreia.

Outro motivo é ver no palco as atrizes Luiza Tomé, Mel Lisboa e Daniele Valente. Elas estão bem sincronizadas, com a velocidade que o texto requer e fala precisa, tal qual a linguagem em HQ.

As encenações são fragmentadas, eu diria "tiras teatrais" bem recortadas e engendradas! Sim, a peça é uma adaptação de cinco livros da quadrinista argentina de sucesso Maitena.

As três dividem o palco com o ator André Bankoff, que por ser o seu primeiro papel no teatro, está conquistando o público com sua atuação descontraída e bem divertida, além de suas expressões faciais impagáveis. Destaco dois momentos: cenas da chicotada e do velório!

Vale também um destaque para a atriz Daniele Valente, que interpreta várias personagens com grande poder de convencimento. Isso, sem falar de sua veia naturalmente cômica. Ela está ótima!

Nas tiras de Maitena, as figuras femininas, em geral, não possuem nomes. Elas espelham características de uma mulher universal, cujos assuntos preferidos são corpo, moda, homens, amores, família, filhos, trabalho.

Porém, na adaptação brasileira, as personagens ganham nomes e personalidades. Lisa (Mel Lisboa) é separada do marido, mãe de um único filho, inteligente, com preocupações fúteis, mas dá uma lição nas (mulheres) mais neuróticas, quando descobre um nódulo em um dos seios. Neste trabalho, Mel Lisboa mais uma vez mostra outra face do seu talento!

Alice (Daniele Valente) é uma mulher solteira, vive no “mundo da lua”, mas de vez em quando solta umas boas verdades. Não mede esforços para encontrar o seu grande amor e vive se decepcionando, no entanto, sempre dá a volta por cima.

Por última, Norma (Luiza Tomé, que volta ao teatro depois de 12 anos) é uma executiva pragmática, casada, com dois filhos e se depara com uma terceira gravidez. O melhor momento da atriz é quando canta "Minha Culpa", acompanhada pelo piano. Muito boa a cena!

Já André incorpora vários personagens masculinos. Estes sim sem nomes, mas repletos de identidades masculinas, os quais certamente aludem a tipos de homens brasileiros. A comparação entre o príncipe e um cidadão comum é hilária!

Se até agora, para você, o espetáculo não trouxe estímulo. Prepare-se! A “Banda Alteradas”: um trio feminino que executa canções instrumentais, ao vivo, compostas para a montagem, dá um show a parte. É muito boa! O som, por várias vezes, remete às onomatopeias dos quadrinhos e no tempo certo de cada encenação. Repare!

A coreografia foi criada por Henrique Rodovalho, fundador da Quasar Cia. de Dança e a criativa direção musical é da pianista da banda, Elaine Giacomelli.

O texto é de Andrea Maltarolli, autora da novela “Beleza Pura”, da TV Globo, falecida no ano passado, devido a um câncer. Ela teve a colaboração de Bernardo Jablonski. Mulheres Alteradas foi a sua última obra completa.

Maitena negou a venda dos direitos de sua obra ao cineasta Pedro Almodóvar. A chargista e cartunista também não concedeu os direitos a produtores de cinema do México e dos Estados Unidos, segundo a produção da peça.

E se esses motivos ainda não justificam o sucesso, talvez ele esteja acontecendo porque a montagem mapeia de forma, aparentemente, descomprometida o discurso sobre a feminilidade presente no mundo contemporâneo.

Ou seja, mulheres, assoladas por cobranças e demandas desgastantes. Às vezes, quase impossíveis de atender simultaneamente: trabalhar o dia todo, dentro de casa idem (e de forma exemplar!), serem mães maravilhosas, amantes insuperáveis e manter as boas formas física, estética e psicológica.

Isso, sem contar com a necessidade de ostentar uma vida emocional serena, equilibrada, a toda prova. Impossível, não é? Mulheres não são assim. Como diz Maitena: “aquela que até ontem esperava dormindo, compra uma cinta liga; a executiva que administrava uma empresa quer viver em um camping; aquela que cuidava da sogra como sua própria mãe interna as duas em asilo; a magra vira uma vaca de gorda e a gorda perde vinte quilos”. Divirta-se!

MULHERES ALTERADAS
Teatro Procópio Ferreira, 80 min., 12 anos, 670 lugares.
Rua Augusta, 2.823 - Cerqueira César - 3083-4475
Sexta e sábado, às 21h30. Domingo, às 19h
Sexta, R$ 50 – Sábado, R$ 70 – Domingo, R$ 60
Vendas: http://www.ingressorapido.com.br/ e tel.: 4003-1212.
Bilheteria: de terça à quinta, das 14h às 19h; de sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Acesso a deficientes físicos, ar condicionado e entrega de ingressos a domicílio.
Estacionamento conveniado na Rua Augusta, 2.673 - R$ 10,00 (período de 4 horas. Retirada de selo do estacionamento na bilheteria).
De 16 de julho a 03 de outubro

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A peça Novelo é mais comovente do que engraçada

Se você está procurando uma peça para assistir entre sexta e domingo e não quer ver nenhum pastelão, mas quer se divertir; procura um texto inédito, porém de autor brasileiro; não faz questão de rostos super conhecidos das mídias e tem R$ 20 para pagar entrada inteira ou R$ 10 para meia, anota aí: NOVELO!

O espetáculo está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso há três semanas e traz os atores Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo. A direção é de Zé Henrique de Paula (que também dirige Side Man, com Sandra Coverloni, no mesmo teatro).

Em entrevista para o Blog Rê-Tê-Tê, Fábio Cadôr conta que Novelo começou quando ele e os outros quatro atores tiveram a ideia de levar para o teatro temas inerentes ao universo masculino. “A montagem, entre texto, projeto e concretização, levou três anos. Pesquisamos muito e após o texto pronto, fomos atrás do diretor, do figurinista, enfim, tínhamos muita vontade de realizar esse sonho”.

E os atores de fato conseguiram! A atmosfera masculina é no palco desnudada e permite aos mais atenciosos aventurar-se pela alma do gênero, tão pouco transparente em artes como teatro, cinema, pintura, música, em que as mulheres ganham sem trégua.

O texto apresenta personagens arquetípicas da sociedade contemporânea. E, no geral, estão bem representadas. Fábio Cadôr, que merece destaque como ator do espetáculo, interpreta o machão Zeca. É aquele cara que vive dando uma de durão e nunca pode admitir fraqueza ou frustração. Adora ter dinheiro, mulheres, carros importados e tem uma necessidade descomunal de se autoafirmar como homem. Bem brasileiro, não? Ou é mais futebolístico?

Como a obra Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, não me deixa mentir, os bêbados também compõem o clima brasileiro. Portanto, Maurício é o alcoólatra da montagem e é encarnado de forma convincente e assertiva pelo ator Alexandre Freitas.

O estereótipo do irmão mais velho que segura as pontas de todos da família está representado por Mauro, vivido por Flavio Baiocchi. Ele cuidou dos irmãos, quando pequenos e continua levando suas responsabilidades a cabo.

O caçula da família chama-se Cláudio, um moço moderno, bonito, mente aberta, artista sensível, amigo de todos os irmãos e super compreensível. E quem dá vida a esse desejo de consumo feminino é Flavio Barollo.

Ah! Mas hoje em dia não se pode mais deixar de falar da homossexualidade. Concordo! João Pedro é um escritor famoso, rico e apaixonadamente gay.

Esses cinco irmãos trazem emoções profundas, dores e traumas causados na infância. Ao se reencontrarem, os sentimentos vêm à tona, caminhando para uma comovente resolução: o amor entre eles. Um belo momento do espetáculo!

O pivô responsável pela oportunidade de "lavarem a roupa suja" e se libertarem dos ressentimentos e mal entendidos é um homem, internado na UTI de um hospital público, que pode ser o pai que os abandonou há mais de 20 anos.

Apesar das lembranças e sentimentos intensos, desencadeando situações patéticas, irônicas, com cobranças e discussões, o texto, de forma inteligente, traz um humor ingênuo e, às vezes tenso, promovendo boas e espontâneas risadas. Comprove!

Novelo apresenta uma visão, envolvendo diversas dimensões do homem contemporâneo, inserindo suas alegrias, conflitos, ambições, coragem, mágoas, medo, frustrações, sonhos e outros estados bastante conhecidos pela humanidade. (conscientes ou não).

Segundo o diretor Zé Henrique de Paula, o que mais lhe atrai no texto é a possibilidade de fazer um recorte do masculino. “Cinco homens diferentes, cinco homens possíveis, cinco homens reais. E, por meio deles, tentar entender melhor o imaginário do gênero como um todo”.

O figurino é do "estilista Fashion Week" Mário Queiroz. A locução em off é da atriz Clara Carvalho (Grupo Tapa) e a trilha sonora do espetáculo foi composta originalmente por Fernanda Maia.

A autora é a experiente Nanna de Castro, que presenteia o público com um texto, no mínimo, desafiador para o elenco e direção. É difícil sair da plateia incólume. Impossível não surgir questionamentos ou sentir certo incômodo. Arte que é arte promove movimentos!

E Novelo não perde neste quesito. A peça apresenta planos de espaço-tempo que se cruzam durante todo o espetáculo. Ora os personagens são adultos, ora crianças. É um Novelo para ser desfiado, interpretado e, acima de tudo, Sentido! Principalmente para aqueles que não têm medo de dar vazão aos sentimentos ou que pelo menos querem aprender a deixá-los fluir. Acesse: http://www.onovelo.com.br/

Serviço:

NOVELO (90 min., a partir de 12 anos, drama)
Sexta, às 21h30. Sábado, às 21h, e domingo, às 19h – R$ 20 e R$ 10 (meia)

Teatro Sérgio Cardoso
Sala Paschoal Carlos Magno (144 lugares) - Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista - 3288-0136

Aceita cartão de crédito mastercard e débito pelo redeshop. Não aceita cheque.
Estacionamentos nas mediações, porém não há convênios com o teatro.

Bilheteira, de quarta a domingo, das 15h às 19h. Nos dias de espetáculos até o início da peça.
Vendas por telefone: 4003-1212 e http://www.ingressorapido.com.br/

De 18 de junho a 15 de agosto e de 18 de agosto a 16 de setembro no Teatro Augusta - Rua Augusta, 943 - Tel.: 3151-2464.